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Propina

STF abre 19 inquéritos sobre esquema investigado na Operação Carne Fraca

Serraglio: deputado diz que delação é "leviana"
Serraglio: deputado diz que delação é "leviana" (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu 19 inquéritos para investigar políticos que foram citados em delações premiadas de investigados na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF), deflagrada em 2017. A ministra Cármen Lúcia será a relatora das investigações.

Os detalhes das investigações não foram divulgados oficialmente porque estão em segredo de Justiça. Há dois anos, a Operação Carne Fraca revelou o envolvimento de ex-fiscais do Ministério da Agricultura em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos por meio do recebimento de vantagens indevidas.

Os inquéritos são baseados na delação premiada do ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, Daniel Gonçalves Filho, que foi preso em março de 2017, acusado de comandar um esquema de cobrança de propina de empresas do setor frigorífico. Na delação, ele afirmou que para se manter no cargo, precisava pagar propina a políticos.

Mensalinho - A colaboração firmada com o Ministério Público Federal (MPF) foi homologada em dezembro de 2017 pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Pelo acordo, o ex-superintendente terá que pagar multa de R$ 2 milhões. No despacho, Toffoli diz que Gonçalves Filho citou o envolvimento de deputados federais do Paraná nos crimes. Segundo o delator, o esquema envolvia o pagamento de "mensalinho", no qual frigoríficos repassavam valores para os parlamentares, em troca de mantê-lo no cargo.

Na delação, Gonçalves citaria como participantes do esquema deputados federais do PMDB do Paraná, como Osmar Serraglio e Sérgio Souza, além de João Arruda Sobrinho e Hermes Frangão Parcianello. Serraglio foi flagrado em conversa telefônica gravada com o ex-superintendente pela Polícia Federal, Serraglio aparece chamando-o de grande chefe.

Além disso, os quatro parlamentares intervieram perante o Ministério da Agricultura para que Gonçalves fosse mantido no cargo apesar de suspeitas de corrupção e teriam recebido recursos do esquema, segundo o delator. Os quatro deputados negam participação no caso.

Segundo Gonçalves Filho, Serraglio seria um de seus “padrinhos” no cargo. Ao lado de Maria do Rocio Nascimento, ex-chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal, eles controlariam indicações de funcionários e facilitavam a atuação irregular de frigoríficos e empresas do setor alimentício.

Ao Estadão, Serraglio disse que a delação de Daniel Gonçalves Filho é “leviana” e “criminosa”. “Nunca recebi nada nem dele nem de nenhuma empresa. Espero que eu não esteja nesta lista (de inquéritos abertos), porque nunca fui ouvido”, garantiu.

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