Cuidados

Internamentos de crianças sobem 41% e Curitiba tem novo protocolo sobre infecções respiratórias

Medidas incluem manter o calendário de vacinação atualizado, ou seja, com todas as doses em dia.
Medidas incluem manter o calendário de vacinação atualizado, ou seja, com todas as doses em dia. (Foto: Franklin de Freitas)

Após reunião do Comitê de Técnica e Ética Médica da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que avaliou com cautela os dados de busca de atendimento por sintomas respiratórios na cidade, inclusive de crianças, a secretaria elaborou um protocolo (lista abaixo) com medidas de prevenção para doenças de infecções respiratórias agudas transmissíveis.

“As ações elencadas são de responsabilidade de cada cidadão e também das instituições comerciais e prestadoras de serviços. A Saúde está fazendo o seu papel, reorganizando o serviço e orientando, mas é preciso que todos adotem hábitos preventivos”, diz a secretária municipal da Saúde, Beatriz Battistella.

Dados SMS apontam aumento de 41% no número de internamentos pediátricos no mês de março deste ano com relação ao mesmo período em 2021. Foram 1.961 internamentos de crianças de 0 a 9 anos pelo SUS em março de 2022, enquanto no mesmo período do ano passado foram 1.391 internações.

Os números de internamentos pediátricos estão dentro da média registrada antes da pandemia: em março de 2019 foram duas mil internações. Mas após dois anos de predominância absoluta do coronavírus, outros vírus respiratórios voltaram a circular e competir pelo espaço.

Neste período do ano é comum o aumento da circulação dos vírus causadores das infecções respiratórias, que acabam afetando principalmente as crianças. Esse aumento também já foi observado nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Em janeiro, dos 93.248 atendimentos realizados, 19% eram de crianças. Em abril, dos 82.541 atendimentos, 34% eram de crianças.

Segundo acompanhamento do Centro de Epidemiologia, o movimento já era esperado, principalmente com a chegada do outono e inverno. “No auge da pandemia nós já alertávamos que quando a covid-19 regredisse outros vírus voltariam a circular, não sabíamos qual. Isso, associado ao perfil climático da cidade, favorece o adoecimento de maior número de pessoas, principalmente as crianças que passaram longo tempo em casa”, explica Beatriz.

De acordo com o Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep), os principais vírus respiratórios circulando são o Sars-CoV-2, Sincicial, Rinovírus e Influenza.

Os serviços de saúde já fora reoganizados para absorver esse aumento de atendimento por sintomas respiratórios. Desde o dia 30 de abril, a Central 3350-9000 foi reforçada e 11 unidades de saúde passaram a funcionar como pronto atendimento para pessoas com sintomas respiratórios.

Quando usar máscara
Em Curitiba o uso de máscara facial segue obrigatório em todos os serviços de saúde e também para pessoas com sintomas respiratórios, independente de positivo para covid-19 ou outros vírus.

“Nós já vimos a eficiência do uso das máscaras na prevenção das doenças respiratórias. Esse aprendizado veio para ficar, temos que nos habituar a usar a essa proteção. Outro hábito que devemos levar para a vida é a higienização constante das mãos”, diz Beatriz.

Outra ação importante é manter a testagem, o vírus da covid-19 não deixou de circular, em caso de sintomas respiratórios a orientação é ficar em isolamento e fazer o exame.

Moradores de Curitiba com sintomas respiratórios leves devem optar pela teleconsulta pelo telefone 3350-9000. O atendimento da central é de domingo a domingo, das 8 às 20h. A pessoa poderá passar por consulta telefônica com a enfermagem e médicas em caso de necessidade. A central também pode emitir termo de isolamento e prescrição de medicamento, caso necessário.

O que diz o protocolo
- O uso de máscara é obrigatório para ingresso e permanência em todos os serviços de saúde de Curitiba.

- Pessoas com sintomas respiratórios devem fazer uso de máscara independentemente do tipo de estabelecimento que ela frequente.

- Manter o calendário de vacinação atualizado, ou seja, com todas as doses em dia.

- Manter a etiqueta respiratória - cobrir boca e nariz com o braço ou lenço de papel ao tossir e espirrar.

- Higienizar as mãos com álcool em gel 70% ou água e sabonete líquido sempre que tocar o nariz, a boca e os olhos, ao tocar em superfícies e objetos possivelmente contaminados.

- Não compartilhar objetos pessoais (talheres, toalhas, pratos, copos e garrafinhas).

- Disponibilizar álcool em gel 70% em diferentes pontos dos estabelecimentos, principalmente na entrada para utilização por clientes e funcionários.

- Manter os ambientes sempre arejados e ventilados preferencialmente de maneira natural. Em caso de utilização de equipamentos de ar-condicionado, deve-se manter os componentes limpos e com a manutenção preventiva atualizada.

- Manter a limpeza dos ambientes internos e externos principalmente nas superfícies amplamente tocadas, com produtos devidamente regularizados juntos à Anvisa, como água sanitária.

- Pessoas que estejam com sintomas respiratórios ou sejam contatos de casos confirmados de Covid-19 e/ou Influenza devem se manter em isolamento.

- Pessoas com diagnóstico confirmado de covid-19 e Influenza devem cumprir o tempo de isolamento.

- Evitar aglomeração de pessoas principalmente em ambientes fechados. Caso seja imprescindível se manter neste tipo de ambiente, recomenda-se a utilização da máscara.

- Os bebedouros do tipo jato inclinado devem ser adaptados para que somente seja possível o consumo de água com uso de copos ou outros utensílios de uso individual.

- Higienizar com frequência os brinquedos das crianças e não compartilhar objetos pessoais (talheres, toalhas, pratos, copos e garrafinhas).

- Crianças que apresentarem sintomas respiratórios não devem ir à escola até a melhora.

- Caso a criança apresente o início dos sintomas na escola, deve ser levada a uma sala reservada para aguardar a chegada dos pais ou responsável para buscá-la.