Tríplice Fronteira

Restrições sanitárias na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai preocupa setor de turismo

Freeshops de Ciudad del Este, no Paraguai, dependem dos turistas brasileiros
Freeshops de Ciudad del Este, no Paraguai, dependem dos turistas brasileiros (Foto: Wikimedia)

As restrições às atividades turísticas na região na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai têm causado revolta entre os trabalhadores do setor do turismo na cidade de Puerto Iguazú, do lado argentino da fronteira. Na última quarta-feira (9), manifestantes bloquearam parcialmente o trânsito na rodovia de liga Puerto Iguazú ao resto da Argentina.

Os protestos pedem o funcionamento normal do Parque Nacional Iguazú, que fica às margens do rio Iguaçu e das cataratas do Iguaçu, que constituem a fronteira entre Brasil e Argentina. Os manifestantes também defendem a reabertura da ponte Tancredo Neves, que liga Puerto Iguazú a Foz do Iguaçu, no Paraná. Com a ponte fechada, os brasileiros não têm como chegar à cidade argentina para fazer turismo.

A maior parte dos manifestantes eram taxistas, que tinham o apoio de funcionários de hotéis, donos de estabelecimentos, guias de turismo, artesãos e feirantes.
O movimento exigia uma reunião com o governador da província de Misiones, Oscar Herrera Ahuad, onde fica Puerto Iguazú. Os funcionários do turismo querem que Ahuad negocie com o presidente Alberto Fernández a reabertura da fronteira entre Porto Iguazú e Foz do Iguaçu. Eles pedem também mais voos domésticos para Puerto Iguazú e que o governo de Misiones financie os testes dos turistas que permaneçam três dias ou mais na cidade.

O Parque Nacional Iguazú abriu para turistas argentinos no feriado prolongado que durou do dia 5 ao 8 de dezembro. Porém, apenas alguns serviços e trilhas estavam disponíveis. O total de turistas recebidos durante o feriadão foi de 1.182, todos argentinos – o número representa menos que o parque brasileiro, do outro lado da fronteira, recebeu por dia na média dos quatro dias.

A prefeitura de Puerto Iguazú permitiu a reabertura dos cassinos em outubro após um longo período de fechamento. O funcionamento está permitido no período das 10h até às 2h. Por enquanto, só podem operar as máquinas caça-níqueis, e não mesas de poker e roleta, e a lotação está restrita a 50% da capacidade. Os serviços gastronômicos também estão permitidos, com, no máximo, cinco pessoas por mesa.

Os cassinos de Puerto Iguazú
A cidade de Puerto Iguazú possui um lado de glamour e espetáculo, que está visível nos cassinos da cidade. Entre os empreendimentos do ramo, o mais procurado é o Iguazú Grand Resort & Casino, cujo visual lembra alguns dos melhores cassinos do mundo. Ele oferece, inclusive, transporte gratuito a partir de Foz do Iguaçu. O cassino possui ala para fumantes e salas VIP e realiza shows e sorteios.

A cidade argentina conta ainda com o cassino do Panoramic Grand Hotel, que é mais acessível e também promove sorteios. É possível apostar em reais, dólares ou pesos argentinos. O hotel fica ao lado da tradicional Feirinha de Puerto Iguazú, célebre por vender produtos como queijos e azeitonas. Ainda na cidade argentina, existe também o Casino Cafe Central, onde também é possível apostar em reais, dólares ou pesos.

Toque de recolher em Foz do Iguaçu
Do lado brasileiro na fronteira, o desafio aos negócios fica por conta do toque de recolher imposto a todo o território do Paraná pelo governador Ratinho Júnior (PSD) em medida assinada em 1º de dezembro e que entrou em vigor no dia seguinte. O decreto tem validade de 15 dias e pode ser renovado.

A medida estabelece que, no período das 23h às 5h, as pessoas só podem circular nas ruas por motivos essenciais. A decisão do governo paranaense foi tomada após o estado registrar um aumento de 93% no número de infecções pelo coronavírus em novembro com relação a outubro.

A medida causou consternação no setor de serviços de Ciudad del Este, que fica no Paraguai, do outro lado do rio Paraná. Os comerciantes da cidade sentem os efeitos da redução da atividade turística na tríplice fronteira provocada pelo toque de recolher em Foz do Iguaçu.

Em entrevista à rádio Ñanduti, Iván Airaldi, presidente da Câmara de Comércio do departamento paraguaio de Alto Paraná, que tem Ciudad del Este como capital, disse que o setor busca estabelecer um diálogo com as autoridades paraguaias sobre a reativação da economia na região, mas não obteve respostas. Ele manifestou ainda rejeição a um possível fechamento da Ponte da Amizade, que liga Ciudad del Este a Foz do Iguaçu.