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Bahia

Produtores de cachaça buscam diversificação e qualidade

Açúcar mascavo, melado, vinagre e álcool combustível. Estas são algumas alternativas que os produtores da Bahia estão buscando para diversificar a atividade e com isso obter mais lucro.

Marcos Vaccaro, que produz na Fazenda Vaccaro a cachaça Serra das Almas, no município de Rio de Contas, é um desses produtores.

Ele saiu de Santa Catarina há nove anos para implantar um hotel fazenda na região da Chapada, onde oferece o turismo ecológico e alimentação orgânica. A partir daí passou a produzir cachaça e café orgânicos.

A cachaça Serra das Almas, produzida na Fazenda Vaccaro, foi a primeira orgânica da Bahia e do Brasil. Com o apoio do Sebrae/BA e do Governo do Estado da Bahia, Marcos Vaccaro garantiu o Selo Orgânico cedido pelo Instituto Biodinâmico (IBD). Ele não usa agrotóxico ou adubo químico na plantação de cana da fazenda, onde preserva o meio ambiente, garante a mata ciliar e possui uma reserva legal.

Em 2003 a cachaça Serra das Almas começou a ser exportada para a Itália, em 2004 para Alemanha e França, em 2005 para Suíça e em 2008 um importador da Inglaterra lançou a marca Abelha, que vende a cachaça Serra das Almas para a Dinamarca e a Inglaterra. Em média, Marcos Vaccaro exporta 20 mil garrafas por ano.

Vaccaro tem em seu currículo mais de 20 cursos do Sebrae/BA que vão desde gerenciamento, qualidade total, associativismo até atendimento ao cliente e vendas.

Na fazenda, ele trabalha com mais 12 famílias vizinhas, para quem repassou a técnica de agricultura orgânica. Em 2003 a Fazenda Vaccaro ganhou o Prêmio Desempenho Ambiental, cedido pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), e em 2004 ganhou do Sebrae em parceria com o Grupo Gerdau, Programa Qualidade Bahia e da Fieb o Prêmio Realce Empresarial na categoria Destaque Cidadania Empresarial.

Apesar dos prêmios e das boas vendas no mercado europeu Marcos Vaccaro sabe que ele e as 12 famílias que trabalham na Fazenda Vaccaro não conseguem sobreviver exclusivamente com a produção de cachaça orgânica.

Por isso, com o apoio do Sebrae/BA, do Arranjo Produtivo Local de Derivados da Cana-de-Açúcar e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, está aprendendo a diversificar a produção da cana-de-açúcar com a produção de açúcar mascavo, melado, vinagre e álcool combustível.

“Também com o apoio do Sebrae/BA e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os produtores de cachaça da região estão recebendo capacitações para desenvolver planos de negócios e para a abertura de novos mercados. A proposta do Sebrae/BA também é capacitar os produtores para o gerenciamento de vendas e criação de pontos de comercialização especializados em cachaça de qualidade”, explica o empresário.

Na região de Abaíra os produtores de cachaça também estão sendo capacitados para a diversificação de produção.

Nelson Luz Pereira, vice-presidente da Cooperativa dos Produtores e Associados e Derivados de Cana-de-Açúcar de Abaíra, que reúne mais de 140 famílias, explica que uma parceria do Sebrae/BA com a Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado está investindo cerca de R$ 1 milhão para readequar nove agroindústrias comunitárias da região para a produção de açúcar mascavo, melado, álcool combustível e vinagre.

Bahia terá laboratório para testar qualidade da cachaça

Durante o II Congresso Brasileiro da Cachaça, realizado semana passada em Salvador, Jackson Ornelas Mendonça, coordenador do Programa de Fortalecimento da Atividade Empresarial (Progredir), da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, informou que graças a uma parceria com o Sebrae, Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e BID estão sendo investidos cerca de R$ 26 milhões, de julho de 2006 até o final de 2010, em projetos do Arranjo Produtivo Local de Derivados da Cana-de-Açúcar.

Ornelas explica que a estratégia é melhorar, do ponto de vista tecnológico, os processos de produção e gestão, principalmente com o investimento em inovação, tendo como vetor os programas de capacitação, treinamento, assistência ao agricultor e de projetos infra-estruturantes que vão garantir o desenvolvimento do Arranjo Produtivo.

“Esperamos ao final do programa a implantação de um grande laboratório onde serão feitos todos os testes necessários para garantir a rastreabilidade da cachaça e a implantação do selo de qualidade”, afirma Jackson Ornelas.

Cachaça baiana com identidade genética

Rogélio Brandão, professor da Universidade Federal de Ouro Preto foi um dos participantes do II Congresso Brasileiro da Cachaça, em Salvador.

Rogélio realiza pesquisas e consultorias no Sebrae/BA para o aperfeiçoamento tecnológico da cachaça e está desenvolvendo no Estado um programa de seleção de levedura para a produção de cachaça de qualidade.

Com este trabalho o professor Rogélio Brandão tem obtido excelentes resultados junto aos produtores do município de Paratinga e nos esforços de conquista do selo de Identificação Geográfica da cachaça Abaíra.

Bioquímico e com pós doutorado em biologia molecular, Rogélio Brandão trabalha há mais de 20 anos com leveduras.

Segundo ele, em Paratinga e Abaíra foi feito o isolamento de uma levedura que oferece resistência aos teores de açúcares. Rogélio explica que um dos problemas na produção da cachaça é o fato de a cachaça ser produzida por fermentação espontânea, onde o produtor deixa o caldo de cana fermentar ao relento para que o fermento naturalmente se multiplique, ou seja, ele não seleciona a célula. Por exemplo, se tiver chovendo pode ter contaminação.

Neste projeto é feito o isolamento da levedura no alambique, que é encaminhada ao laboratório da Universidade Federal de Ouro Preto, onde são feitos testes bioquimicos, para garantir a qualidade da levedura.

Após a levedura ser isolada, criando-se o chamado coração da cachaça, ela retorna ao alambique onde se faz a destilação. Com isso, cada alambique passa a ter uma cachaça com sua identidade genética.

“A partir daí vamos reintroduzir a levedura e os produtores são orientados a realizarem procedimentos mais limpos, com a limpeza total do local onde é feita a fermentação, e que pode influenciar no sabor, propiciando uma cachaça mais macia e saborosa, garantindo assim bons mercados”, garante o professor Rogélio Brandão.

Serviço:

Sebrae na Bahia - (71) 3320-4300

Por Fátima Emediato

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Sebrae de Notícias - ASN

Fones: (61) 348-7200

(61) 348-7255

E-mail: asn@sebrae.com.br 
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