Quando a conta não fecha: de quantas vacinas o Brasil precisa?

Consulta ao site do IBGE nos instiga a pensar, entre outros, sobre diversos aspectos da população brasileira, em especial seu crescimento - estimado quase em tempo real - e o envelhecimento, em uma curva ascendente impressionante, sinalizando a longevidade como tendência. Os dados quantitativos são disponibilizados com base em informações oficiais fornecidas pelos Registros de Pessoas Naturais, que documentam nascimentos e óbitos, entre outros.

Observar por um tempo o site nos demonstra que matematicamente é sabida a quantidade esperada de vacinas no combate ao Coronavírus, afinal bastaria observar o número de pessoas e multiplicar por dois, dado o fato de serem necessárias duas doses, confere? É uma questão de eficiência, princípio que rege a Administração Pública e que implica em planejamento e logística. É que entre o número exato e efetivamente fazer com que todos sejam vacinados há muitas etapas.

Por óbvio que o cenário atual é diverso de qualquer expectativa que tivéssemos para o futuro, de fato é um desafio para todos, inclusive gestores públicos. Mas se espera que em algum momento, em breve, todos possam ser imunizados, sendo que há bastante expectativa e pressão neste sentido, proveniente de diversos movimentos, órgãos e entidades. Terá de acontecer!

Porém, ainda que o desafio mais destacado do momento seja o de obter as vacinas para essa primeira campanha (estão em andamento estudos sobre necessidade de vacinação periódica), fica então uma sugestão que merece reforço a todo instante: usar máscaras, higienizar mãos com mais frequência, utilizar o álcool gel, tomar cuidado no manuseio de produtos e realizar distanciamento social.

Tais medidas são as que no momento podem ajudar o Brasil e o mundo - Pandemia não tem fronteiras -, diminuindo o número de contaminações e auxiliando o sistema de saúde em caráter preventivo. Lembremos que há casos de pessoas que mesmo tomando todos os cuidados foram expostos ao vírus, porém isso não significa que os cuidados devam parar, pelo contrário: embora muitos estejam cansados, faz-se necessário intensificar aqueles, observando todos os protocolos de segurança.

Certa vez, em uma aula, uma ouvi de uma aluna que "o mínimo deveria ser possível", justamente por ser o mínimo. Proteger vidas certamente integra essa noção, sendo uma tarefa prioritária de corresponsabilidade de todas as pessoas, sociedade e Estado. É uma questão de humanidade, de bem comum. Retomando a ideia central desse texto: a questão é muito além de números, é questão de vidas. Todos os esforços neste sentido devem ser valorizados. Somemos os nossos.

Aline da Silva Freitas é professora de Direito Público da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas e doutoranda em Direitos Humanos pela Universidade de São Paulo.