Ele faz 58 anos

Renato Russo: cinco álbuns para entender o artista

Renato Russo.
Renato Russo. (Foto: Divulgação)

Renato Russo Manfredini Junior, ou apenas Renato Russo, completaria 58 anos nesta terça (27). Líder da Legião Urbana, a banda brasileira de rock mais amada e idolatrada dos últimos 40 anos, é inegável a importância cultural e histórica da obra do grande poeta. Por isso, para homenageá-lo, escolhemos os álbuns mais relevantes de sua trajetória artística, para você relembrar, conhecer ou ouvir (sim, ouvir) Renato com outros olhos. Tire a poeira do seu vinil, o CD da estante ou faça aquela busca esperta no seu streaming e permita-se viajar!

 

Legião Urbana (1985)

Registro seminal de estreia da banda, capitaneada por Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, o álbum homônimo, apesar das comparações com o som do The Smiths, marcou época e catapultou a Legião para o estrelato. Da urgência de Será e Geração Coca-Cola, passando pela contundente mensagem implícita de Soldados (um dos primeiros relatos sobre relações homoafetivas no rock brasileiro), passando pela bela poesia construída em Por Enquanto, e outros sons que se tornaram recorrentes na memória do público, como Ainda é Cedo e Teorema, a Legião entrou no cenário musical brasileiro com um belo pé na porta.

 

Dois (1986)

Um dos primeiros álbuns do rock brasileiro a ultrapassar a marca de 1 milhão de cópias vendidas, Dois veio comprovar que o sucesso da Legião estava longe de ser efêmero. Pode-se dizer que a identidade da banda, como ela viria a ser conhecida pelas gerações seguintes, começou a ser construída, verdadeiramente, neste trabalho. Sem a mistura de punk e pós punk que marcou o primeiro disco, a sonoridade da banda demonstrava um apuro estético, sempre de olho na tendência que dominaria a música brasileira na virada dos anos 80 para os 90. Tempo Perdido, Quase Sem Querer, Índios e, principalmente, Eduardo e Mônica, entraram para a memória do cancioneiro nacional, e foram responsáveis por selar muitas amizades e relacionamentos, em torno de uma rodinha de violão. Mas há outros registros que tornam esse trabalho um clássico instantâneo, como a forte metáfora sobre relacionamentos contida em Daniel na Cova dos Leões e as denúncias cortantes de Fábrica e Metrópole. Item obrigatório na discoteca de qualquer colecionador.

 

As Quatro Estações (1989)

O fim da ditadura militar, a redemocratização do país e a saída de Renato Rocha. O quarto álbum da banda se tornou essencial para compreendermos a "religião" estabelecida pelos fãs do grupo. Sexualidade, críticas ao período de repressão militar, relacionamentos familiares, religião, depressão: temas abordados com muita propriedade e seriedade, através da poesia e do lirismo das composições de Renato Russo. Há Tempos, Pais e Filhos, Meninos e Meninas, Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto e 1965 (Duas Tribos) são os pontos altos. Outro momento memorável é a letra-homenagem a Cazuza, Feedback Song For A Dying Friend. Uma ousadia: citações musicadas de Camões, que viria a se tornar o clássico Monte Castelo, uma das canções mais amadas pelos fãs. Se tornou o álbum de maior sucesso da história da banda, com mais de 2 milhões de cópias vendidas.

 

V (1991)

Servindo como uma espécie de continuação melancólica de As Quatro Estações, V foi lançado em meio à efervescência do governo Collor, da crise econômica e social que assolava o país e da descoberta de Renato sobre o vírus HIV. Trabalho pesado, amargo, difícil, sufocante até, mas que realça o grande letrista e compositor. Metal Contra As Nuvens, com seus mais de 10 minutos de duração, evoca figuras medievais para retratar o período conturbado pelo qual passava o Brasil. Tinha como companheira Teatro dos Vampiros, outra composição sobre a situação sócio-econômica do país. Um destaque é A Montanha Mágica, que abordava o vício em drogas de Renato. Ponto fora da curva: a ensolarada O Mundo Anda Tão Complicado, um oásis no meio da desesperança.

 

The Stonewall Celebration Concert (1994)

Primeiro trabalho-solo de Renato, criado para homenagear os vinte e cinco anos da Rebelião de Stonewall, em Nova York (para quem não sabe, manifestações de violência realizadas contra a comunidade LGBT pela polícia nova iorquina). Álbum de covers, nos quais se destacam as releituras de Nick Drake, Madonna, Bob Dylan, Billy Joel e Quincy Jones, além de Cathedral Song, de Tanita Tikaram, que ficou famosa em sua versão brasileira, Catedral, gravada por Zélia Duncan. Aqui, Renato comprovou de vez a sua versatilidade como artista, e o álbum foi essencial para que o cantor conquistasse mais uma leva de fãs.