Luto na literatura

Poeta da geração beat, Lawrence Ferlinghetti morre aos 101 anos

Ferlinghetti: escritor fundo a livraria City Lights,  um das mais icônicos espaços artísticos dos Estados Unidos
Ferlinghetti: escritor fundo a livraria City Lights, um das mais icônicos espaços artísticos dos Estados Unidos (Foto: reprodução/You Tube)

O poeta norte-americano Lawrence Ferlinghetti, que fez parte da geração Beat da literatura dos Estados Unidos nos anos 50, morreu ontem aos 101 anos. A informação foi confirmada ao jornal Washington Post pelo filho Lorenzo, que atribuiu a causa da morte à uma doença pulmonar. Ele vivia em São Francisco, na Califórnia, cidade em que fundou a famosa livraria City Lights.

"Ferlinghetti foi fundamental na democratização da literatura americana ao criar (com Peter D. Martin) a primeira livraria do país em 1953, dando início a um movimento para tornar diversos livros de qualidade baratos amplamente disponíveis", diz o comunicado publicado nas redes da livraria nesta terça (23).

"Por mais de sessenta anos, aqueles de nós que trabalharam com ele na City Lights foram inspirados por seu conhecimento e amor pela literatura, sua coragem na defesa do direito à liberdade de expressão e seu papel vital como um embaixador cultural americano. Sua curiosidade era ilimitada e seu entusiasmo era contagiante. Sentiremos muito a sua falta", diz o texto. 

História - Lawrence Monsanto Ferlinghetti nasceu em março de 1919 em Nova York. Ele começou a destacar nos anos 50 quando publicou o poema-manifesto "Uivo", de Allen Ginsberg, outro nome da Geração Beat.

O lançamento atraiu a atenção para Ginsberg, e consequentemente para toda a Geração Beat de poetas, artistas e hipsters que, através da literatura, se rebelavam contra o conservadorismo da sociedade americana.

Ferlinghetti escreveu dezenas de livros, incluindo um dos volumes de poesia mais vendidos da história americana: "A Coney Island of the Mind" (1958), uma crítica direta e frequentemente irônica da cultura dos Estados Unidos. No Brasil, o livro saiu pela editora L&PM com o título "Um parque de diversões na cabeça".

Além do trabalho como escritor, o poeta era visto como guru da cena artística de São Francisco. Em 1953, ele fundou ao lado de Peter D. Martin a livraria e editora independente City Lights. O lugar se tornou um das mais icônicos espaços artísticos dos Estados Unidos e virou ponto de peregrinação de poetas, artistas e políticos progressistas.

Inclusive, no comunicado que a livraria publicou nas redes sociais, os funcionários deixam claro que vão continuar honrando o espírito revolucionário de Ferlinghetti. "Pretendemos desenvolver a visão de Ferlinghetti e honrar sua memória, sustentando a City Lights no futuro como um centro de investigação intelectual aberta e compromisso com a cultura literária e a política progressista".