Primeiro dia de bandeira laranja

Ruas lotam enquanto taxa de ocupação em enfermarias volta a subir em Curitiba

(Foto: Franklin de Freitas)

Com a flexibilização das medidas restritivas em Curitiba nesta quarta (9), que passou à bandeira laranja, as ruas lotaram, com a falsa impressão de que o sistema de saúde não está colapsado. Enquanto isso, no entanto, a fila por espera de leitos na Grande Curitiba continua enorme e preocupante. De acordo com boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), das 11 horas desta quarta (9), 346 pacientes esperavam por um leito na Região Metropolitana de Curitiba, sendo 171 à espera de uma vaga em UTI e 175, em enfermaria. Em todo o Paraná, a fila chega a 1.167 pacientes. A taxa de ocupação em leitos de enfermaria voltou a subir em Curitiba nesta quarta.

Não há uma vaga sequer de leitos de enfermaria Covid SUS nas UPAs da Capital, no Hospital Oswaldo Cruz, no Hospital do Trabalhador e no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul. Não há também leitos de UTI Covid pelo SUS no Hospital de Clínicas, nas Upas, no Hospital do Idoso e no Hospital do Trabalhador.

A alegação da Prefeitura de Curitiba para o retorno à bandeira laranja é que sob bandeira vermelha, a taxa de transmissão do novo coronavírus caiu de 1,16 para 0,89. O indicador mostra o possível número de novos contaminados por cada pessoa na fase ativa da doença. Para indicar desaceleração ele deve estar abaixo de 1. A prefeitura também alegou na terça (8) que a taxa de internamento por covid-19 em leitos clínicos também apresentou melhora. "No dia 25 de maio atingiu 101% de ocupação e nesta semana chegou a 87%", afirmou comunicado da prefeitura. Nesta quarta (9), porém a taxa subiu para 96%, com somente 28 leitos vagos. O boletim emitido nesta quarta-feira (9) pela secretaria municipal de Saúde de Curitiba  indica taxa de ocupação de 102% nos 542 leitos de UTI SUS exclusivos para covid-19.

Curitiba registrou também nesta quarta 919 novos casos de Covid-19, maior número desde maioA última vez que o número de casos novos ficou acima dos 900 foi no dia 28 de maio, quando o boletim do dia trouxe 1.036 casos novos. A única boa notícia do novo boletim é a redução dos casos ativos: 9.741. O número de casos ativos, aliás, está em queda desde o dia 1 de junho. 

Crianças e adolescentes preocupam

O número de crianças e adolescentes internados no Hospital Pequeno Príncipe nesta terça-feira, 8, com diagnóstico confirmado de Covid-19 bateu, pelo segundo dia consecutivo, o recorde. Na segunta eram 22, sendo 7 internados na UTI, e na terça, passaram a 23. Os números são os mais altos desde o início da pandemia em março de 2020. Na terça-feira, ao longo da manhã, o número de crianças e adolescentes internados chegou a vinte e três. Mais tarde, a quantidade de pacientes infectados com o coronavírus, no Pequeno Príncipe, recuou para vinte, com quatro deles na UTI.