Pós-pandemia

Segundo indicadores, cenário econômico em Curitiba já apresenta melhora

(Foto: Franklin de Freitas/Arquivo Bem Paraná)

Depois do impacto negativo gerado pela pandemia de covid-19, Curitiba começa a dar sinais de retomada econômica com maior geração de empregos, abertura de negócios e aumento de faturamento das empresas.

“Estamos vendo a retomada acontecer e acreditamos que a economia acelere ainda mais nos próximos meses. A pandemia ainda não acabou, mas o pior, tudo indica, já passou”, diz o prefeito Rafael Greca.

Vários indicadores apontam para uma melhora do cenário econômico na cidade, mesmo com os desafios macroeconômicos do País - como inflação e dólar em alta.

“A Prefeitura vem fazendo uma série de movimentos para dar suporte, dentro do possível, a esse retorno da atividade. Queremos que a cidade se recupere o mais rápido dentro das possibilidades”, diz o Secretário de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi.

Trabalho
O mercado de trabalho, duramente afetado pela retração da economia no ano passado, bateu recorde de empregos em 2021.

O número de vagas com carteira assinada abertas no acumulado de janeiro a agosto de 2021 é o maior dos últimos 18 anos (início da série histórica), segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

Em oito meses, foram 36.179 vagas abertas com carteira assinada em Curitiba. O saldo é medido pela diferença entre admissões e demissões, ou seja, o ritmo de geração de novas vagas está bem superior ao de fechamentos. Realidade bem diferente da registrada no mesmo período do ano passado, quando o saldo estava negativo em 18.262 vagas.

O setor de Serviços foi o responsável pelo maior número de contratações, com 21.099 novos empregos, seguido pela Construção Civil, com 5.451 vagas.

Previsão de mais vagas
A previsão da Secretaria de Finanças é que Curitiba feche o ano, se mantido o ritmo, com cerca de 50 mil novas contratações, 17 vezes mais do que o registrado no ano passado. Em 2020, esse saldo foi de apenas 2.928 vagas.

Na reta final do ano entram no radar das empresas as contratações temporárias para o Natal, que devem ser 37% maiores que em 2020, de acordo com a previsão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo Puppi, além dos empregos gerados pelo setor privado e o trabalho que a Prefeitura faz na capacitação, orientação e colocação de pessoas no mercado de trabalho, o investimento público é um importante indutor e geração de empregos.

A estimativa é que, com uma carteira de investimentos do município de R$ 2,6 bilhões, cerca de 113,7 mil empregos (diretos, indiretos e induzidos) sejam gerados com obras públicas nos próximos cinco anos.

Mais receita
As empresas também registram aumento de receitas. Dos 20 principais setores de arrecadação de ISS do município, 17 registram aumento de faturamento de janeiro a agosto em relação ao mesmo período do ano passado. Juntos, esses segmentos faturaram R$ 35,8 bilhões de janeiro a agosto de 2021, 22% a mais do que mesmo período do ano passado – um acréscimo de R$ 6,4 bilhões, de acordo com levantamento da Secretaria de Finanças.

Entre os setores com maior faturamento nesse período estão: serviços de apoio técnico, administrativo, jurídico, contábil, comercial e congêneres, com alta de 26,48% no faturamento, para R$ 8,47 bilhão; serviços relativos a engenharia, arquitetura, geologia, urbanismo, construção civil, manutenção, limpeza, meio ambiente, saneamento e congêneres (14,39%), para R$ 6,1 bilhões; serviços de saúde, assistência médica e congêneres (20,82%), para R$ 6 bilhões; e os serviços de informática e congêneres (31,89%), para R$ 3,1 bilhões.

Novos negócios
A abertura de negócios também está acelerada na capital. De janeiro a setembro foram expedidos 56.837 alvarás de abertura, 98,48% mais do que no mesmo período do ano passado: 28.635.

Em nove meses, os segmentos líderes na abertura de empresa foram: promoção de vendas (3.828 alvarás); preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo (2.987); comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios (1.981); cabeleireiros, manicure e pedicure (1.393); serviços de entrega rápida (1.336) e transporte de carga municipal (1.306).

Plano de Retomada
A Prefeitura de Curitiba mantém programas e ações para dar sustentação à retomada da atividade econômica tanto para trabalhadores quanto para empreendedores. O conjunto de ações formam o Plano de Retomada, com ações na área econômica, social e de segurança alimentar.

Os Liceus de Ofício, da Fundação de Ação Social (FAS), promovem cursos e preparam para o mercado de trabalho quem está em busca de qualificação. Além disso, os Espaços do Empreendedor da Agência Curitiba dão suporte a microempresários e microempreendedores individuais. Além disso, o Programa 1ºEmpregotech 2021, lançado no ano passado, oferece qualificação na área de tecnologia com aulas e oficinas.

O Fab Lab Cajuru, laboratório de fabricação por prototipagem, por sua vez, gera novas oportunidades para estudantes, empresas e comunidade, que podem compartilhar conhecimentos e colocar em prática ideias inovadoras.

A Prefeitura também vem adotando medidas para reduzir o impacto da pandemia sobre a economia. Entre elas, a criação de um fundo de aval, de R$ 10 milhões, com potencial para alavancar até R$ 100 milhões em investimentos por parte das empresas curitibanas.

Para reduzir a burocracia na abertura de negócios, o número de atividades incluídas na lei de liberdade econômica foi ampliado. A lei prevê a dispensa de alguns alvarás para atividades de baixo risco, facilitando o processo. No ano passado, o número de atividades abrangidas pela lei passou de 242 para 545 na capital.

O município também prorrogou o prazo de pagamento de impostos e promoveu um programa de refinanciamento, o Refic-Covid-19, que permitiu o parcelamento de débitos em até 36 meses.

A Prefeitura também vem dando apoio ao setor de eventos, com a utilização de R$ 2,7 milhões para projetos desse segmento e moratória de dívidas, até o fim do ano.