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Gente de bem

Restaurante de Curitiba ‘luta’ para dar comida aos necessitados

Sergio e Elizangela junto dos seus ‘filhos’: solidariedade
Sergio e Elizangela junto dos seus ‘filhos’: solidariedade (Foto: Franklin de Freitas)

‘A verdadeira caridade é aquela que se pratica em segredo’, diz uma passagem num Talmude babilônico. E em Curitiba, por seis anos os empresários Sergio Tedeschi e Elizangela de Fátima Ferreira, sócios-proprietários do AnitA Restaurante e Petiscaria, no bairro Barreirinha (Av. Anita Garibaldi, 4596), fizeram uma boa ação em silêncio. Todos os dias, pouco após as 14 horas, eles fazem uma distribuição gratuita de alimentos para moradores de rua e pessoas de baixa renda. A comida ofertada no buffet aos clientes é a mesma que enche o pote dos mais necessitados.

Só que há quem não goste da ação social promovida por Sergio e Elizangela. E diante das ameaças de denúncia à Vigilância Sanitária, os dois resolveram divulgar a ação que promovem, para não deixar que tudo acabe.

Na última segunda-feira (19), fizeram uma ‘postagem-desabafo’ na página da empresa no Facebook. Viralizou. No texto, escrito por Sergio, o estabelecimento rebate as críticas de que estaria criando uma ‘cracolândia’ na região e garante: “Vamos continuar firmes e fortes ajudando os mais necessitados!”

Segundo os empresários, tudo começou na última semana, quando um comerciante vizinho passou a reclamar que a região estava virando uma ‘cracolândia’ e por isso denunciaria o restaurante.

“Muita gente critica porque os caras estão sempre bebendo. Mas não estou aqui para julgar ninguém”, afirma Sergio, relatando que, por dia, de 20 a 30 pessoas recebem comida gratuitamente, em média. “Agora a culpa do pessoal de rua é minha... Não é assim. A maioria que a gente dá comida são senhoras de idade, que vêm de longe, catador de papel que para o carrinho aí na frente e pega a comida. Nós sempre tentamos ajudar no bairro”, emenda o empresário.

Repercussão do bem aumenta movimento

Se na região da Barreirinha há pessoas que reclamam, nas redes sociais o coro em apoio ao restaurante AnitA é quase uníssono. E diante da enorme repercussão que o caso acabou tendo, o estabelcimento já começa a colher frutos positivos, conquistando novos clientes e recebendo muitas mensagens de carinho.

“Muita gente veio hoje e falou que nunca foi cliente nosso, mas que a partir de hoje seria. Também teve umas quatro pessoas que ligaram só para parabenizar, dizendo que não pediriam nada dessa vez, mas que queriam dar os parabéns pelo nosso trabalho. Hoje (terça) até tivemos de contrar mais um motoboy para dar conta dos pedidos”, relata Elizangela.

‘Ex-filho’ agora é um dos funcionários do restaurante

Por conta da repercussão negativa da ação social com o comerciante vizinho, o AnitA começou a impor algumas regras para a distribuição de alimento. Desde a última sexta-feira os ‘filhos’ (como Sergio e Elizangela costumam chamar os assistidos) que estiverem alcoolizadas não recebem a comida. Até aqui, a regra tem sido respeitada.

Mas o que chama a atenção mesmo é a porta que os dois empresários acabam abrindo àqueles que querem se recuperar. Foi o caso de Élcio Krita Gomulski, que tem 34 anos e há cerca de dois anos aproveitava a distribuição de alimentos no restaurante para poder comer enquanto vivia na rua.

“Um dia passei e não vi mais ele. Perguntei o que havia acontecido e contaram que havia se internado.Um tempo depois ele voltou ao restaurante. Perguntamos como ele estava e disse que estava bem, procurando emprego. Aí falei: ‘Então agora não está mais. Se quiser, temos lugar para você trabalhar aqui”, conta Elizangela.

Foi assim que Élcio, de um ‘filho’, virou também funcionário do restaurante. “Já são 6 meses trabalhando aqui. Vinha pegar comida direto, daí ano passado fui internado e, quando saí, eles viram que eu estava bem e me contrataram. Está dando certo. Só tenho a agradecer”, afirma Élcio.

A repercussão alcançada nos últimos dias já traz bons resultados. Na segunda (19) e na terça-feira (20), por exemplo, a demanda foi tão grande que o restaurante teve de contratar mais um motoboy. “Muita gente veio hoje e falou que nunca foi cliente nosso, mas que a partir de hoje seria”, relata Elizangela.

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