Governo federal

Sem explicação prévia, exoneração do ministro do Turismo causa saia-justa

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em medida que gerou confusão e declarações apressadas, o presidente Jair Bolsonaro, em ato assinado em conjunto com o ministro Sergio Moro (Justiça), exonerou Marcelo Álvaro Antônio (PSL) do cargo de ministro do Turismo. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta (6).

A exoneração temporária, sem explicações prévias do Palácio do Planalto, causou uma saia-justa no novo governo.

Nas primeiras horas da manhã, após a decisão ter sido publicada, assessores e auxiliares presidenciais não sabiam explicar se ele havia sido demitido definitivamente ou apenas para assumir mandato parlamentar. Na última segunda (6), a Folha de S.Paulo revelou que o ministro patrocinou esquema de candidaturas laranjas que direcionou verba pública para empresas ligadas ao seu gabinete parlamentar.

Nas redes sociais, a deputada federal Carla Zambeli (PSL-SP) chegou até a elogiar o presidente Bolsonaro pela decisão da manhã. "É a atitude correta, inclusive para que o ex-ministro cuide de sua defesa sem que os trabalhos no ministério fiquem prejudicados", escreveu.

A iniciativa também foi comentada pelo candidato do PSOL à sucessão presidencial do ano passado, Guilherme Boulous. "Primeiro a cair no laranjal, ministro do Turismo foi exonerado hoje. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro é indicado pelo PSL para a Mesa do Senado", escreveu.

Procurado pela reportagem após a exoneração ter causado repercussão nas redes sociais, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, esclareceu que Álvaro Antônio deixou o cargo apenas para assumir o mandato de deputado federal e que ele voltaria logo à função ministerial.

Com o mal-entendido, o próprio ministro teve que ir às redes sociais negar ter sido afastado em definitivo do cargo. Em entrevista à Folha de S.Paulo, afirmou que a sua exoneração, diante das atuais suspeitas, "foi uma infeliz coincidência" e negou todas as acusações.

Ele afirmou ainda que fez uma "pequena cirurgia" e ficou de licença médica por 12 dias, o que o impediu de assumir o cargo de deputado no dia 1º de fevereiro.

Segundo a Casa Civil da Presidência, é praxe o ministro da Justiça assinar atos dessa natureza. Moro, no entanto, não assinou as exonerações de outros ministros que deixaram os cargos para tomarem posse na Câmara na semana passada.

À tarde, Álvaro Antônio chegou ao Plenário da Câmara em cadeira de rodas, permaneceu apenas o tempo necessário para que fosse cumprido o protocolo da posse e depois deixou a Casa. Ele afirmou que voltará ao cargo de ministro nesta quinta (7).

Nesta quarta, quando lhe foi perguntado se a divulgação de que Álvaro Antônio foi responsável por patrocinar um esquema de candidaturas laranjas não causava desconfiança de Bolsonaro, o porta-voz do governo, general Otávio Rêgo Barros, disse que o ministro do conta com a confiança do presidente.

"Não me comentou [sobre o ministro], mas me parece natural que a própria escolha indique a confiança", afirmou Rêgo Barros.

"O presidente fez escolha técnica de seus ministros e se pautou por sua tecnicalidade", acrescentou, falando que a equipe escolhida por Bolsonaro trabalha em sinergia.

O ministro também foi defendido pelo presidente do PSL, Luciano Bivar (PE).

Em carta divulgada por sua assessoria, Bivar afirma que a imprensa tenta "manchar a reputação do ministro" e diz que a bancada do partido é "entusiasta do projeto que será realizado" por Álvaro Antônio no ministério.

"O caráter e credibilidade de Marcelo, que exerceu com retidão seu mandato de parlamentar, sempre estiveram presentes em sua trajetória."