Luto

Morre vereador de Curitiba Jairo Marcelino por complicações da Covid-19

(Foto: CMC)

Morreu nesta terça (20) o vereador de Curitiba Jairo Marcelino (PSD), 77 anos. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Câmara Municipal. Ele morreu após ficar internado desde o dia 30 de setembro com pneumonia e ser diagnosticado com a Covid-19. Durante o internamento, no Hospital Vita, ele teve fases de melhora e piora. Jairo Marcelino deixa esposa, 6 filhos, 13 netos e 2 binetos.

Segundo boletim médico, assinado pelo médico Osni Silvesri, superintendente médico do Hospital Vita, nos últimos dias houve um agravamento do quadro clínico do vereador, caracterizado pela piora da oxigenação sanguínea, queda de pressão arterial e sinais de comprometimento de vários órgãos. "Não apresentou sinais de melhora apesar das medidas terapêuticas empregas, resultando em falência de múltiplos dos órgãos o que o levou ao óbito", diz o médico, no boletim.

Um ato de despedida restrito a familiares, amigos próximos e autoridades vai selar a despedida ao vereador da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) Jairo Marcelino (PSD), 77 anos, falecido nesta terça-feira (20) após complicações causadas pela Covid-19.  A missa será realizada pelo padre Roberto Agostinho, pároco da Igreja de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças, às 10h desta quarta-feira (21), em frente ao Cemitério Municipal São Francisco de Paula. Não haverá velório. A cerimônia de cremação do vereador Jairo Marcelino está marcada para às 10 horas desta quarta (21), em um crematório na cidade de Almirante Tamandaré, na Grande Curitiba. Não haverá velório.

Marcelino foi o segundo caso de Covid-19 entre vereadores de Curitiba. No dia 15 de setembro, a vereadora Noemia Rocha (MDB) teve alta hospitalar depois de ficar sete dias internada para tratamento do vírus.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior decretou luto oficial de três dias em todo o Estado nesta terça-feira (20) em respeito à morte do vereador Jairo Marcelino, que ocupou por 37 anos e nove mandatos consecutivos uma cadeira na Câmara Municipal de Curitiba. Ele tinha 77 anos, estava internado desde setembro e não resistiu às complicações da Covid-19. Marcelino deixa esposa, seis filhos, 13 netos e 2 bisnetos. “A pandemia de Covid-19 tem tirado muitas pessoas queridas das famílias paranaenses, a quem presto toda a minha solidariedade pelas irreparáveis perdas. Hoje o vereador curitibano Jairo Marcelino, nosso companheiro no campo político, não resistiu à doença. Minhas sinceras condolências à família e aos amigos. Que Deus o receba com bênçãos”, declarou o governador Ratinho Junior. O prefeito de Curitiba Rafael Greca (DEM) decretou três dias de luto em Curitiba pela morte do vereador.

37 anos de mandato

Nenhum outro vereador ocupou posição tão privilegiada quanto a de Jairo Marcelino, com 37 anos ininterruptos de mandato na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), como observador da redemocratização na capital do Paraná. 

Nascido no dia 17 de julho de 1943, Jairo Marcelino tinha 40 anos quando ingressou na CMC. Para quem começou a trabalhar aos 14, como cobrador de ônibus na linha Uberaba, e em 1962 passou a motorista de ônibus, já era uma pessoa vivida. Mas comporia, naquela distante nona legislatura, o bloco dos novatos que o início da redemocratização trazia para a vida pública. Décadas depois, era comum ouvir servidores e vereadores, durante o trabalho parlamentar, chamarem-no afetivamente de “professor”.

A nona legislatura da CMC foi um ponto de virada na história de Curitiba, pois nela vários políticos hoje famosos ingressaram na vida pública. O número de vereadores aumentou de 21 para 33 em 1983 – e dois terços da Câmara era de candidatos sem experiência prévia naquele Legislativo. Esperando por eles, em plenário, estavam os experientes Ivan Ribas, Ivanir Stival, João Derosso, José Gorski, Luiz Carlos Betenheuser, Luiz Gil Leão Filho e Moacir Tosin, por exemplo.


