
Quem foi criança na década de 1980 possivelmente experimentou um sorvete de casquinha tirado de uma máquina e que saia lentamente (para a agonia de quem esperava). Tinha vários sabores de xarope, incluindo um exótico de abacate, e as garrafas ficavam sobre a máquina, chamando ainda mais a atenção para o produto. Na época, alguns chamavam de sorvete italiano. Outros já diziam que era sorvete americano. E especialmente nos dias mais quentes, as filas se formavam de forma inevitável.
Passadas tantas décadas, o que muita gente talvez não saiba é que essas máquinas ainda estão por aí em Curitiba. Só na Rua da Cidadania Matriz, por exemplo, há duas ainda em funcionamento. É também possível e até provável que ainda existam outras “escondidas” pela cidade. E a procura continua sendo grande.
Lucimara Lopes, por exemplo, cuida de uma das bancas de sorvetes que fica na Rua da Cidadania Matriz, junto com o marido e o sobrinho. Eles estão ali há 27 anos, desde quando foi inaugurada a Rua da Cidadania, no dia 15 de maio de 1997. E até hoje, a formação de fila com sedentos por uma casquinha (principal pedida dos clientes) é algo corriqueiro nos dias de calor. Mas mesmo nos dias de frio e inverno ainda há quem tope encarar um sorvete, conta ela.
“Esse ano está sendo bom, fez muito calor até aqui e isso ajuda. No inverno a coisa já é mais devagar, mas mesmo com frio o pessoal chupa ainda. Então mesmo no inverno a gente tem demanda”, relata Lucimara, contando que nos dias de mais calor pelo menos 100 pessoas chegam a passar pela banca para pedir um sorvete. A casquinha custa R$ 4; o cascão, R$ 5; e o sorvete no copo varia de R$ 4 a R$ 6. Os sabores mais pedidos são os de uva e de morango, mas quem quiser também pode experimentar as opções de abacaxi, abacate e milho verde.
“Se faz um calorzinho, dá para ganhar um dinheirinho. Nosso horário de pico é no almoço. O pessoal vem almoçar aqui na Rua da Cidadania e já passa aqui para pegar a sobremesa”, diz ela, citando ainda que a maior parte dos clientes já fica encantada ao ver a nostálgica máquina de sorvete. “O pessoal vem aqui, vê essas máquinas mais antiguinhas e já se encantam. Eles dizem que o sorvete nosso tem o gostinho da infância. E olha, eu acho que gostam mesmo, porque as vezes faz fila aqui e o povo fica esperando, não reclama.”
