PNAD Contínua

Renda da população paranaense cai de forma inédita na pandemia

Renda do paranaense nunca esteve tão baixa desde 2012
Renda do paranaense nunca esteve tão baixa desde 2012 (Foto: Marcello Casal Jr / AgenciaBrasil)

A pandemia do novo coronavírus impactou de maneira severa a economia paranaense, provocando uma queda importante na renda e na capacidade de compra da população. E afirmar isso nem chega a ser novidade, mas na última semana um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conseguiu mensurar o impacto econômico da crise sanitária. E os resultados, como seria de se esperar, não são nada animadores.

Os dados da “PNAD Contínua 2020: Rendimento de todas as fontes” revelam que, no ano passado, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita no Paraná foi de R$ 1.479, um pouco acima da média nacional, de R$ 1.349. Ainda assim, o resultado de 2020 representa uma redução de 4,83% na comparação com o ano anterior, quando o valor verificado foi de R$ 1.554. Trata-se, ainda, da primeira redução no rendimento per capita dos paranaenses desde o início da série histórica, em 2012.

Um dos fatores que explicam isso é a redução na proporção de pessoas que possuíam alguma fonte de renda. No ano passado, 62,4% da população residente no Paraná (7,183 milhões de pessoas) possuía alguma fonte de renda (como trabalho, aposentadoria, pensão alimentícia ou benefícios governamentais), também o menor valor para toda a série histórica (no ano passado, esse valor era de 64,1% ou 7,323 milhões de pessoas).

Além disso, também essas pessoas que possuem rendimento tiveram de, via de regra, lidar com uma queda no rendimento médio, uma vez que o valor recebido mensalmente de todas as fontes passou de R$ 2.488 em 2019 para R$ 2.368 em 2020 (redução de 4,82%, portanto).

“De 2019 para 2020 o que se verificou foi uma redução da proporção de pessoas recebendo renda de trabalho, como efeito da pandemia da Covid-19, e o aumento do recebimento de outras fontes de rendimento, sobretudo de outros rendimentos, que é a rubrica da pesquisa onde está inserido o recebimento do Auxílio Emergencial, que é um benefício que foi criado para fazer frente aos efeitos socioeconômicos da pandemia”, aponta Alessandra Scalioni Brito, analista da pesquisa do IBGE.

Efetivamente, a proporção de domicílios em que há pessoas recebendo outros programas sociais cresceu de 0,6% para 15,7% no Paraná, aumento explicado justamente pelo pagamento do Auxílio Emergencial a trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados. Também entre 2019 e 2029, a proporção de lares que recebiam o Bolsa Família caiu de 6,3% para 3,7% (redução que se deve à parte dos beneficiários do programa que passou a receber o Auxílio Emergencial), enquanto o porcentual de domicílios que recebiam o Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS), destinado às pessoas com deficiência e aos idosos que não têm meios para se sustentar, passou de 2,6% para 2,2%.

Desigualdade domiciliar em queda

O índice de Gini, que mede concentração de renda e desigualdade econômica, passou de 0,477 no Paraná, em 2019, para 0,462, em 2020. Quanto mais próximo de zero, maior a igualdade de renda entre a população do estado. Houve uma tendência de redução do índice entre 2012 (0,483) e 2015 (0,453), mas em 2016 voltou a crescer (0,477) e atingiu o maior valor da série em 2018 (0,492).

Entre todas as unidades da federação, apenas Santa Catarina (0,412), Rondônia, (0,439), Goiás (0,445) e Minas Gerais (0,460) apresentam maior igualdade de renda entre sua população.

Segundo Alessandra Scalioni Brito, analista da pesquisa do IBGE, a melhora no índice é reflexo, principalmente, do pagamento do Auxílio Emergencial, tanto que a metade da população com menores rendimentos teve ganhos na renda domiciliar per capita no período, enquanto a segunda metade da distribuição teve perdas. “Houve uma piora do mercado de trabalho. Muita gente perdeu ocupação, mas o Auxílio Emergencial segurou quem tinha rendas domiciliares menores. Isso tornou a distribuição de renda do país menos desigual”, explica a analista.

TABELA DOS RENDIMENTOS

Rendimento médio mensal real domiciliar per capita no Paraná
2020: R$ 1.479
2019: R$ 1.554
2018: R$ 1.515
2017: R$ 1.403
2016: R$ 1.333
2015: R$ 1.214
2014: R$ 1.186
2013: R$ 1.091
2012: R$ 999

Rendimento médio mensal real da população residente com rendimento
2020: R$ 2.368
2019: R$ 2.488
2018: R$ 2.525
2017: R$ 2.432
2016: R$ 2.399
2015: R$ 2.359
2014: R$ 2.551
2013: R$ 2.488
2012: R$ 2.404

População residente com rendimento no Paraná
2020: 62,4%
2019: 64,1%
2018: 63,5%
2017: 63,3%
2016: 62,8%
2015: 63,0%
2014: 62,7%
2013: 63,1%
2012: 63,4%

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Rendimento de todas as fontes