Há poucas escolas nos bairros de Curitiba que mais precisam

Em 2010, menos de 4% do PIB Nacional foi investido no Ensino Fundamental da rede pública de ensino.  Neste mesmo ano, segundo dados do Ipea, Curitiba registrou um percentual de 2,7% de analfabetismo. E o Censo Demográfico mostrou que mais de 47 mil indivíduos não tiveram acesso à escolaridade mais básica prometida como condição de cidadania.  Esses são alguns dados apresentados na publicação Infância, adolescência e direitos: Ensino Fundamental em Curitiba, publicado pelo Centro Marista de Defesa da Infância, da Rede Marista de Solidariedade. Com o objetivo de apresentar um panorama local sobre a Educação e análises que subsidiem a construção de uma agenda política focada sobre o tema, a área de abrangência escolhida foi Curitiba, capital e maior cidade do Estado, onde estão 220.161 dos 1.525.858 educandos de 6 a 14 anos do Paraná. Em 2010 Curitiba contava com 464 estabelecimentos de ensino voltados ao Ensino Fundamental, 176 municipais, 152 estaduais, 1 federal e 135 privados. O livro revela ainda onde estão as diferenças da educação na capital e como isso reflete nos números. A conclusão mais preocupante do livro é que em muitos casos faltam escolas onde sobram alunos.

Nos bairros São Miguel, Ganchinho, Atuba, Prado Velho, Santo Inácio, Cabral e Juvevê, por exemplo, residem 6.393 crianças e adolescentes de 11 a 14 anos, mas na região não há escolas voltadas às últimas séries do Ensino Fundamental.  A expectativa é que esse diagnóstico possibilite a construção de uma agenda política, viabilize o acompanhamento e a intervenção de entidades do governo e da sociedade civil, de maneira positiva, na promoção e na garantia de um dos direitos fundamentais assegurados pelo ECA, pela Convenção Internacional dos Direitos da Criança e pela Constituição Federal, o direito à educação, diz Luane Natalle, analista de monitoramento do Centro Marista de Defesa da Infância e uma das organizadoras do livro.

Outro dado que chama a atenção é a situação das crianças do bairro Tatuquara, onde residem 5.826 jovens de 11 a 14 anos e onde há apenas três escolas públicas destinadas às séries finais do Ensino Fundamental.


NO SÃO MIGUEL, NÃO HÁ SÉRIES INICIAIS
No Alto Boqueirão, são 4.420 crianças e adolescentes nessa faixa etária e apenas três instituições que oferecem tal etapa da educação. No bairro Ganchinho, há um total de 880 crianças de 6 a 10 anos, que representam 7,9% da população de todo o bairro e apenas uma escola pública voltada às primeiras séries do Ensino Fundamental.

O bairro São Miguel concentra 1.188 crianças de 6 a 10 anos e nenhuma escola pública destinada às séries iniciais do Ensino Fundamental. Se somarmos o número de meninas e meninos de 11 a 14 anos que residem nos bairros: São Miguel, Ganchinho, Atuba, Prado Velho, Santo Inácio, Cabral e Juvevê que não possuem escolas voltadas às últimas séries do Ensino Fundamental, teremos 6.393 crianças e adolescentes que devem ser deslocar diariamente para estudar. No bairro São Miguel há 1.750 crianças e adolescentes de 11 a 14 anos, ou seja, 36,7% da população de todo o bairro e não há na região nenhuma escola pública voltada às últimas séries do Ensino Fundamental.

No Tatuquara, há 5.826 jovens de 11 a 14 anos e apenas três escolas públicas destinadas às séries finais do Ensino Fundamental. Já no Alto Boqueirão, são 4.420 crianças e adolescentes nessa faixa etária e apenas três instituições que oferecem tal etapa da educação.

Em 2010 Curitiba contava com 464 estabelecimentos de ensino voltados ao Ensino Fundamental, 176 municipais, 152 estaduais, 1 federal e 135 privados. Do total de meninas e meninos da capital paranaense, 4.232 (1,9%) não iam à escola em 2010, mas já estiveram matriculados, e 1.125 (0,5%) nunca frequentaram a escola.


CAPITAL TEM ALTA PROPORÇÃO DE BRIGAS NA ESCOLA
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), feita pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde indica que o bullying afeta 7,2% dos estudantes do último ano do Ensino Fundamental. Curitiba foi a capital pesquisada pelo IBGE com maior proporção de escolares envolvidos em brigas com agressão física (18,1%).
Ao analisar a formação dos professores que atuam em Curitiba, na rede municipal, verifica-se que o percentual de profissionais com Ensino Médio no nível de magistério é de 4,7%.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Paraná (APP), em 2010 o piso salarial do professor da rede pública da Educação Básica em Curitiba chegou a R$ 542,39 por 20 horas semanais. Ou seja, R$ 1.084,78 para 40 horas semanais.

O Ensino Fundamental II da rede municipal alcança taxa de aprovação de 82%, enquanto a taxa média da rede estadual não passa de 78%.


34,7% DAS CRIANÇAS TRABALHAM MAIS DE 30 HORAS
Curitiba apresenta 34,7% de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos trabalhando mais de 30 horas por semana. As maiores taxas de abandono do Ensino Fundamental são registradas nos anos finais da referida etapa da rede estadual. Na capital paranaense, há uma dispersão de idades nos anos do Ensino Fundamental. O 1º e o 8º/9º são os únicos a registrar frequência acima de 65% de crianças e adolescentes de idades condizentes com o esperado.


MÉDIAS NOS BAIRROS, SEGUNDO IDEB

Os piores, no Fundamental I
Jardim Botânico - 2,40
Prado Velho - 3,30
Parolin - 3,90
Guaíra - 4,10
Santa Quitéria - 4,40
 
Os piores, no Fundamental II
Parolin - 2,4
Augusta - 3,0
Butiatuvinha - 3,0
Guaíra - 3,0
Mêrces - 3,0

Os melhores, no Fundamental I
Cabral - 7,10
Água Verde - 7,00
Hugo Lange - 7,00
Santo Antônio - 6,85
Seminário - 6,80
 
Os melhores, no Fundamental II
Cascatinha - 6,1
Bacacheri - 5,3
Tarumâ - 5,3
São Lourenço - 5,2
Ahu - 5,2