Tecnologia

UFPR usa estação-tubo de Curitiba para testar painéis solares orgânicos

Parte da equipe do projeto
Parte da equipe do projeto (Foto: Marcos Solivan / Divulgação)

O Grupo de Dispositivos Nanoestruturados (DiNE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está utilizando uma das simbólicas estações de ônibus da cidade de Curitiba como laboratório multidisciplinar para testar painéis solares. O projeto, batizado de Estação Tubo de Ensaio, tem servido de suporte para avaliar os chamados Painéis Solares Orgânicos (em inglês Organic Photovoltaics – OPV), além de outras pesquisas relacionadas. O projeto, coordenado pela professora Lucimara Stolz Roman, conta com uma conta no Instagram onde são publicadas postagens de suas atividades.

Os primeiros painéis foram instalados no teto da estação em agosto de 2018 e o objetivo tem sido testar a eficiência de produção de energia e a resiliência dos materiais em condições reais de uso em mobiliários urbanos. Ao todo são 28 placas instaladas no teto e mais duas nas laterais, uma por dentro do vidro e outra por fora, em torno das quais são realizados monitoramentos como a energia produzida e a medida de acúmulo de sujeira que acabam por prejudicar a geração de energia. As pesquisas envolvem pesquisadores de diversas áreas, como química e física, e das engenharias elétrica e de produção.

Os painéis OPV são fabricados com compostos orgânicos utilizando nanotecnologia, em substituição do silício das placas convencionais e trazem diversas vantagens no processo de produção, instalação e versatilidade de aplicações. Uma das vantagens é a possibilidade de serem impressos em materiais flexíveis, como plástico PET, tendo menor impacto ambiental que as placas comuns. Calcula-se que a produção de gás carbônico (CO2) deste tipo de painel é 10 vezes menor, contribuindo para diminuição dos gases do efeito estufa.

Outra vantagem é o seu peso, enquanto os painéis de silício pesam em média 15 quilos por metro quadrado, os painéis orgânicos pesam apenas 500 gramas, o que traz a diminuição de custos para instalação, estrutura de sustentação e transporte, permitindo inclusive que sejam coladas como adesivos em estruturas pré-existentes, como na estação. Estas células também podem ser instaladas na vertical ou horizontal, dependendo pouco do ângulo de incidência solar, o que não ocorre nas convencionais, que precisam ser instaladas em um ângulo que varia de acordo com a latitude do local. Além dessa versatilidade, os painéis tem uma vantagem estética e de aplicação, por serem um material semitransparente e absorverem os espectros ultravioleta e infravermelho podem ser utilizados como insulfilmes, podendo ainda ser produzidos em diferentes cores.