Transporte público

Restrições à circulação ônibus em SC preocupa setor de transporte e gera dúvidas nos passageiros

(Foto: Franklin de Freitas)

Numa das medidas mais drásticas tomadas até aqui por uma das unidades da federação, o estado de Santa Catarina decretou ontem situação de emergência em todo o território catarinense, suspendendo, dentre outras medidas, a circulação de veículos de transporte coletivo urbano municipal, intermunicipal e interestadual de passageiros.

A suspensão vale para a partir das 18 horas desta quarta-feira (18 de março), mas já durante o dia o impacto pôde ser sentido na Rodoviária de Curitiba, com apenas duas empresas fazendo o transporte entre os estados: Eucatur e Planalto. Em Santa Catarina, o relato é de que muitas rodoviárias já estavam interditadas, o que obrigava os ônibus a parar em outros locais para realizar o desembarque de passageiros.

De acordo com a Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ao menos por enquanto o transporte interestadual de passageiros continua em operação. O que houve foi uma flexibilização e redução de frequência de horários, além da determinação às empresas que façam o protocolo estabelecido de higienização de veículos. 

Entre as empresas de transporte, no entanto, a medida tem gerado insegurança e muitas dúvidas, sendo que diversas delas suspenderam a comercialização de passagens e de viagens para Santa Catarina. A principal reclamação do setor se dá por conta da falta de maiores esclarecimentos, conforme explica Luiz Cláudio Varejão, secretário-geral da Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiro (ANATRIP).

“O problema é que, quando proíbe a circulação, nada pode andar. E o direito de ir e vir? Quando proíbe a circulação, como que uma pessoa que mora em Porto Alegre (RS) e vai para São Paulo vai fazer? Não vai poder circular dentro de Santa Catarina? E os ônibus que já estão indo para lá, não vão poder parar, descer?”, questiona Varejão. “Temos que tomar cuidado para que uma decisão dessas, não muito bem explicada, dialogada, não possa trazer transtornos para outros estados e para as pessoas. Não pode proibir a circulação de veículos em rodovias federais, isso não é competência do Estado. Se parar tudo, podemos acelerar a crise econômica”, complementa.

Outro questionamento feito por Varejão é com relação ás pessoas que moram em cidades menores e fazem tratamento médico em municípios de maior porte. “As pessoas que precisam sair para ir num hospital, como elas vão? Ainda está nebuloso (os reflexos do decreto). Estamos em contato com a ANTT. As empresas que operam em Santa Catarina estão preocupadas. Elas param tudo?”

Outra preocupação da ANATRIP é com a proliferação de medidas como essa. Hoje, por exemplo, o governador do Paraná, Ratinho Junior, proibiu a entrada de ônibus interestaduais vindos de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Bahia, estados com casos confirmados de coronavírus comunitário ou com mais casos.

“Os órgãos governamentais têm que ter discernimento. Daqui sete dias vai melhorar? Não vai. Estamos numa expectativa de que até maio, junho, o nível (de infectados pelo coronavírus) vai aumentar. E se vai aumentar, o governo do Estado, daqui sete dias, não vai permitir que volte a circulação (de ônibus)? Vai ficar três, quatro meses sem transporte? Vai virar o caos.”