Presidente dos EUA e da Coreia anunciam plano de expansão de exercícios militares

Após reunião de mais de duas horas neste sábado, em Seul, os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, anunciaram que darão início a conversas para a expansão "do escopo e da escala" de exercícios militares conjuntos para deter a ameaça nuclear da Coreia do Norte. Este é o segundo dia da visita de Biden ao país. Yoon assumiu o cargo há pouco mais de uma semana.

"Considerando a ameaça em evolução representada pela República Popular Democrática da Coreia (RPDC), ambos os líderes concordam em iniciar discussões para expandir o escopo e a escala de exercícios militares combinados e treinamento em e ao redor da Península Coreana. Também reafirmam o compromisso dos EUA de implantar recursos militares estratégicos de maneira oportuna e coordenada, conforme necessário, bem como aprimorar essas medidas e identificar medidas novas ou adicionais para reforçar a dissuasão diante das atividades desestabilizadoras da RPDC", afirmaram Biden e Yoon em declaração conjunta.

"Nesse sentido, os EUA e a República da Coreia expandirão significativamente a cooperação para enfrentar uma série de ameaças cibernéticas da RPDC, incluindo, entre outros, ataques cibernéticos patrocinados pelo Estado", continuaram.

No comunicado, Biden e Yoon falam também em reativar o Grupo de Consulta e Estratégia Ampliada de Dissuasão de alto nível "o mais breve possível". Segundo os líderes, o objetivo comum é a "desnuclearização completa da Coreia do Norte". "Os dois presidentes compartilham a opinião de que o programa nuclear da RPDC representa uma grave ameaça não apenas à paz e à estabilidade na Península Coreana, mas também no resto da Ásia e do mundo".

O anúncio aponta uma mudança de rumo de ambos os líderes em relação a seus antecessores: o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, considerou descartar os exercícios militares e expressou simpatia pelo líder norte-coreano Kim Jong Un. Já o último presidente sul-coreano, Moon Jae-In, permaneceu comprometido com o diálogo com Kim até o fim de seu mandato, apesar de ter sido repetidamente rejeitado pelo Norte.

No comunicado conjunto, Biden também reiterou sua oferta de vacinas à Coreia do Norte, tendo em vista que o coronavírus se espalha rapidamente pelo país. Questionado se estaria disposto a se encontrar com Kim Jong Un, Biden disse que dependeria de o líder norte-coreano ser "sincero" e "sério". "Nós oferecemos vacinas não só para a Coreia do Norte como para a China. Estamos preparados para fazê-lo imediatamente. Não obtivemos resposta", afirmou.

Biden e Yoon disseram que o caminho para o diálogo com a Coreia do Norte "permanece aberto para uma resolução pacífica e diplomática" e pediram que o país retorne às negociações. Yoon falou em "normalizar" o relacionamento intercoreano por meio de um plano para península coreana desnuclearizada, proposta que recebeu apoio de Biden. Ambos os líderes destacaram a importância da cooperação trilateral Coreia do Sul-EUA-Japão para responder aos desafios da Coreia do Norte e, entre outras finalidades, "reforçar a ordem internacional baseada em regras".

Em sua visita à Coreia do Sul, Biden também tem ido a fábricas de chips e automóveis e fazendo negociações visando uma maior cooperação comercial. Nas conversas deste sábado, os dois líderes enfatizaram a segurança econômica e o avanço das relações comerciais, já que duas grandes indústrias coreanas, Samsung e Hyundai, estão abrindo grandes fábricas nos EUA.

Os EUA também coordenaram com a Coreia do Sul e o Japão de que forma responderão caso a Coreia do Norte faça um teste nuclear ou lançamento de mísseis enquanto Biden estiver na região, disse o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, a repórteres que estavam a bordo do avião presidencial Força Aérea Um. Sullivan conversou com seu colega chinês Yang Jiechi no início da semana e instou Pequim a usar sua influência para persuadir o Norte a interromper os testes.

Os EUA têm trabalhado para formar uma coalizão de países na Ásia que possa contrabalançar a crescente força da China, abandonando a Parceria Transpacífico após reações políticas internas. Biden evitou uma pergunta sobre ressuscitar o acordo, mas falou sobre o potencial de laços mais estreitos na região além de aliados tradicionais como Coreia do Sul e Japão.

"As coisas mudaram. Há um sentimento entre as democracias do Pacífico de que há necessidade de cooperar muito mais estreitamente. Não apenas militarmente, mas em termos econômicos e políticos", disse Biden.

O presidente norte-americano não comentou, explicitamente, sobre combater a influência chinesa, mas a China divulgou mensagem no sábado sobre a visita a Seul. "Esperamos que os EUA combinem suas palavras com ações e trabalhem com países da região para promover solidariedade e cooperação na Ásia-Pacífico, em vez de planejar divisão e confronto", afirmou o enviado chinês para assuntos coreanos, Liu Xiaoming, pelo Twitter.

O governo Biden vem pedindo à China que impeça a Coreia do Norte de se envolver com qualquer míssil ou teste nuclear. Apenas neste ano, o país fez 16 testes com mísseis. Segundo Sullivan, Biden e o presidente chinês Xi Jinping podem fazer um telefonema nas próximas semanas.

Autoridades da Casa Branca informaram que Biden não visitará a Zona Desmilitarizada que divide a Península Coreana durante a viagem - parada tradicional para presidentes durante visitas a Seul. Sullivan disse que a decisão do presidente de pular a parada desta vez não tem relação com preocupações de segurança.

No domingo, Biden visitará a área de operações de combate do Centro de Operações Aéreas na Base Aérea de Osan, ao sul de Seul. Os EUA a consideram uma das instalações mais cruciais do nordeste da Ásia.