Um aluno percebe na hora do intervalo que o seu lanche não veio na bolsa. A criança não consegue contar para a professora que esqueceu e fica sem comer. Chegando em casa a mãe percebe que ela está com mais fome que o habitual e pergunta o que aconteceu. A resposta vem depois de muita insistência e com vergonha.

Esse pode parecer um exemplo banal, mas reflete com fidelidade o cenário de muitas salas de aulas pelo mundo. Crianças e adolescentes que têm receio de falar, medo de se expor e que consideram as redes sociais como seu principal meio de comunicação. Estas questões precisam ser trabalhadas em casa ou na escola?

Pensar sobre a escola e qual seu papel na vida da criança é um tema que está sempre em discussão e é pautado pela proposta pedagógica de cada instituição e as realidades em que seus estudantes estão inseridos. São muitas as possibilidades de se chegar à construção do conhecimento, no entanto o desafio está em decidir quais ferramentas serão utilizadas para que isso ocorra.

E dentre tantas formas de ensinar, olhar para quem é nosso aluno e o comportamento que ele tem como indivíduo já não é somente um cuidado a mais, mas sim parte da vida escolar. O mundo mudou e a escola também precisa mudar. Ensinar é a vocação, mas entendê-los tornou-se fundamental para conseguir prepara-los para o futuro, para se comunicar com esse novo mundo.

Sabemos que a principal função da escola é ensinar e isso não é discutível, mas quando o aluno chega à sala, o mesmo chega por inteiro. Questões familiares, de amizade, mudanças hormonais, entre outras, estão intrínsecas em seu dia a dia, e trabalhar com isso traz grandes benefícios, tanto para o aluno, quanto para a Escola.

Ensinamos o aluno a resolver seu problema? A respeitar as diferenças? Isso pode ser ensinado? A resposta é sim! Hoje o papel da Escola vai muito além de ensinar conteúdos e prepara-los para passar de ano, no Enem e no vestibular. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais, de relacionamento e a individualização precisam ser incorporadas ao programa escolar.

A escola pode e deve ser um ambiente para que este aluno se desenvolva emocionalmente. E o trabalho com os professores para isso ocorra é fundamental. Somente com a capacitação deles e a aproximação com os alunos é que a comunicação se dará. Um ambiente de respeito e acolhimento está diretamente ligado à compreensão efetiva do conteúdo, porque aprender num ambiente no qual a opinião de todos é importante, tornará este aluno seguro de si, de suas escolhas e principalmente da forma como enxerga seu próximo.

Do contrário seguiremos no cenário proposto no primeiro parágrafo com adultos inseguros para dar um passo à frente e enfrentar o seu futuro.

Carolina Paschoal é diretora da Escola Pedro Apóstolo