Política Apologia de drogas

Câmara de Curitiba decide na segunda sobre denúncia que pode levar à cassação de vereadora. Entenda

CMC, editada por Josianne RItz
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Vereadora esclareceu sobre a audiência pública que debateu o sistema de segurança, sáude e política de drogas. (Foto: Carlos Costa/CMC)

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) decidirá na próxima segunda (11) se dará sequência ao procedimento que apura suposto cometimento de infração ético-disciplinar por parte de Professora Angela (PSOL). A vereadora é acusada de ter feito apologia ao uso de drogas ao distribuir material impresso durante audiência pública na Casa. A denúncia pode resultar na cassação do mandato da parlamentar. Ela nega as acusações e afirma que a cartilha “divulga e introduz brevemente a estratégia do uso de redução de danos com foco em quem já faz o uso das substâncias”. 

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A denúncia contra a vereadora Professora Angela foi formalizada pela Corregedoria da Câmara, após a conclusão de uma sindicância. No documento, o vereador corregedor, Sidnei Toaldo (PRD), conclui, que há indícios de violação do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Curitiba, com base em representações apresentadas pelos vereadores Da Costa (União) e Bruno Secco (PMB), e diante dos “indícios do fato e da conduta”, classificado como infração ético-disciplinar punível com suspensão ou cassação de mandato.

Também no relatório da conclusão da sindicância, Toaldo informa o encaminhamento da decisão para o plenário da Câmara, a fim de que sejam instaurados os procedimentos previstos no Decreto-Lei nº 201/1967, “assegurando-se à vereadora representada o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa”. O Decreto-Lei é uma norma federal que tipifica as infrações político-administrativas sujeitas ao julgamento da Câmara de Vereadores e puníveis com a cassação do mandato.

As representações dos vereadores foram inicialmente admitidas pela Mesa Diretora, que entendeu estarem presentes os requisitos mínimos de admissibilidade, como indícios de autoria, provas de materialidade e a tipicidade formal das condutas narradas. A análise feita pela Mesa, no entanto, não tratou do mérito das acusações e limitou-se a verificar se as representações cumpriam os requisitos formais para seguirem à apuração pela Corregedoria, por meio de sindicância, conforme determina o Regimento Interno da Câmara.

Como será o rito na segunda-feira sobre cassação de vereadora?

De acordo com o Decreto-Lei, o presidente da Câmara Municipal deve, após o recebimento da denúncia, determinar sua leitura logo na próxima sessão e consultar o plenário sobre o seu recebimento ou não, mediante o voto da maioria simples (metade mais um) dos vereadores presentes.

Caso haja o recebimento da denúncia, na mesma sessão será constituída uma Comissão Processante, com três vereadores, que serão sorteados entre os parlamentares desimpedidos. Formado o colegiado, na sequência, os três membros elegerão entre si o presidente e o relator. No caso de não recebimento pelo plenário, a denúncia será arquivada.

Estarão impedidos de votar o recebimento da denúncia, integrar a Comissão e participarem da Processante e de um eventual julgamento os vereadores Sidnei Toaldo (PRD), Da Costa (União) e Bruno Secco (PMB), por serem os responsáveis pelas acusações. Em função dos impedimentos – e apenas para a votação da admissibilidade da denúncia e eventual julgamento – serão convocados os respectivos suplentes dos vereadores, que não poderão integrar a Comissão Processante.

Quais são os próximos passos caso haja o recebimento da denúncia?


Comissão é acionada (até 5 dias)

  1. Parecer inicial da comissão (até 5 dias após a defesa)

Instrução do processo (se houver prosseguimento)

Direitos do denunciado durante a fase de instrução

Razões finais e parecer final

Sessão de julgamento

Votação e resultado

Relógio correndo: prazo máximo

O lado da vereadora ameaçada de cassação

Durante a sessão de 6 de agosto da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), a vereadora Professora Angela (PSOL) prestou esclarecimentos sobre a audiência pública que debateu sobre o tema “Sistema de Segurança Pública, Saúde e Políticas de Drogas para a Cidade de Curitiba”, promovida pela parlamentar no dia 5, na qual foi distribuído material orientativo sobre a estratégia de redução de danos para usuários de drogas. “Foi um encontro riquíssimo que contou com especialistas, ativistas e movimentos sociais da cidade que discutem os problemas gerados pelo proibicionismo”, explicou.

A parlamentar disse falar com “bastante tranquilidade”, por ter “plena certeza” de que nada do que ocorreu na audiência pode ter ferido o decoro parlamentar e recordou que a realização do debate foi aprovada no plenário da Câmara Municipal “exatamente com esse nome”. O objetivo do encontro foi promover um debate amplo e aberto, prosseguiu Professora Angela, que relatou também ter convidado o comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná, o superintendente da Guarda Municipal de Curitiba, o presidente da Fundação de Ação Social, e o secretário de Estado de Segurança Pública.

“É importante salientar que eu sou uma defensora de uma nova política de drogas, que não acredito que seja apenas um assunto de polícia, mas sim de saúde, direito, liberdade e autonomia. Fui eleita com essa pauta e muito me orgulha representar a luta antiproibicionista na Câmara de Vereadores”, argumentou.