Após um caso semelhante ocorrer em setembro, mais um paciente com deficiência mental teve todos os seus dentes arrancados depois de uma visita rotineira ao dentista do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), na área central de Brasília. O caso é investigado pela Polícia Civil e pela Secretaria da Saúde da capital federal.
Roberto Carlos Pinto Duarte, de 35 anos, também com limitações mentais, foi levado pela mãe, Ita Pinto Duarte, ao hospital para retirar apenas dois dentes, mas teve 28 arrancados
O caso teria ocorrido há cerca de dois meses, antes do registrado com o adolescente César Oliveira Ferreira, de 17 anos, primeiro em que uma família denunciou a extração sem autorização.
No fim de setembro, César, acompanhado de sua mãe, foi ao Hran para retirar um dente e terminou sem nenhum. Foram extraídos 28 dentes saudáveis. O procedimento não foi autorizado pela mãe e o dentista responsável, Wilson Oliveira, está sendo processado por lesão corporal gravíssima e pode pegar até oito anos de prisão.
Até agora, as informações obtidas pela polícia e pela Secretaria da Saúde do Distrito Federal dão conta de que Wilson também seria o responsável por ter arrancado os dentes de Roberto, também saudáveis.
Roberto, que tem a idade mental de um menino de 5 anos, teria ido ao hospital com a mãe para retirada de dois dentes. Ita, que é analfabeta, disse à polícia que a fizeram assinar um documento de autorização, mas sem explicar do que se tratava.
Ao sair com o filho do consultório, Roberto já estava sem todos os dentes. Ela teria dito também que o dentista responsável era Wilson Oliveira, que não foi encontrado. Em nota, a Secretaria da Saúde do DF confirma que teria sido Oliveira o responsável pelos dois atendimentos e que ele continua afastado do Hran desde o dia 19 do mês passado.
A denúncia também foi encaminhada ao Ministério Público do Distrito Federal e ao Conselho Regional de Odontologia, instâncias que podem punir o dentista e proibi-lo de exercer a profissão.