Sem água e com luz mais cara, eis o custo do desmatamento

Se falassem quatro anos atrás que o Paraná enfrentaria uma grave seca como a que estamos passando, ninguém acreditaria. Mas, infelizmente, desde 2019 a situação de emergência hídrica é um alarde no estado paranaense. O Racionamento em Curitiba já virou rotina. No oeste do estado, produtores rurais relatam o abandono das lavouras e da criação de animais, pois, a seca é tanta, que precisam decidir entre manter sua produção ou reservar água para o consumo da família.

Com as chuvas abaixo da média, os rios e poços utilizados para abastecimento estão secando e as cidades estão sendo forçadas a se adequarem ao sistema de rodízio de água. A SANEPAR, sociedade de economia mista que é responsável pelo abastecimento e tratamento de esgoto de várias cidades paranaenses, age como uma empresa privada que não investe em pesquisa, que não cria novas estruturas de captação de água, armazenamento e de programas ambientais significativos que estimulem ações sustentáveis.

E para piorar, não temos apoio federal. Nós enfrentamos conjuntamente com outros estados a pior seca do Brasil em 91 anos. São quase quatro anos que o governo Bolsonaro não apresenta um plano de investimento em energias renováveis. Ele simplesmente cortou investimentos, como aconteceu com o PAC, que tinha previsão de obras de energia renovável – eólica e solar – e investimentos em cursos para não impactar o meio ambiente e dar mais potência às hidrelétricas já existentes.

Vale lembrar o quanto este desgoverno estimulou queimadas irresponsáveis e criminosas que afetaram o meio ambiente e impactaram nos ciclos das chuvas. Quem não se lembra das inúmeras ações do ministro criminoso Ricardo Salles? Em 2021, o Brasil apresentou recordes de desmatamentos com a política do afrouxamento de regras. Agora vivemos em alarde com medo de um grande apagão no país.

É válido frisar, também, que a discussão da crise hídrica abarca temas sociais e econômicos, pois, com o desequilíbrio ambiental, quem pagará as contas mais caras de água e energia será o povo brasileiro. Da mesma forma, ele arcará com o desemprego nos ombros, já que o país estará menos competitivo no mercado. Que sejamos fortes para enfrentarmos esses retrocessos e mais conscientes em 2022! Que a seca nos olhos e a sede na boca, nos faça recordar que o Brasil já teve seus anos de glória e consciência.

Zeca Dirceu é deputado federal pelo PT do Paraná