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Crise

Presidente vê 'golpe' em pedido de impeachment no Coritiba

Samir Namur
Samir Namur (Foto: Geraldo Bubniak)

CURITIBA, PR (UOL/FOLHAPRESS) - "Sobram muito poucas palavras para nomear esse movimento. Entendo que, sim, golpe poderia ser sim uma das palavras a serem utilizadas". A frase de Samir Namur, presidente do Coritiba, desnuda a visão do dirigente sobre o processo que enfrenta no clube, à partir da mobilização de um grupo de conselheiros que pedem sua destituição.

Namur não tem contra si nenhuma acusação de improbidade, mas o processo vê amparo no Estatuto do Clube, que coloca as Assembleias Gerais como superiores aos conselhos gestor e administrativo.

"Não tenho dúvidas que se o resultado de campo fosse outro, essas questões sequer aconteceriam. Mas é preciso dizer que o resultado de campo não habilita quem quer que seja a destituir um presidente", argumentou Namur, em entrevista ao UOL Esporte. Na Série B do Brasileiro, o Coritiba não conseguiu acesso à elite e encerrará a temporada nesta sexta (23), contra o Fortaleza.

Na próxima segunda (26), o Conselho Deliberativo dará forma à Assembleia Geral de Sócios, que foi aprovada após o pedido de mais de 80 conselheiros. O clube irá definir como se dará a votação para saber se Namur fica ou deixa a presidência do Coritiba. Até lá, o presidente segue tentando montar a equipe para 2019 e fazendo modificações no clube.

"De uma forma realista, teremos R$ 40 milhões a menos de orçamento", comentou Namur. A conversa com a reportagem durou cerca de quarenta minutos. Nela, Namur viu o movimento como algo pessoal contra ele, mas evitou ligar o fato de ser politicamente de esquerda, argumento usado nas eleições do clube há um ano, em uma cidade que demonstrou maioria de direita nas recentes eleições presidenciais. "Espero que não."

Namur falou sobre os erros no futebol em 2018. "Tivemos problemas na montagem do elenco", assumiu e garantiu que "sabemos que o Coritiba tem uma necessidade por títulos em 2019 e vamos desde o começo sem testes, com um time forte para o Paranaense". Justificou a passagem-relâmpago de Paulo Pelaipe pelo clube, que, segundo Namur, ajudou na transição para o novo gerente, Rodrigo Pastana.

O presidente ainda projetou a próxima temporada com Pastana: "Vem para ser o nosso executivo de futebol. As decisões todas, principais, do departamento de futebol, são competência dele. Se vai ser braço direito do presidente ou não, isso é muito de futuro." E também falou sobre as situações do goleiro Wilson, do atacante Guilherme Parede e do meia Matheus Galdezani, emprestado ao Atlético-MG.

O presidente disse duvidar que o Coritiba tenha sofrido qualquer tipo de boicote no mercado do futebol, pelo noviciado da diretoria, mas reconheceu que os empresários estão com portas abertas para ajudar na montagem da equipe 2019, caso da LA Sports, mas com ressalva: "Não é verdade que exista uma aproximação em termos de montagem de elenco. O que existe é um bom relacionamento, não só com eles, mas com outros agentes. São livres para nos oferecerem jogadores".

Por fim, Namur fez um apelo aos sócios, que poderão em breve votar sua permanência ou saída do cargo de presidente. "O que vai acabar acontecendo em dezembro é uma espécie de restauração da campanha eleitoral. Vou ter que gastar tempo de administração do clube em uma campanha contra a destituição. Esse é um pedido antidemocrático, que desrespeita o resultado das eleições de um ano e abre um precedente terrível para o Coritiba. Já está em curso uma série de mudanças e ninguém mais indicado e autorizado que eu mesmo para continuar com esse processo todo. Imagine mudar o presidente em janeiro ou fevereiro, que consequências isso pode causar?", questionou.

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