Pandemia

Servidores da Saúde de Curitiba reivindicam reforço da vacina anticovid após surtos em postos de saúde e morte de profissionais

(Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

Profissionais de saúde de Curitiba começam a reivindicar o reforço da vacina anticovid, que já foi disponibilizada para uma parte dos idosos e dos pacientes imunossuprimidos que tomaram a segunda dose há mais de seis meses. Eles também apontam novos surtos de Covid em unidades de saúde da capital e mortes de profissionais. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que, de acordo com a base de dados da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, 5,2% dos servidores da Saúde tiveram covid-19, após estarem imunizados, ou seja passados 14 dias após a segunda dose. O Sismec tem pressionado a Prefeitura de Curitiba para que enfermeiros e enfermeiras que estão na linha de frente da saúde tenham acesso o mais rápido possível à terceira dose da vacina anticovid. Questionada pela reportagem do Bem Paraná, a Prefeitura de Curitiba informou que não há definição do Ministério da Saúde, até o momento, sobre a aplicação da dose de reforço nos profissionais de saúde.

"Não há definição do Ministério da Saúde, até o momento, sobre a aplicação da dose de reforço nos profissionais de saúde. Até o momento, Curitiba recebeu do Ministério da Saúde dose de reforço apenas para idosos acima de 70 anos (com mais de 180 dias da segunda dose) e imunossuprimidos (com mais de 28 dias da segunda dose).
Para que os profissionais de saúde sejam elegíveis à dose de reforço seria necessário que o Ministério da Saúde fizesse alteração no Plano Nacional de Imunização e, além disso, disponibilizasse um aporte específico destas vacinas para este grupo", diz nota encaminhada pela Prefeitura de Curitiba.

Números de uma pesquisa feita pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Enfermagem de Curitiba (Sismec) com 400 profissionais sindicalizados, entre os dias 14 e 15 de setembro, reforçam a necessidade da terceira dose para os servidores saúde. A sondagem revela que 23,9% deles foram infectados pela Covid mesmo tendo tomado as duas doses da vacina. Segundo a pesquisa, desde o iníco da pandemia, 50% dos profissionais de enfermagem da Prefeitura de Curitiba já foram contaminados por coronavírus. Na quarta (22), a enfermeira da Prefeitura de Curitiba. Marilda Camargo, morreu vítima da covid mesmo tendo tomado a segunda dose. Segundo a presidente do Sismec, Raquel Padilha, ela foi a segunda profissional vítima da covid a falecer desde julho, mesmo imunizadas.“Os profissionais lidam diretamente com pacientes de Covid e estão correndo risco. Em junho, tivemos surto na UPA do Pinheirinho, quando seis profissionais do mesmo plantão foram infectados. Em julho, praticamente toda a equipe da Unidade Coqueiros pegou Covid. No final de agosto, detectamos outro surto na UPA do Campo Comprido. Precisamos desta terceira dose, precisamos de respostas e proteção”, afirmou ela.

Em audiência na Câmara Federal, secretária do MS diz que não há consenso ainda sobre terceira dose em profissionais da saúde

Em audiência na Câmara Federal, na última terça (21), pesquisadores e entidades médicas e de enfermagem defenderam  a continuidade da vacinação de adolescentes a partir de 12 anos de idade e da aplicação de doses de reforço em idosos e profissionais de saúde. Relatora da comissão externa, a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) citou a necessidade de inclusão dos profissionais de saúde no grupo prioritário dessa dose adicional. “Só entre enfermeiros, técnicos e auxiliares, nós temos mais de 860 óbitos. Somando aos profissionais da área de medicina, temos de 1.600 a 1.700. Sem contar todos os demais trabalhadores, como motoristas de ambulância, recepcionistas, pessoal de limpeza e lavanderia, fisioterapeutas e outros profissionais que estão diretamente envolvidos com a Covid-19. Por isso, a defesa e o pedido [pela dose de reforço] da nossa comissão externa”, disse a deputada.

Representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica do Brasil (AMB) e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) reforçaram o pedido. Eles argumentaram que a maior parte dos profissionais de saúde foi imunizada há mais de 8 meses com Coronavac, que tem menor duração na proteção contra a Covid-19. A AMB apresentou estudo dos Estados Unidos que mostra novo surto da doença inclusive em profissionais imunizados com Pfizer.

A representante do Cofen, Cleide Mazuela, informou que testes recentes mostraram o aumento dos casos de reinfecção e de perda de anticorpos dos profissionais que estão na linha de frente de combate à Covid-19. “São 2,5 milhões de enfermeiros esgotados”, ressaltou.

“Em relação aos trabalhadores de saúde, não houve consenso na nossa penúltima reunião da Câmara Técnica do Plano Nacional de Operacionalização. Pactuamos que iríamos discutir mais em termos técnico-científicos. Se a decisão for pela vacinação desse grupo na totalidade, independentemente do imunizante aplicado, nós teremos as doses para serem aplicadas”, garantiu a  secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana de Melo,

Está prevista uma nova reunião da câmara técnica do ministério no dia 24. Com base nos estoques e na projeção de entregas, Rosana afirma que haverá disponibilidade de vacina, caso se decida pela dose de reforço a partir de 60 anos de idade. A secretária informou que o ministério já iniciou o planejamento do esquema vacinal do próximo ano.