Rovena Rosa/Agência Brasil – Lula

É triste demais, é trágico para o Brasil, ver um ex-presidente da República atrás das grades, preso, condenado a mais de 10 anos de prisão. Não quero nem vou entrar no mérito da discussão insana travada entre extremistas de direita e esquerda. Aliás, destes quero distância. Abomino aqueles que soltam fogos ao ver um ex-presidente chegando para cumprir sua pena, mas abomino tanto quanto aqueles que acreditam numa conspiração de tudo e de todos contra Lula e que pressupõem que é só contra o petista. 
Talvez abomine mais ainda o ex-vereador da cidade de Diadema Manoel Eduardo Marinho, conhecido como Maninho, que, acompanhado do filho chamado Leandro, quase matou uma pessoa numa confusão em frente ao Instituto Lula na semana passada. A imagem da covarde agressão foi repetidamente difundida e as cenas fortes chocam. A vítima teve traumatismo craniano. E agora me pergunto: a que ponto chega o ser humano? 
Que radicalização idiota é esta que assistimos todos os minutos nas redes sociais e se materializou da pior forma defronte ao Instituto Lula? Obviamente, penso eu, que Maninho não tenha tido a intenção de matá-lo, mas teve o objetivo sim de agredi-lo. Mas por quê? Porque o homem falou mal de Lula? Isso é motivo? Não há espaço para ideias antagônicas? “Quando todos pensam igual, é porque ninguém está pensando” – frase do jornalista e escritor Walter Lippman.  
A prisão de Lula revela o fracasso e ao mesmo tempo a esperança. Pode parecer uma dicotomia, até concordo, mas faz algum sentido – pelo menos para mim. Senão vejamos. Fracassamos como nação. Ao ver um ex-presidente da República condenado e preso mostra que a corrupção está encalacrada na alta cúpula do poder do país e que caberia a eles reverter este cenário criando leis e mecanismos que pudessem ao menos intimidar os criminosos do colarinho branco. Ao invés disso, assistimos um incômodo silêncio e uma letargia dos nossos governantes em expurgar, ou pelo menos tentar, corruptos e corruptores. Ao contrário, vemos cada vez mais e mais políticos enrolados com a Polícia Federal e com a Justiça. E deixa-se de lado a essência do problema e as diversas formas de evitá-lo. 
Fracassamos no sistema político atual que torna qualquer presidente da República refém do Congresso Nacional ou seremos governados por infindas medidas provisórias que lá na frente, certamente, sua essência será deturpada, qual seja, aplicá-la em casos de relevância e urgência. 
Ao mesmo tempo em que assistimos impávidos nossos fracassos, a prisão de Lula representa sim uma esperança. Aguardamos com expectativa os desdobramentos das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e, principalmente, a reverberação no Judiciário e no Congresso. E quando temos um ex-presidente da República preso, cumprindo pena, o recado é bem direto: ninguém está acima da lei.    
Nunca antes neste país, parafraseando Lula, vimos tantos políticos enrolados em investigação. Tantas denúncias contra pessoas com foro privilegiado. Obviamente, que o andamento dos processos na Justiça está longe do ideal, mas a prisão de Lula representa sim um marco na história brasileira. O povo brasileiro quer pessoas da esquerda, da direita e do centro presos, independente da cor partidária.