Política em Debate Eleições 2022

Barrado em SP, Moro pode disputar o Senado pelo Paraná com o ‘ex-padrinho’ Alvaro Dias

Redação Bem Paraná

Antonio Cruz/ Agência Brasil - Moro (União Brasil): ex-juiz pode ter que bater de frente com senador que o levou para a política

Depois de ter sua transferência de domicílio eleitoral rejeitada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE/SP), o ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sergio Moro (União Brasil), pode acabar disputando uma vaga no Senado contra o “ex-padrinho” político, o senador e pré-candidato à reeleição, Alvaro Dias (Podemos). A entrada de Moro no páreo representaria uma grave ameaça a Alvaro, que busca o quarto mandato para o cargo que já ocupa há 30 anos.

Na terça-feira, o TRE acatou ação do PT paulista, anulando a transferência de domicílio eleitoral do ex-juiz sob o argumento de que o ex-juiz não tem vínculos com São Paulo. Com isso, Moro ficou impedido de tentar concorrer ao Senado pelo estado vizinho. A saída, agora, seria disputar a eleição por seu estado de origem. Para isso, porém, ele terá que bater de frente com Alvaro, responsável por sua entrada na política.

Nas eleições de 2018, quando disputou a presidência da República, Alvaro chegou a anunciar que, se eleito, convidaria Moro para ser ministro de seu governo. Com a eleição de Jair Bolsonaro (PL), o ex-juiz acabou assumindo o Ministério da Justiça do novo governo, de onde saiu após um ano e quatro meses, acusando o presidente de tentar interferir em investigações da Polícia Federal contra sua família.

Em novembro de 2021, Moro se filiou ao Podemos com o aval de Alvaro, como pré-candidato à Presidência. Em março, porém, o ex-juiz deixou o partido para se filiar ao União Brasil, sob o argumento de que o Podemos não estaria disposto a bancar sua candidatura à sucessão de Bolsonaro.

Só que o União Brasil também barrou as pretensões do ex-juiz, lançando a pré-candidatura ao Planalto do presidente nacional do partido, Luciano Bivar. E Moro, que havia transferido o domicílio eleitoral para São Paulo, passou a dizer que disputaria o Senado pelo estado vizinho.

Com a decisão do TRE, restou ao ex-juiz tentar uma candidatura pelo estado de origem. O problema é que além de ter que disputar uma vaga com o antigo “padrinho” político, Moro também enfretará resistência do União Brasil, que no Paraná, é presidido pelo deputado federal Felipe Francischini, filho do deputado estadual cassado Fernando Francischini – que na prática, continua comandando a sigla.

Francischini é aliado de Bolsonaro – com quem Moro rompeu – e que já lançou o deputado federal Paulo Eduardo Martins (PL) como pré-candidato ao Senado pelo Paraná. Além disso, o deputado cassado também é aliado do governador e pré-candidato à reeleição, Ratinho Júnior (PSD), que já anunciou a intenção de apoiar a reeleição de Bolsonaro, e por consequência, a pré-candidatura de Martins a senador. E dificilmente o União Brasil dará legenda para o ex-juiz disputar o cargo. Restaria a Moro a opção de concorrer à Câmara Federal, o que ele já disse que não quer.