Covid-19

Vacinação começa no dia 20 para grupos prioritários, mas Curitiba quer mais

(Foto: Franklin de Freitas)

A vacinação contra a Covid-19 para grupos prioritários deve começar na próxima quarta-feira, dia 20 de janeiro, em todo o Brasil, disse o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a prefeitos durante videoconferência, ontem, com a Frente Nacional de Prefeitos.

Na reunião, Pazuello informou que em janeiro está previsto a distribuição para os municípios de 8 milhões de doses: 2 milhões de doses da Astrazeneca e 6 milhões de doses da Coronavac.

A liberação para uso emergencial dessas duas vacinas deve ser decidida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no próximo domingo, segundo o ministro, e que na quarta-feira a vacinação começará simultaneamente em todo o Brasil.

Ainda que a data oficial ainda dependa da autorização da Anvisa e da disponibilidade do imunizante, a Prefeitura de Curitiba, assim como o governo do Paraná, já se preparam para iniciar a vacinação dos grupos prioritários.

Em Curitiba, a ação ficará concentrada no Pavilhão de Eventos do Parque Barigui. Com 7.500 metros quadrados, o Centro de Exposições será o espaço oficial de Curitiba para imunização da população contra a Covid-19. O local contará com 50 salas de vacinação, onde trabalharão por turno 100 profissionais da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

O Centro de Vacinação e outros detalhes estão no Plano Municipal de Vacinação contra a Covid-19, ontem pela SMS de Curitiba no Comitê Municipal de Respostas às Emergências em Saúde Pública (Comresp).

“Entre os primeiros vacinados estarão profissionais da linha de frente da Covid-19, equipes de UTIs e no atendimento direto de pessoas contaminadas”, disse a secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak. Também serão vacinados idosos e trabalhadores de instituições de Longa Permanência (asilos) e a população indígena.

Em Curitiba são 70 mil profissionais de saúde da rede pública e privada que devem ser vacinados nessa etapa. A cidade tem ainda cerca de 350 mil idosos acima de 60 anos.

Permissão para comprar doses

Mas, Curitiba tem planos de vacinar mais pessoas. O prefeito Rafael Greca — que participou da reunião do Ministério da Saúde junto com outros 15 gestores de capitais e das 170 maiores cidades do país — sugeriu que o Ministério da Saúde autorize municípios a importarem vacinas para ampliar a imunização da população. A proposta será avaliada, segundo o ministro.

“Curitiba tem R$ 100 milhões reservados para comprar vacinas, e se o ministério permitir posso comprar para imunizar os 35 mil trabalhadores da Prefeitura como professores, além dos prestadores de serviços como motoristas, cobradores e outros que atendem diretamente a população”, declarou Greca.

Como será a vacinação em Curitiba

  • Grupos prioritários — Curitiba seguirá as etapas de vacinação do plano nacional de imunização. Os primeiros a serem vacinados na cidade serão pessoas de maior vulnerabilidade como profissionais de saúde da linha de frente da covid-19 e idosos e trabalhadores de instituições de Longa Permanência (asilos) e a população indígena
  • Nessa etapa estão previstos 18.150 pessoas a serem vacinadas. Ainda dentro da primeira fase serão atendidos os demais profissionais de saúde, seguindo a ordem do Plano Municipal
  • “Esses três primeiros grupos estão em alinhamento com o Plano Nacional de Vacinação, pois precisamos dos nossos profissionais imunizados para que continuem na linha de frente, atendendo a população”, explica a secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak
  • Vacina por agendamento — Para evitar aglomerações e facilitar a identificação, a vacina para a população será agendada pelo Aplicativo Saúde Já, de acordo com o cronograma
  • Quem tem cadastro no Saúde Já receberá a informação do agendamento pelo aplicativo. Os demais serão informados por outros canais
  • Os três primeiros grupos (profissionais de saúde, idosos em instituições de longa permanência e indígenas) não precisam do agendamento pelo aplicativo. A Secretaria começou a identificação dos profissionais que serão vacinados nessa primeira fase
  • Monitoramento — Uma rede de suporte e monitoramento pós-vacina foi estruturado pela Saúde. A farmacovigilância, como é chamada, é comum sempre que novos medicamentos ou imunizantes são aplicados
  • As pessoas vacinadas também receberão pelo aplicativo Saúde Já um questionário para avaliar o pós-vacinação

Governo do Estado prepara ‘operação de guerra’ para distribuir insumos

O Governo do Estado vai apresentar hoje, às 10h30, no Aeroporto do Bacacheri, a estrutura disponível para a distribuição da vacina contra a Covid-19. Como forma de acelerar a imunização no Paraná, o Governo destacou toda a frota área do Estado, formada por aviões e helicópteros, para o transporte da vacina.

Serão ainda mais quatro caminhões refrigerados e monitorados por satélite exclusivos para a distribuição do produto, além de outros nove caminhões para a chamada carga seca, formada por luvas, máscaras, agulhas e seringas, entre outros itens.

Entre agulhas e seringas, o Estado conta atualmente com 11 milhões de unidades em estoque, quantidade que vai saltar para 27 milhões nos próximos dias com a compra de mais 16 milhões, em fase final de aquisição pela Secretaria de Estado da Saúde. O material garante as duas doses de vacinação de toda a população do Estado.

“Estamos prontos. Temos agulhas, seringas, mais de 1.800 pontos de vacinação e uma logística pronta para os imunizantes chegarem nos municípios”, disse o governador Ratinho Jr, durante visita ao Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), na quarta-feira.

Ele lembrou que o Paraná vai seguir o Plano Nacional de Imunização (PNI) elaborado pelo Governo Federal. A estimativa é que o Estado receba 100 mil dos 2 milhões de doses do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford e pelo Laboratório AstraZeneca.

No Paraná, de acordo com a Secretaria de Saúde, o grupo prioritário é formado por cerca de 90 mil profissionais da linha de frente do combate à Covid-19, 10 mil índios acima de 18 anos mapeados em comunidades isoladas de 30 municípios do Estado e 10 mil idosos que vivem em asilos e casas de repouso.