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Aglomeração em terminal

Um dos lugares com maior risco de contaminação, transporte público ainda sofre com aglomerações

Terminal Santa Cândida ás 8 horas da manhã desta terça-feira: aglomerações em tempos de pandemia
Terminal Santa Cândida ás 8 horas da manhã desta terça-feira: aglomerações em tempos de pandemia (Foto: Colaboração)

Apesar de todos os esforços das empresas de ônibus e do Poder Público, inclusive com o escalonamento do horário de funcionamento de diversos serviços na região metropolitana de Curitiba, a questão das aglomerações nos transporte público ainda é um problema na capital paranaense. E a imagem acima, registrada às 8 horas de hoje (30 de junho) no Terminal do Santa Cândida, ajuda a ilustrar a situação. 

A boa notícia, por outro lado, é que as imagens que chegaram ao Bem Paraná mostram a esmagadora maioria dos usuários com máscaras, uma das principais medidas para se evitar que alguém com o novo coronavírus (mesmo sem o saber) infecte outras pessoas.

De acordo com um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o transporte público é, ao lado de hospitais, um dos locais com maior chance de contágio por Covid-19.

A escala de risco, que você confere abaixo, foi feita a partir da coleta de amostras de lugares públicos de alta circulação na cidade de Belo Horizonte. O método utilizado foi parecido com os testes realizados para detectar a presença do vírus no organismo: o swab - um tipo de cotonete alongado que, quando friccionado contra superfícies, coleta o material em repouso - foi usado em pontos de ônibus, corrimãos, entradas de hospitais e até mesmo bancos de praças. Das 101 amostra colhidas, 17 continham traços do novo coronavírus.

“Para se avaliar o risco de um determinado local, levamos em consideração três elementos: o número de pessoas que podem portar a infecção, o nível de aglomeração esperado nos ambientes e a chance de haver pessoas com a infecção no local", explica Matheus Westin, infectologista e professor de medicina da UFMG.

Infográfico mostra a escala de perigo de contaminação por covid-19.

Higienização

Depois dos terminais e estações-tubo, a Urbanização de Curitiba (Urbs) vem fazendo o trabalho de assepsia nos pontos de ônibus metálicos na capital. A limpeza já foi realizada em 666 pontos, de um total de 2.640 pontos que serão sanitizados.

O reforço na higienização é para evitar a propagação da covid-19 em locais de grande circulação, como espaços ligados ao transporte público da capital, segundo o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto. Por dia, 270 mil pessoas usam os ônibus na cidade.

“A pandemia exige que, além da limpeza tradicional, que continua a ser realizada em todos os pontos do transporte coletivo, façamos essas operações de desinfecção de forma a minimizar o risco de contágio da população pelo novo coronavírus”, afirma.

Os profissionais de limpeza utilizam pulverizadores costais com hipoclorito de sódio e peróxido de hidrogênio para lavar pontos de contato, cobertura e apoios e, com isso, ajudar a reduzir a velocidade de circulação de agentes infecciosos.

O serviço está sendo executado pela empresa Climax 8 Prestação de Serviços. O peróxido de hidrogênio, produto conhecido pelo poder desinfetante e de desinfecção, está sendo doado pela Peróxidos do Brasil.

Nos pontos, a limpeza está sendo realizada de dia e a aplicação dura cerca de 15 minutos. Os passageiros podem utilizar o espaço normalmente após a desinfecção.

O trabalho de assepsia nos pontos de ônibus e estações-tubo de Curitiba têm sido uma das principais ações da Prefeitura de Curitiba durante a pandemia. Já foram higienizados os 21 terminais da cidade, mais o terminal metropolitano do Guadalupe e a Rodoferroviária.

Assembleia Legislativa tenta proibir superlotação de ônibus

O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB) apresentou na sexta-feira (26) na Assembleia Legislativa do Paraná projeto de lei que proíbe a superlotação de ônibus de transporte público nas cidades do estado enquanto perdurar a pandemia do coronavírus. A lotação não deve ser maior aos assentos disponíveis em cada veículo. O projeto foi lido durante a sessão plenária remota desta segunda-feira (29) e iniciou a sua tramitação com a co-autoria de diversos deputados.

“Tenho recebido inúmeros relatos de ônibus lotados, em especial, no itinerário casa-trabalho, nos bairros de trabalhadores e no horário de pico de uso (pela manhã e ao meio dia e no início e final tarde)”. Isso acelera, diz o deputado, a transmissão do coronavírus. “Por isso, apresentei um projeto de lei que limita, em todo o Paraná, o número de passageiros dos ônibus ao número de passageiros sentados no veículo”, disse.

No caso de descumprimento da lei, prevê o projeto, será aplicada sanção de 95 UPF/PR, ao proprietário ou responsável pelo veículo. Cada unidade padrão fiscal do Paraná equivale no mês de junho a R$ 106,34, o que resulta em R$ 10.102,30 em multa.

Justificativa - Os ônibus de transporte coletivo, justifica o deputado, têm enormes dificuldades de observância das medidas de combate ao avanço da pandemia, em especial pelo grande fluxo de pessoas e aglomerações decorrente do excesso de passageiros nos horários de pico.

Durante a utilização do transporte coletivo, os passageiros estão obrigados ao uso de máscara de proteção facial e sujeitos às penalidades previstas na referida norma, em caso de descumprimento. "Os veículos deverão fornecer aos passageiros que não possuam, máscaras de proteção, bem como solução de álcool em gel a 70%", diz o artigo 3º do projeto.

Romanelli argumenta que o projeto de lei é mais um instrumento de prevenção, proteção e resguardo coletivo das pessoas, e levanta uma barreira para se evitar a transmissão do vírus. "O projeto procura evitar a proximidade e aglomeração dos usuários, e mantendo-se assim a atividade do transporte público ou privado de passageiros, sob o enfoque de saúde pública.

O projeto de lei prevê regras e limitações de pessoas transportadas, considerando a capacidade dos veículos e às medidas de segurança sanitárias, enquanto perdurar o estado de calamidade pública. "Depreende-se, portanto, que a iniciativa proposta é relevante e urgente no contexto atual, especialmente diante da possibilidade de colapso do sistema de saúde em razão do aumento expressivo de casos que necessitam de cuidados hospitalares".

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