Moro (Franklin Freitas)

O ex-juiz e senador eleito Sergio Moro (União Brasil) criticou a proposta do governo Lula de criação de uma moeda comum para transações comerciais entre o Brasil e a Argentina. No twitter, Moro afirmou que a iniciativa apenas esconde a falta de projeto do governo do PT para a economia brasileira.
“Propor moeda comum com a Argentina é cortina de fumaça para a inexistência, até o momento, de qualquer projeto substancial para a economia brasileira e ilustra que o Governo do PT segue sem rumo”, escreveu.
Moro tem feito frequentes críticas ao governo do PT nas redes sociais. O senador eleito já afirmou que pretende ser um dos líderes da oposição ao governo Lula no Congresso. Na semana passada, ele também condenou a proposta do governo federal de mudar a lei das estatais.
“Novo governo, velhas ideias. A resposta do PT aos problemas do país parece sempre ser o aumento do loteamento político. Cargos públicos para a companheirada. Serei oposição a mais essa infame proposta no Senado”, alegou.
Segundo o governo federal, as equipes econômicas de Brasil e Argentina trabalharão em uma proposta de criação de uma moeda comum que possa ser usada nos fluxos comerciais e financeiros. O objetivo seria reduzir custos operacionais e a dependência de moedas estrangeiras.
Em declaração ontem, em Buenos Aires, na Argentina, Lula disse que isso será feito “com muito debate e muitas reuniões”. “É o que vai acontecer”, disse ele. “Se dependesse se mim, a gente teria comércio exterior sempre nas moedas dos outros países, para não precisássemos ficar dependendo do dólar”, argumentou o presidente.
Segundo Lula, muitos países têm dificuldade de adquirir dólar, e isso impede que acordos aconteçam. “Deus queira que nossos ministros e presidente de bancos centrais tenham a inteligência, a competência e a sensatez necessária para que a gente dê um salto de qualidade nas nossas relações comerciais e financeiras”, completou o presidente.
Lula se reuniu com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, na Casa Rosada, sede do governo do país. Segundo o mandatário argentino, ainda não sabe como essa moeda funcionaria, mas é preciso “coragem de mudar”. “Mas, sim, sabemos o que acontece com as economias nacionais tendo a necessidade de funcionar com moedas estrangeiras e sabemos como isso é nocivo”, disse Fernández.
Essa é a primeira viagem internacional de Lula após tomar posse no cargo. A visita, a convite do presidente Fernández, marca a retomada da relação entre os dois países, após período de distanciamento entre os governos. Após a reunião bilateral, os presidentes assinaram uma declaração conjunta abrangente em diferentes áreas.