O cabo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Ênio Roberto Santiago, de 33 anos, foi baleado na cabeça na manhã de sexta-feira ao tentar impedir que um casal tivesse seu carro roubado, na Tijuca, zona norte do Rio. Santiago estava trabalhando na segurança do tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto, principal assessor do comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte. Neto, que ficou à frente do Bope até quinta-feira, não estava no local na hora do tiroteio.
Santiago foi ferido por volta das 7h30, quando estava na movimentada esquina da ruas São Francisco Xavier e Conde de Bonfim. Ele estava no carro descaracterizado da polícia, aguardando Pinheiro Neto, quando viu o momento em que dois homens anunciaram o assalto a um casal num Gol preto, parado no sinal fechado. Santiago reagiu, mas comparsas dos assaltantes fizeram cinco disparos na direção do cabo – um tiro na cabeça. Os criminosos fugiram no carro do casal. Houve pânico e correria dos pedestres que estavam próximos do local.
“Eu escutei vários tiros e, quando voltei, o vi deitado no chão, no meio da pista. Ele agiu como policial. Procurou defender aquelas pessoas que estavam sendo agredidas. O que ele não contava era com a cobertura. Tudo está levando a crer que havia cobertura”, disse Neto.
A PM informou inicialmente que o cabo havia sido atingido por dois tiros – na nuca e na cabeça. Mas segundo os médicos do Hospital Municipal Souza Aguiar, para onde foi levado, Santiago foi ferido por uma bala que provocou danos em vários pontos do cérebro. Ele passou por nove horas de cirurgia, está na Unidade de Terapia Intensiva e seu estado é gravíssimo.
Policiais do 6º Batalhão (Tijuca) e do Bope fizeram operação no Morro do Turano e no Morro da Chacrinha para tentar recuperar o carro roubado e localizar os criminosos. Lúcio Carlos Rodrigues da Silva, 31 anos, foi atingido por um tiro de fuzil no peito e morreu no Hospital Souza Aguiar. Um carro e uma pistola foram apreendidos no início da tarde.