central de libras de Curitiba
Central de libras ajuda na acolhida de migrantes surdos atendidos pela Administração Regional Bairro Novo. Casal de bolivianos Emily Ruth Gonzalez Rivais, Julio Alejandro Rojas Caballero e o filho brasileiro Felipe, de 2 anos. – Curitiba, 10/06/2024. (Daniel Castellano/SMCS)

Central de Libras (Língua Brasileira de Sinais) da Prefeitura atua em Curitiba tem um trabalho que vai muito além das palestras e espetáculos do calendário de Natal. Como o papel principal é a inclusão de surdos à sociedade, o trabalho da equipe se estende também às salas de parto. Três intérpretes de libras prestam o serviço à comunidade há dez anos. 

A Central tem como base o Departamento dos Direitos da Pessoa Com Deficiência (DPCD). Além de eventos públicos, para facilitar a interação entre surdos e ouvintes, elas também estão em situações especiais.

Curitiba tem 80 mil surdos

Curitiba soma cerca de 80 mil surdos – 20% das pessoas com algum tipo de deficiência que moram em Curitiba. Para fazer frente à demanda criada por esse público, a Central de Libras realiza atualmente cerca de 10 mil atendimentos por ano – todos grátis e disponíveis para agendamento.  “É uma marca respeitável para quem começou fazendo três atendimentos por semana”, compara a diretora do DPCD, Denise Moraes.

Para a comunidade surda

“É só chamar que a gente vai”, diz a intérprete de Libras Sandra Mathias, que atua desde a criação do serviço ao lado das colegas Lidiane Rozendo e Sônia de Paula. No currículo da Central estão cinco partos. O último aconteceu no Hospital Nossa Senhora de Fátima, a convite do casal surdo Daiara Santos Serpa Bragança e André Brião Bragança, de São José dos Pinhais. 

“É algo inexplicável ser a voz do médico ao dizer para a mãe, com minhas mãos, que seu filho nasceu e ver as lágrimas escorrendo pelo rosto dela, calma e confiante”, diz. A intérprete acompanhou Daiara a partir do sétimo mês de gestação, durante as consultas de pré-natal. “É um trabalho útil tanto para a família quanto para a equipe de saúde que está dando assistência ao parto, um privilégio”, completa.

Libras para migrantes

Outro momento emocionante foi a acolhida de migrantes surdos atendidos pela Administração Regional Bairro Novo. A Central foi acionada, via DPCD, para ajudar no atendimento da boliviana Emily Ruth Gonzalez Rivais, que buscava regularizar a documentação e organizar a vida da família no Brasil. Com ela vivem, no bairro Sítio Cercado, o marido Julio Alejandro Rojas Caballero, também surdo, e o filho brasileiro do casal, Felipe, de 2 anos.

Para que não houvesse dúvidas sobre os trâmites, o servidor da Regional Fernando Cogrossi marcou dia e horário com a Central, que enviou Sandra para encaminhar o pedido. “Foi um atendimento muito especial pois, além da barreira da língua, havia a questão da deficiência auditiva”, contou. Para facilitar, Julio se comunica bem em Libras. O serviço coordenado por Cogrossi atende cerca de 30 migrantes por mês.

Até no cemitério

Sempre presentes na vida da comunidade surda, Sandra e as colegas de Central, Lidiane Rozendo e Sônia de Paula, começam uma nova empreitada para ampliar a inclusão dos surdos na vida cultural da cidade. No fim de maio elas passaram a dar suporte às visitas noturnas temáticas pelo Cemitério Municipal.

Até agora houve uma atividade com a presença de pessoa surda. O trabalho é resultado da parceria entre os departamentos de Serviços Especiais, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, e o dos Direitos da Pessoa com Deficiência, da Secretaria Municipal de Governo.

Serviço

Como acionar a Central de Libras da Prefeitura
Por telefone ou mensagem. Anote os números:
41 99251-3009 / 3221-2284
41 98534-2258 / 3221-2261
41 99974-2594 / 3221-2264
Das 8h às 12h e das 13h às 17h
Atendimento grátis