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Estiagem

Sem chuva, Sanepar vai endurecer o racionamento de água na Grande Curitiba

O diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile, e o diretor de Meio Ambiente da Companhia, Julio Gonchorosky, anunciam, hoje, novas medidas para garantir o fornecimento de água na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), entre elas um racionamento mais rígido que pode chegar gradativamente a até quatro vezes por semana para cada unidade.

O sistema de rodízio de água implantado em março, com corte de água para 20% da população — 750 mil pessoas por dia — fez pouco efeito prático na crise hídrica histórica em Curitiba e Região Metropolitana. Segundo informações obtidas pela reportagem do Bem Paraná, a economia chegou a apenas 4% e, em paralelo, a situação das barragens só piora, sem chuva. Segundo a Sanepar, nesta segunda (10), o Sistema de Abastecimento de Água Integrado de Curitiba (SAC) estava em 29,03%, menos de um terço da capacidade. As novas medidas que serão anunciadas nesta terça (11) e já entram em vigor na próxima sexta.

De acordo com fontes consultadas pelo ‘Bem Paraná’, a Sanepar trabalha com os dados de que se a seca chegar a novembro, o que é provável, as reservas de água da Grande Curitiba podem chegar próximo de zero. Por isso, o engajamento da população na economia de água não somente durante os rodízios, mas diariamente, é essencial para garantir o abastecimento.

O inverno, que já é um período normalmente seco, tem sido ainda mais árido neste ano. Com exceção de parte do Centro-Oeste e do Sudoeste, a média de chuvas ficou abaixo do normal em todo o Estado entre maio e julho, segundo informações do Simepar.

Seca — Julho foi o mês mais seco: em praticamente todo o Paraná, choveu de 80% a 100% menos do que era esperado para o período. Na estação meteorológica de Curitiba, por exemplo, o acumulado de chuvas foi de 26,4 milímetros em julho, contra 128,4 milímetros em junho, quando as precipitações ficaram próximas à média. Em nenhuma das estações do Simepar o acumulado ultrapassou 60,2 milímetros no mês passado. O menor índice foi registrado na estação de Maringá, que chegou a apenas 8,6 milímetros.

“Acompanhando as chuvas que tivemos no último ano e a previsão para os próximos meses, fica claro que estamos em uma estiagem extremamente severa. Esta situação, combinada às necessidades por causa da Covid-19, levou nossos reservatórios a níveis que nunca estiveram antes, estão muito baixos”, adiantou ontem o diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Julio Gonchorosky.

“Com isso, as ações que estamos fazendo, como rodízio, busca por captação alternativa, transposição de rios e a economia da população, estão se mostrando insuficientes”, afirma. “Cabe a nós termos a responsabilidade de tomar novas medidas, mesmo que sejam mais duras, para garantir o acesso à água pela população futuramente. E é papel também de cada um em fazer um uso racional da água, com zero desperdício”, ressaltou.

Estiagem no Paraná pode perdurar até fevereiro do ano que vem
O horizonte para a recomposição dos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), que operam atualmente com um terço da capacidade, não é muito animador. A estiagem que já dura um ano no Paraná, com mais intensidade na região Leste (RMC e Litoral), não deve dar trégua até a primavera. A previsão do Simepar é que ela se prolongue, pelo menos, até as próximas chuvas de verão, entre dezembro e fevereiro do ano que vem.

“Podemos esperar um resto de inverno seco, com poucos eventos e chuvas menos intensas até o início da primavera. Mesmo que chova mais na próxima estação do que agora, o volume ainda será insuficiente”, explica o diretor-presidente do Simepar, Eduardo Alvim. “Esta situação preocupa porque precisamos de pelo menos três meses de chuva dentro ou acima da média para conseguir recompor os níveis dos mananciais”, diz.

Não é apenas o abastecimento de água que fica comprometido com a falta de chuvas. A estiagem é ruim para o meio ambiente, aumenta o risco de queimadas, reduz a qualidade do ar, causando vários problemas respiratórios em um momento em que o mundo todo se preocupa com a Covid-19, e traz impactos para a economia, afetando a agricultura, a produção industrial e o fornecimento de energia.

“Se a estiagem se prolongar para o verão, as consequências serão muito graves”, afirma Alvim.

Situação das barragens da RMC ontem

Barragem do Iraí: 10,83%
Barragem Piraquara: 1 17,21%
Barragem Passaúna: 32,92%
Barragem Piraquara 2: 83,80%
Total Saic: 29,06%

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