Eleito com 4.042 votos, pelo PDS (ex-Arena), no bloco de novatos Jairo Marcelino seria colega de plenário de Algaci Túlio, Haziel Pereira Filho, Horácio Rodrigues, José Felinto, José Maria Correia, Jorge Bernardi, Marlene Zanin, Mauro Moraes, Neivo Beraldin, Rafael Greca de Macedo, Rosa Maria Chiamulera, Sady Ricardo e Tito Zeglin, por exemplo. Com a passagem do tempo, ele passaria a ocupar posições destacadas no Legislativo e mudaria de partido. Agora estava no PSD, mas passou mais de uma década filiado ao PDT.

Jairo Marcelino foi da Mesa Diretora da CMC por seis vezes durante seus 37 anos de mandato. O cargo mais alto ele desempenhou de 1995 a 1996, no papel de segundo secretário, compondo a trinca da Comissão Executiva com Íris Simões, presidente, e Jair Cezar, primeiro secretário. Depois foi 2º vice-presidente de 1999 a 2000, 3º secretário de 2001 a 2002, 3º secretário de 2005 a 2006 e 3º secretário de 2011 a 2012, com João Cláudio Derosso na presidência. Na gestão Paulo Salamuni, de 2013 a 2014, Marcelino foi 4º secretário.

“O homem, quando nasce, Deus dá um dom para ele. E ele tem que cumprir aquilo que está posto. Estou fazendo a minha parte”, disse Jairo Marcelino, em entrevista à TV Transamérica, no final de 2019. Na sua trajetória, o mandato do ex-vereador era associado à defesa dos profissionais do transporte escolar, dos taxistas e dos moradores da região Norte de Curitiba, onde residia. O Sistema de Proposições Legislativas da CMC registra 379 leis municipais de autoria dele.

No seu primeiro mandato, Jairo Marcelino aprovou uma regulamentação para o serviço de transporte escolar em Curitiba – a lei municipal 6.909/1986. E, nos anos seguintes, continuou a legislar em prol do setor, editando diversas normas desse tipo (7.347/1989, 7.559/1990, 10.097/2000, 11.328/2004, 11.421/2005, 11.629/2005, 14.831/2016 e 15.639/2020). Nesta última, por sugestão do parlamentar, vários pontos eram flexibilizados (confira aqui). Diretamente vinculadas ao serviço de táxi, são cinco (8.686/1995, 9.232/1997, 9.691/1999, 9.700/1999 e 15.601/2020). Mas ele também é autor da proibição de outdoors em terrenos abandonados (9.088/1997), de regras para instalação de para-raios em prédios (12.557/2007) e do Dia de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla (13.453/2010).

No quesito apoio à sociedade civil, Jairo Marcelino é autor das leis que declararam de utilidade pública a Associação Reviver Down (9.162/1997), o Instituto Ciência e Fé (9.025/1997), o Instituto dos Vigilantes do Paraná (13.972/2012), a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Paraná (15.532/2019), a Associação da Patrulha Rodoviária Federal no Paraná (6.910/1986), a Sociedade Civil Boca Maldita (7.363/1989) e a Sociedade Cultural Carnavalesca Embaixadores da Alegria (8.266/1993), por exemplo.

Nas emendas orçamentárias para este ano, destinou R$ 450 mil a escolas e creches públicas da Região Norte de Curitiba. Também contribuiu para as doações coletivas aos hospitais Pequeno Príncipe e Erasto Gaertner e alocou recursos para a revitalização de áreas de lazer e ao incentivo ao esporte na cidade. Destinações semelhantes ele fez nos anos anteriores, ajudando instituições de saúde e equipamentos públicos da Região Norte.

Quanto à preservação da história da cidade e das suas pessoas, há no SPL muitos registros de leis criadas por Jairo Marcelino. São do ex-vereador as homenagens em vida, com o título de Vulto Emérito, ao jornalista Cid Destefani, ao desembargador Heliantho Guimarães Camargo e ao empresário Fernando Ghignone, por exemplo. Arlindo Ventura, do bar O Torto, Miguel Arcanjo Capriotti, ex-comandante do Corpo de Bombeiros, e a empresária Flora Madalosso Bertolli, por exemplo, receberam dele a Cidadania Honorária de Curitiba.

Mais informações em breve