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Dança das cadeiras

Sem Rogério Ceni, Athletico pode voltar a investir em ‘fórmula estrangeira’ para 2020

(Foto: Thays Figueiredo / CBF)

Na esteira do sucesso do português Jorge Jesus no comando do Flamengo e do bom trabalho do argentino Jorge Sampaoli no Santos, a nova moda no futebol brasileiro é apostar em técnico estrangeiro. No Furacão, porém, a aposta em profissionais de outros países aconteceu algumas vezes na ‘Era Petraglia’. E pode voltar a acontecer agora, depois de Rogério Ceni, principal alvo para assumir o comando técnico do clube, acertar sua renovação com o Fortaleza para 2020.

Na lista de nomes da diretoria atleticana para a próxima temporada, contudo, ainda há nomes brasileiros bem cotados. O principal deles é Roger Machado, que fez bom trabalho no Bahia nesta temporada. O maior empecilho, porém, seria o fato do treinador ainda ter contrato vigente com o clube nordestino, o que significa que para a negociação ser concretizada o Furacão teria de pagar a multa rescisória aos baianos. Além disso, o presidente do Esquadrão de Aço, em entrevista recente ao Esporte Interativo, garantiu a permanência do técnico para o próximo ano. "Queremos manter um trabalho de médio/longo prazo e o Roger segue no clube, sim, para 2020. (…) Ele segue, sim, com certeza", declarou.

Outra opção nacional, então, seria Felipe Conceição, que fez bom trabalho no América-MG, na última Série B. Ele já foi sondado pelo clube, mas também tem contrato vigente: em outubro último renovou seu vínculo com o Coelho até dezembro de 2020.

Chegamos, então, aos nomes de estrangeiros.

Recentemente, Paulo André esteve na Argentina e conversou com dois nomes: Sebastián Beccacece e Ariel Holan. Os valores, contudo, assustaram, além de incomodar o fato de ambos exigirem trabalhar com suas próprias comissões técnicas. As conversas, então, não avançaram, e anteontem Holan foi oficializado pela Universidad Católica, do Chile. Já Beccacece estaria próximo de um acerto com o Racing de Avellaneda.

Outros dois gringos, porém, também estariam na pauta atleticana. Um deles é Miguel Ángel Ramirez, campeão da Copa Sul-Americana deste ano com o Independiente del Valle. Pesa contra, porém, o fato de o treinador estar valorizado e na mira de outros clubes com maior poderio financeiro, como Palmeiras e Santos.

Mais recentemente, foi vez do nome de Domènec Torrent, ex-auxiliar de Guardiola em clubes como Barcelona, Bayern de Munique e Manchester City, ser especulado. Aos 57 anos, ele comandou o New York City, que joga a MLS, principal liga de futebol dos Estados Unidos, até novembro. Está livre no mercado, o que pode ser um facilitador, mas o clube descarta fazer loucuras financeiras por qualquer nome.

Quatro estrangeiros em 14 anos

Em que pese a febre recente de treinadores estrangeiros no Brasil, há tempos o Furacão vê com bons olhos profissionais estrangeiros. Nos últimos 14 anos, por exemplo, foram quatro nomes, todos trazidos com a chancela de Mario Celso Petraglia: o alemão Lothar Matthäus, em 2006; o uruguaio Juan Ramón Carrasco, em 2012; o espanhol Miguel Ángel Portugal, em 2014; e o português Sérgio Vieira, que comandou a equipe interinamente nalgumas partidas de 2015.

Em termos de desempenho, os melhores números foram de Matthaus, que comandou a equipe em apenas oito jogos, com seis vitórias e dois empates no Campeonato Paranaense. Problemas extracampo, contudo, acabaram culminando com a rescisão do contrato entre as partes.

Carrasco, por sua vez, foi o mais longevo e ficou conhecido pelas inovações e transgressões táticas, como ter colocado o zagueiro Manoel de atacante durante uma partida no estadual. Na final da competição, acabou derrotado pelo Coritiba. Na Copa do Brasil, foi eliminado nas quartas de final pelo Palmeiras. E na Série B do Campeonato Brasileiro, foi derrotado após duas derrotas seguidas fora de casa, contra Boa Esporte e CRB.

