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Quanto custa a ignorância

O grande problema ao discutir educação de qualidade é trazer ao cerne da questão o conjunto de variáveis que nela interfere, pois estarão envolvidas questões macroestruturais, que vão além da simples concentração de renda, é preciso ter em mente aspectos como desigualdade social, a forma de gestão educacional sancionada no país, como condições de trabalho, a dinâmica curricular, e profissionalização dos professores. 

Falar de qualidade da educação necessita um entendimento das relações sociais mais amplas, se estas devem mudar ou manter determinados padrões culturais, o possível respeito à diversidade, a visão do Outro, cuidado ao meio ambiente, atenção à necessidade de qualificação profissional futura.
Até porque é inegável que o sistema produtivo está entre as maiores vítimas da má qualidade da educação; embora invista muito pouco no sistema educacional, básica e superior, sofre todas as consequências da má formação de seus trabalhadores.

E é mesmo do maior interesse de todos o bom preparo para o exercício profissional; a tecnologia da informação mudou, e muda constantemente, o tipo de demanda pelo trabalho: não temos mais a possibilidade de empregos para toda a vida, é indispensável ter a capacidade de aprendizado e reinvento permanente e ter em mente o empreendedorismo como solução. Nesse sentido o bom conhecimento básico, as competências para o aprendizado, a curiosidade criativa com o mundo, são condições indispensáveis para o sucesso profissional.
Embora a maioria dos empresários ressinta-se do que denominam baixa qualificação de trabalhadores, mesmo na modalidade doação ou convênios parece imperar um certo descompromisso deles mesmos com escolas, apesar do avanço econômico e político de todo país depender da qualidade da sua educação; e a própria sobrevivência de suas empresas num ambiente cada vez mais especializado e exigente.

Bem verdade: a economia não deve impor conteúdos ao sistema educacional, pois o ensino não tem como finalidade servir à economia, porém o processo educativo tem que ser indicador dos caminhos econômicos, dos avanços e da inovação. E o ensino tem, sim, também a finalidade de prover às pessoas as melhores condições para seu bem estar material e pessoal, dentro das indispensáveis exigências da ética e do respeito aos demais.
A Organização das Nações Unidas (ONU) em seus documentos declara que qualidade é a categoria central do paradigma de educação sustentável, e que esta não pode ser dissociada da quantidade, pois educação de qualidade para poucos não será diferencial competitivo.

Também se pronuncia a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco): “a qualidade se transformou em um conceito dinâmico que deve se adaptar permanentemente a um mundo que experimenta profundas transformações sociais e econômicas. É cada vez mais importante estimular a capacidade de previsão e de antecipação. Os antigos critérios de qualidade já não são suficientes. Apesar das diferenças de contexto, existem muitos elementos comuns na busca de uma educação de qualidade que deveria capacitar a todos, mulheres e homens, para participarem plenamente da vida comunitária e para serem também cidadãos do mundo”.
A própria História demonstra constantemente a impropriedade da ideia simplória de que é perfeitamente possível obter sucesso dependendo apenas da “esperteza”, da malícia e do oportunismo. As verdadeiras conquistas são aquelas que decorrem de algo muito mais sólido, como o conhecimento, a solidariedade e o trabalho. Investir em qualidade de ensino, preparando melhor os futuros professores para novas metodologias, e equipando melhor escolas públicas com bons laboratórios com certeza trará um bom diferencial competitivo ao país como um todo.

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

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