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Witzel toma posse no Rio e promete apoio a Bolsonaro e ataque a narcoterroristas

Witzel toma posse no Rio de Janeiro
Witzel toma posse no Rio de Janeiro (Foto: Agência Brasil)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O ex-juiz federal Wilson José Witzel (PSC), 50, tomou posse como governador do Rio de Janeiro prometendo apoio à gestão Jair Bolsonaro nas reformas tributárias e previdenciária e combate duro às organizações criminosas que atuam no estado.

Witzel também mencionou os casos de corrupção que marcaram os últimos governos fluminenses. O estado tem um governador afastado, Luiz Fernando Pezão (MDB), e o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) presos.

"É chegada a hora de libertar o estado da irresponsabilidade da corrupção que marcaram as duas últimas décadas da política estadual", afirmou ele em discurso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que teve dez deputados presos há dois meses.

Eleito com 59,87% dos votos válidos e alinhado ao discurso de Bolsonaro, Witzel prometeu tratar membros de facções criminosas como terroristas.

"Criminosos assumiram pelo poder das armas o domínio de porções do nosso território, trazendo a desgraça e a desordem. Vamos reorganizar as estruturas policiais para serem capazes de investigar e prender aqueles que comandam o crime organizado e fazem da lavagem de dinheiro a fonte que abastece o comércio de drogas, armas e a desgraça e o câncer da corrupção", afirmou ele em discurso.

"Não permitirei a continuidade desse poder paralelo. [...] São narcoterroristas. Como terroristas serão tratados", disse Witzel.

O novo governador fez uma campanha tendo como principal bandeira o endurecimento ao combate às facções criminosas do estado. Defendeu abertamente que policiais tenham autorização para matar qualquer pessoa que portasse um fuzil, ainda que não posicionado para atirar --prática que chamou de "abate".

Ele também afirmou que apoiará as propostas de Bolsonaro no campo econômico. Alinhado ao discurso de austeridade fiscal, afirmou que sua principal tarefa no Palácio Guanabara será "racionalizar os custos".

"Também buscaremos apoiar o governo federal no processo de mudança da ordem tributária, previdenciária e econômica para garantir o futuro das próximas gerações.

Witzel vai embarcar num avião da FAB (Força Aérea Brasileira) junto com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) para a cerimônia de posse de Jair Bolsonaro.

A cerimônia de transmissão do cargo de governador do Rio de Janeiro será realizada na quarta-feira (2), junto com o governador em exercício Francisco Dornelles (PP), no cargo desde a prisão de Pezão.

Witzel foi eleito superando o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). Coadjuvante no primeiro turno, o governador decolou nas pesquisas de intenção de votos na última semana do primeiro turno, confirmando a vitória no segundo.

Ex-juiz, ele deixou a magistratura em março com o objetivo de se candidatar. Mesmo ainda com a toga, articulou sua candidatura com diferentes partidos.

Witzel também não se furtou a dialogar na pré-campanha com o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), o senador Romário (Podemos) e o ex-governador Anthony Garotinho (PRP), os favoritos no início da disputa pelo Palácio Guanabara.

Todos buscaram o ex-juiz a fim de lhe oferecer uma vaga de vice na chapa. Ouviam como resposta a proposta invertida. O tom era visto como irônico, considerando partir de um candidato à época com 1% nas pesquisas de intenção de voto.

Witzel assume um estado sob crise financeira há três anos. As finanças do Rio de Janeiro conseguiram um alívio com o acordo de recuperação fiscal, que suspendeu o pagamento das dívidas com a União por três anos, prorrogáveis por mais três.

Um dos desafios do novo governador é contornar o veto dado pela Assembleia Legislativa para a venda das ações da Cedae, dado como garantia para a concretização do acordo.

O novo governador também assume o estado após o fim da intervenção federal na segurança pública. Decretada em fevereiro, o gabinete foi encerrado registrando redução principalmente nos casos de roubos, queda nos homicídios e recorde nos casos de mortes provocadas pela polícia.