Miguel Ángel Portugal, por sua vez, nunca caiu nas graças da torcida. Na pré-Libertadores, sofreu para passar pelo Sporting Cristla (PER) – a clasificação veio nos pênaltis. Na fase de grupos da competição continental, porém, perdeu duas vezes para o Vélez (ARG) e, na rodada derradeira e decisiva, foi derrotado fora de casa pelo The Strongest (BOL), o que sacramentou a eliminação precoce do clube. Após mau início no Brasileirão e muita polêmica com a torcida – que chegou a ‘anunciar’ o treinador no site de vendas Mercado Livre por R$ 1,99 -, acabou demitido. Na saída, reclamou da diretoria: "Além de circunstâncias pessoais, também motivaram [o pedido de demissão] a falta de melhores condições de trabalho e ausência de reforços, que haviam sido prometidos depois de o clube ter perdido 12 jogadores ao fim da temporada passada."

Por fim, Sérgio Vieira, que ficou como interino do clube por apenas dois jogos (empate em 0 a 0 contra o Brasília, pela Copa Sul-Americana, e derrota por 1 a 0 contra o São Paulo, no Brasileirão) e logo deu espaço para a chegada de Cristóvão Borges ao clube.

Os motivos para o ‘não’ de Rogério Ceni

Rogério Ceni era o principal nome do Athletico para 2020, mas no último sábado acabou acertando sua renovação com o Fortaleza. E o principal motivo para a permanência no futebol nordestino não foi financeiro, conforme apurou o Bem Paraná. Enquanto o Furacão teria sinalizado com uma proposta na casa dos R$ 400 mil mensais para o treinador e sua comissão técnica, no Leão do Pici o novo vínculo terá remuneração de R$ 320 mil. Antes, o salário de Rogério no Fortaleza era de aproximadamente R$ 250 mil.

O principal motivo para o ‘não’ ao Athletico, então, teria sido o temor do treinador com relação à autonomia que teria no clube paranaense, tendo em vista o perfil centralizador de Mário Celso Petraglia, recém-aclamado presidente do clube para até 2023. No Fortaleza, o treinador tem uma ótima relação com o presidente Marcelo Paz, além de ter a garantia de que participará diretamente da montagem do elenco que disputará o Campeonato Cearense, a Copa do Nordeste, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana no próximo ano.

Técnicos estrangeiros no Furacão

Lothar Matthäus
País: Alemanha
Ano: 2006
Campeonatos disputados: Paranaense
Jogos: 8
Vitórias: 6
Empates: 2
Gols marcados: 24
Gols sofridos: 11
Aproveitamento: 83,3%

Juan Ramón Carrasco
País: Uruguai
Ano: 2012
Campeonatos disputados: Paranaense, Copa do Brasil e Série B
Jogos: 36
Vitórias: 22
Empates: 7
Gols marcados: 76
Gols sofridos: 31
Aproveitamento: 67,5%

Miguel Ángel Portugal
País: Espanha
Ano: 2014
Campeonatos disputados: Libertadores e Brasileirão
Jogos: 13
Vitórias: 5
Empates: 2
Gols marcados: 18
Gols sofridos: 18
Aproveitamento: 43,6%

Sérgio Vieira
País: Portugal
Ano: 2015
Campeonatos disputados: Copa Sul-Americana e Brasileirão
Jogos: 2
Vitórias: 0
Empates: 1
Gols marcados: 0
Gols sofridos: 1
Aproveitamento: 16,7%

Outros gringos que já trabalharam no Furacão: Antônio Carbô (Paraguai, 1943); Felix Magno (Uruguai, 1952-1954); Filpo Nuñez (Argentina, 1957); Jose Poy (Argentina, 1985); Sergio Ramirez (Uruguai, 1991).

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