Rodrigo Fonseca/CMC

A juíza Patricia de Almeida Gomes Bergonse, da 5ª Vara da Fazenda, acatou um pedido da defesa do vereador Renato Freitas (PT) e determinou que a Câmara de Curitiba anexe novos documentos à sindicância que investiga um e-mail criminoso contra o vereador. O e-mail, que continha mensagem racista, vinha de um endereço oficial da Câmara como remetente. A Corregedoria da Casa encerrou as investigações garantindo que o e-mail partiu de um serviço anônimo na República Tcheca.

A defesa de Renato Freitas alegou que a Corregedora da Câmara, vereadora Amália Tortato (Novo), não apensou ao processo nenhum documento do Serpro, o serviço federal que abriga o site e os e-mails da Câmara, para mostrar que a mensagem não transitou pelo servidor interno. E, de acordo com a decisão da juíza, sem o documento a sindicância está incompleta.

No dia 9 de maio, na véspera da votação pelo plenário do pedido de cassação, Freitas recebeu um e- com ameaças e ofensas racistas. “Eu não tenho medo de você ou dos esquerdistas vagabundos que te defendem, seu negro”, diz o e-mail. “Já metemos pressão na Indiara Barbosa e na Noêmia Rocha (…) A câmara de vereadores de Curitiba não é o seu lugar, Renato. Volta para a senzala. E depois de você vamos dar um jeito de cassar a Carol Dartora e o Herivelto. Vamos branquear Curitiba e a região Sul queira você ou não. Seu negrinho”, escreveu o remetente. O julgamento ficou suspenso pela Justiça até que a Câmara encerrasse a sindicância, o que aconteceu em 6 de junho. 

Freitas é alvo de um processo de cassação de mandato pela participação em uma manifestação antirracista no dia 5 de fevereiro, na Igreja do Rosário O Conselho de Ética decidiu pela aprovação de uma recomendação de perda de mandato, por 5 votos a 2, mas o caso não foi a plenário por causa de decisões da Justiça.