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Economia

Polícia Federal indicia Abilio na Carne Fraca

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O empresário Abilio Diniz e o ex-diretor-presidente da BRF Pedro de Andrade Faria foram indiciados pela Polícia Federal nesta segunda-feira (15).

Eles são suspeitos de terem cometido crimes contra a saúde pública, estelionato, falsidade ideológica e organização criminosa.

A PF usou uma troca de mensagens pelo aplicativo WhatsApp e acesso a emails para indiciar os executivos.

O indiciamento consta do relatório da terceira fase da Operação Carne Fraca, denominada Trapaça, que investiga supostas fraudes laboratoriais e informação de dados fictícios ao Ministério da Agricultura.

A assessoria de imprensa de Abilio Diniz afirma que o relatório apresentado pela PF não traz elementos que demonstrem irregularidades cometidas pelo empresário.

A assessoria ressalta ainda que o indiciamento não sinaliza culpa, mas apenas que a autoridade policial considera haver indícios de atos ilícitos.

Caberá agora ao Ministério Público Federal decidir se oferece denúncia com base nas conclusões da PF, se pede novas diligências ou se arquiva a apuração, por não considerar haver provas para fazer acusação criminal.

Mais 41 pessoas foram indiciadas, entre elas Francisco Turra, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que nega envolvimento.

No relatório, o delegado da PF Maurício Moscardi Grillo diz ter concluído que "a prática das condutas delitivas não se restringia ao círculo das equipes técnica e gerencial das fábricas da BRF".

"Há, de fato, a participação do corpo diretivo da empresa na trama investigada, o qual tinha ciência de seu modus operandi, e que, não somente se omitiu em cessá-lo, mas também participou comissivamente [ativamente] dos atos de ocultação das fraudes, norteando sua execução", diz o relatório.

"Destaca-se a participação ativa, em caso envolvendo a detecção de resíduo tóxico em carne de frango pelas autoridades chinesas (Dioxina), de Pedro Faria (à época diretor-presidente global do grupo BRF), Abilio Diniz (à época presidente do conselho da BRF) e José Carlos Reis de Magalhães Neto, sócio da Tarpon Investimentos", segundo o relatório.

A Operação Trapaça foi desencadeada pela PF em março de 2018, levando à prisão de Faria na época.

A PF relata conversa por WhatsApp entre Faria e Abilio.

Entre as mensagens, consta comunicação em que Abilio afirma: "Não estou a par mas enquanto pudermos não alimentar mais é melhor. Mas temos ótimos assessores, confio neles".

Para a PF, o contexto das conversas indica o conhecimento dos principais executivos da BRF sobre os problemas.

"Abilio Diniz e Pedro Faria, pela posição hierárquica, possuíam plena capacidade de orientar os círculos sob sua subordinação a tomar as medidas técnicas e eficazes, em âmbito sanitário, para que se determinasse a causa-raiz da contaminação química dos produtos destinados ao consumo e a regularização do processo industrial."

O delegado anota que, contudo, o que ocorreu na conversa foi a "lamentação" dos executivos do vazamento da informação, a interlocução com a então ministra da Agricultura, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO).

Abilio foi presidente do conselho de administração da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, e desde 2016 é membro do conselho de administração do grupo Carrefour.

OUTRO LADO

Em nota, a assessoria de Abilio afirma que o empresário não cometeu nenhuma irregularidade na BRF.

"No relatório apresentado pela Polícia Federal, não existem elementos que demonstrem irregularidades cometidas por Abilio Diniz", diz.

"É importante ressaltar que o indiciamento não indica culpa, mas apenas que a autoridade policial considera haver indícios de atos ilícitos, o que será apreciado ainda pelo Ministério Público", afirma o comunicado.

A BRF diz que está colaborando com as autoridades e afastou preventivamente os funcionários citados no relatório até o esclarecimento dos fatos.

"É interesse máximo da administração da BRF que os fatos relacionados às investigações sejam esclarecidos, uma vez que a empresa tem como princípio tolerância zero com qualquer tipo de conduta indevida."

Também em nota, a ABPA diz que refuta as menções feitas pela PF. Tarpon e Magalhães Neto não comentaram.

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