A Comissão da Mulher Médica e da Comissão de Prevenção à Violência Contra o Médico do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) iniciou uma nova campanha de conscientização, com foco no combate à violência contra a mulher médica. Nesta semana, uma médica e uma técnica de enfermagem foram agredidas por uma paciente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Afonso Pena, em São José dos Pinhais. O CRM-PR emitiu nota repudiando o ocorrido e informando a respeito das medidas tomadas.
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De acordo com dados da Comissão de Prevenção à Violência Contra o Médico, neste ano até o momento, já foram registradas 97 denúncias de violência sofrida por médicos e médicas em ambientes de saúde no Paraná. Desse total, a maior parte das agressões foi cometida contra uma profissional mulher (63%). Além disso, a maioria das ocorrências se deu em instituições públicas de saúde (82%). Entre os tipos de violência sofrida estão agressão verbal, assédio moral, abuso de poder político e intimidação e agressão psicológica.
Em levantamento realizado pelo CRM-PR entre abril e junho de 2024 junto aos médicos inscritos no Paraná, 82% afirmaram que sofreram algum tipo de violência no exercício da profissão. Do total, 54% eram mulheres médicas, sendo a maior parte das ocorrências localizadas no serviço público (68%).
Violência na medicina: campanha contra agressões
A campanha, lançada nos canais oficiais da autarquia, faz um alerta diante dos casos de agressão e violência ocorridos especialmente em ambientes de Saúde. “A atual campanha do CRM-PR reforça o trabalho que temos desenvolvido desde o início do ano, quando lançamos a campanha ‘Chega de Agressão Contra os Médicos’. Diante da urgência a respeito desse preocupante cenário de violência contra a mulher, que se espelha também no dia a dia dos serviços de saúde, percebemos a necessidade de continuar e expandir esse assunto em nossos canais”, explica o vice-presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella.
Violência contra a mulher
De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, sete mulheres são assassinadas por dia em todo o País, o que corresponde a uma taxa de 2,22 vítimas a cada 100 mil mulheres. Além disso, em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídio, o que significa que 4 mulheres foram mortas por dia apenas pelo fato de serem mulheres.
No Paraná, mais de 90 mil boletins de ocorrência envolvendo violência contra a mulher e 30 mil relacionados à violência doméstica foram registrados entre janeiro e maio de 2024. Em Curitiba, os números de violência doméstica contra a mulher chegaram a 3.800 no mesmo período, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP).
Em relação aos feminicídios, foram 69 mortes no primeiro semestre. Somados aos outros 99 casos de violência que não resultaram na morte das vítimas, o Paraná acumulou 168 ocorrências no período, segundo maior número dentre os estados brasileiros no semestre, atrás apenas de São Paulo. Em todo o País, foram 2007 casos registrados entre 1º de janeiro e 30 de junho. Os dados são do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Nova pesquisa
Para atualizar e avançar nos dados relativos à violência contra médicos e médicas no Paraná, o CRM-PR lançará, em breve, nova pesquisa que será enviada aos e-mails de cadastro dos médicos com registro ativo no Conselho.
“A partir desses dados, conseguiremos comparar padrões e frequências de violência entre gêneros, identificar aspectos comuns e específicos, e fornecer dados sólidos para a formulação de ações de prevenção, apoio e proteção adequadas a cada realidade”, destaca a coordenadora da Comissão da Mulher Médica do CRM-PR, Andréa Regina Baréa Hartmann.
A pesquisa, realizada de forma conjunta com a Comissão de Prevenção à Violência Contra o Médico, tem como objetivo mapear a prevalência, tipos e impactos da violência contra médicos e médicas no Paraná, além de identificar diferenças de ocorrência e características entre gêneros.
“A partir desses dados, poderemos embasar futuras campanhas educativas e preventivas. Também serão de grande importância para subsidiar propostas legislativas que instituam medidas protetivas no âmbito estadual”, destaca a membra da Comissão da Mulher Médica, Ana Paola Vargas Baptistella.