Nove dias após o acidente de trem que deixou oito mortos e 101 feridos em Austin, distrito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, parentes e amigos das vítimas realizaram uma manifestação hoje (07) pela manhã, próximo ao local do acidente. Os manifestantes fizeram uma homenagem às vítimas da tragédia e pediram mais segurança na linha férrea, além da construção de um viaduto que melhoraria o trânsito da localidade.


Muita emocionada, Maria Aparecida Pedrosa, que perdeu o único filho, Renan, de 18 anos, lamentou o acidente e era uma das mais revoltadas na manifestação. “Como vou viver agora? Ele era tudo na minha vida. Era meu amigo, meu confidente”, afirmou. Já o autônomo Marcelo Castro, morador da região, defendeu a construção de um viaduto para tornar o trânsito mais seguro. “Acho que seria essencial para gente”, disse.


O presidente do Sindicato dos Ferroviários do Rio, Valmir Lemos, informou que, na próxima segunda-feira (10), os trabalhadores da ferrovia entrarão em operação-padrão, em protesto contra os rumos das investigações que apontam para falha humana. De acordo com Lemos, os trens trafegarão dentro da velocidade máxima permitida. Segundo ele, os maquinistas são pressionados a viajar em alta velocidade, para cumprir horários determinados pela Supervia.


Com a operação-padrão, alguns trajetos poderão ser cumpridos com mais de uma hora de atraso. Os ferroviários reivindicam melhores condições de segurança em seu trabalho. “Melhor ter um atraso agora do que tirar a vida do ferroviário e dos passageiros”, concluiu Lemos.


A Supervia informou que só se manifestará a respeito da operação-padrão na segunda-feira, quando está prevista uma entrevista coletiva para divulgar o resultado da perícia feita por comissão interna da empresa. Dos 101 feridos no acidente, seis permanecem internados.