Um murro nas costas dos servidores

O governo Dilma está aplicando um murro nas costas dos sindicatos e dos servidores públicos brasileiros. Justamente aqueles que sempre serviram de sustentáculo para o Partido dos Trabalhadores e os que ajudaram a levar a sigla ao poder. Quem perde com essa atitude desleal e violenta é o Brasil.
Todos vemos com grande preocupação a paralisação de setores fundamentais do serviço público, como universidades, fiscalização sanitária e até a Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Uma greve que se alastra sem que o governo tome qualquer atitude consequente. Tudo isso ocorre pela absoluta intransigência, insensibilidade e falta de disposição para negociar por parte do governo Dilma Rousseff.
( Qual a alternativa? Dentro de um parâmetro de responsabilidade, de fazer concessões dentro do possível, e sem comprometer a solvência das finanças públicas, está agindo o governo do Paraná, comandado por Beto Richa.
Fazemos no Paraná um governo do diálogo. Essa estratégia tem sido tão bem sucedida que o Estado não enfrenta nenhuma greve. Aliás, a política de valorização dos servidores do Paraná serviu, inadvertidamente, de motivação para a greve da Polícia Federal.
Hoje em dia o Paraná tem os policiais mais bem pagos do Brasil. E um dos estopins da greve foi o fato que os delegados da Polícia Federal não aceitaram receber menos que um delegado da Polícia Civil do Paraná. Historicamente a Polícia Federal é força policial mais bem paga do país.
Para os delegados da Polícia Civil do Paraná, o subsídio de ingresso na 4ª classe é de R$ 13.831. Ao longo da carreira, o valor pode chegar a R$ 21.615. A Polícia Federal reivindica reestruturação salarial e da carreira dos agentes, escrivães e papiloscopistas. O salário inicial desses três cargos é R$ 7.500, o equivalente a 56,2% da remuneração dos delegados, cujo vencimento de início de carreira é R$ 13,4 mil. Ou seja, o Paraná se tornou referência nacional em bons salários para as forças policiais.
Um panfleto da Polícia Federal distribuído na Assembleia do Paraná exemplifica o drama vivido pela categoria. Ele revela que a PF foi a carreira que recebeu a menor variação salarial do Poder Executivo. Servidores do Senado Federal (copeiros, motoristas e ascensoristas) recebem até 30% mais que um delegado da Polícia Federal. Por conta desse desestímulo pelo menos 25 delegados deixam a PF por ano.
No Paraná, além de ter estabelecido o diálogo e concedido bons salários aos servidores públicos, o Estado também foi o primeiro a ter a agilidade de fazer uso de um decreto que permite que a vigilância sanitária estadual assuma as funções dos servidores da Anvisa que estão em greve. Graças a essa providência, o Paraná é o único Estado que não enfrenta os efeitos desastrosos dessa greve.
Lamentamos profundamente e estamos inconformados com o descaso do governo federal com a greve das universidades. Uma paralisação desastrosa que deixa centenas de milhares de estudantes sem aulas, que ameaça vestibulares e conclusões de curso, sem que o governo tome qualquer atitude para acabar com a greve e com o drama que estão vivendo os nossos filhos.
Aqui no Paraná estabelecemos o diálogo como parâmetro e fizemos um esforço enorme para atender as reivindicações justas dos servidores estaduais. Estamos colhendo bons resultados.
Se o discurso do governo federal - de que não existe uma grave crise financeira no país - é verdadeiro, não conseguimos entender a indiferença e a hostilidade com que o governo Dilma enfrenta as reivindicações dos servidores.

Ademar Traiano é deputado estadual pelo PSDB do Paraná e líder do governo na Assembleia Legislativa