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Valorização dos produtos locais

Sete territórios do Paraná já contam com registro de indicação geográfica

O mel do Oeste do Paraná já possui Indicação Geográfica: valorização  e reconhecimento do produto típico
O mel do Oeste do Paraná já possui Indicação Geográfica: valorização e reconhecimento do produto típico (Foto: Franklin de Freitas)

Considerada uma importante ferramenta coletiva de valorização de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios, as Indicações Geográficas (IGs) estão fazendo sucesso no Paraná. Segundo informações do Sebrae, o Brasil possui hoje 71 registros desse tipo, sendo que só no Paraná são sete territórios com registro de IG e outros cinco pedidos prestes a serem protocolados e ou sendo analisados pelo INPI. Em todo o mundo, são mais de 10 mil produtos com indicação geográfica e que movimentam mais de 50 bilhões de euros.

Criado para promover produtos típicos e também a sua herança histórico-cultural (o que abrange aspectos como a área de produção definida, tipicidade, autenticidade e a disciplina quanto ao método de produção), as IGs hoje existentes no Paraná estão em: São Mateus do Sul, com a erva mate e derivados; Norte Pioneiro, com os cafés especiais; Carlópolis, com a goiaba de mesa; Oeste do Paraná, com o mel; Witmarsun com o queijo colonial; Marialva, com as uvas finas de mesa; e Ortigueira, com o mel.

Além destes, outros cinco territórios estão com pedidos prestes a serem protocolados ou sendo analisados pelo INPI: Capanema, com melado e derivados; Querência do Norte, com o ginseng; Morretes, com a cachaça; Antonina, com a bala de banana (apesar de recentemente indeferido, já está com novo processo em andamento); o Litoral, com barreado e farinha de mandioca; e Querência do Norte, com o ginseng. 

O tema de Indicações Geográficas, inclusive, ganhou grande destaque com a assinatura do Acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que deve oferecer benefícios diretos aos produtores, uma vez que os produtos com o registro possuem um reconhecimento formal por parte dos países europeus. Antes mesmo da assinatura do acordo, alguns produtores já sentem os efeitos benéficos desses registros. É o caso da goiaba, de Carlópolis, que possui a IG há dois anos, obteve no início do ano o selo Global G.A.P. e iniciou recentemente as primeiras exportações do produto para Portugal.

“Se não tivesse a IG, a gente não teria valorizado tanto o nosso produto e o nosso trabalho. Construímos elos que fizeram com que chegássemos a esse patamar. Buscamos adequações, formamos a cooperativa, fizemos contatos e visitas a feiras no exterior e conseguimos as certificações necessárias. Hoje também já temos interesse dos EUA, da Holanda e do Canadá no nosso produto”, afirma Rodrigo da Silva Viana, diretor da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis.

Quarta reunião do Fórum Origens Paraná
O envolvimento de chefs de cozinha, universidades, órgãos públicos e privados, a presença de novos produtores rurais, realização de eventos, reconhecimento e até mesmo exportação de produtos para a Europa. Esses e outros resultados positivos foram levantados na quarta reunião do Fórum Origens Paraná, que busca articular, planejar e coordenar junto com parceiros o desenvolvimento de Indicações Geográficas (IGs) e de Marcas Coletivas, realizado no Sebrae/PR na última quinta-feira, dia 15.

“Queremos que os nossos produtores estejam cada vez mais preparados para vender, possam ter uma mercadoria de qualidade, um preço justo e resultados. É isso que fará com que os nossos produtos se tornem diferenciados e o Paraná ser reconhecido com um mercado de excelência também nesta área”, afirmou o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta.

O trabalho de reconhecimento de produtos típicos do Paraná trouxe a presença de novos produtores rurais, como os de farinha de mandioca de Guaraqueçaba, a farinha de trigo de Irati, os vinhos de Bituruna, o ginseng de Querência do Norte e os morangos de Pinhalão. O produtor de ginseng, Misael Jefferson Belo, começou a participar do fórum e explica que buscou o grupo para poder reforçar a qualidade do seu produto.

“Temos um produto diferenciado, que é composto apenas pelas raízes do ginseng, onde ficam os princípios ativos. Com a busca pela IG queremos colocar o nosso produto em destaque no mercado nacional. Além disso, hoje já exportamos para a França, a China e o Japão e esse registro começa a ser exigido pelo mercado externo”, analisou Belo.

Loja no Mercado Municipal e festival gastronômico
Na reunião do Fórum Origens do Paraná, entidades e instituições como a Universidade Positivo, a Secretaria Municipal de Segurança Alimentar de Curitiba, o Senar, a Paraná Turismo, a Emater e o Ministério da Agricultura apresentaram suas contribuições e demonstraram de que maneira é possível contribuir para impulsionar o tema das IGs. As instituições devem se engajar para promover diferentes ações relacionadas ao tema e já anunciaram novidades.

Entre elas, está a negociação para a abertura de uma loja física no Mercado Municipal de Curitiba com o título “Origens Paraná”, voltada para a venda de produtos que possuem o registro.

Já a Universidade Positivo promoverá nos dias 2 e 3 de outubro, em Curitiba, o Festival Saberes e Sabores, com o tema Cozinha Regional Brasileira e o Legado Indígena, que deve oferecer aulas shows com o preparo de pratos com produtos típicos do Paraná por parte dos chefs paranaenses.

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