O ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) evitou hoje comentar sobre a possibilidade de disputar o Senado com seu “ex-padrinho” político, o senador e pré-candidato à reeleição, Alvaro Dias (Podemos). Moro alegou ser “prematuro” fazer uma avaliação sobre isso, e argumentou ainda que o próprio Alvaro também estaria indeciso sobre disputar a reeleição.
“Acho prematuro fazer qualquer juízo de valor em relação ao senador Alvaro Dias, uma pessoa que eu respeito. Mas eu não estou definido ao que vou concorrer. E tampouco ele. O que eu ouço da política é que tampouco ele está decidido se vai ou não concorrer à reeleição para o Senado”, afirmou.
Alvaro Dias foi o responsável por levar Moro a voltar ao Brasil e se filiar ao Podemos como pré-candidato à Presidência da República. Em 2018, quando foi candidato a presidente, o senador chegou a afirmar que, se eleito, convidaria o então juiz da Lava Jato para ser ministro. Com a vitória de Jair Bolsonaro (PL), Moro acabou virando ministro da Justiça, mas deixou o cargo um ano e quatro meses depois, acusando o presidente de tentar interferir em investigações da Polícia Federal contra ele e sua família. Desde então, o ex-juiz e o presidente se tornaram desafetos e adversários políticos.
Governo do Estado – Moro também desconversou ao ser questionado sobre a possibilidade de apoiar a reeleição do governador Ratinho Júnior (PSD). “É muito prematuro qualquer decisão sobre isso. Tenho respeito pelo governador Ratinho Jr. Tenho um bom relacionamento com ele”, alegou.
Ratinho Jr já anunciou a intenção de apoiar a reeleição de Bolsonaro, em troca do apoio do presidente a ele no Estado. O grupo de Bolsonaro tem como pré-candidato ao Senado o deputado federal Paulo Eduardo Martins (PL).
O deputado federal Ney Leprevost (União Brasil) – que foi secretário da Justiça, Família e Trabalho do governo Ratinho Jr – confirmou que o partido tem intenção de apoiar a reeleição do governador, mas alegou que a sigla só deve procurá-lo para conversar sobre isso depois que Moro definir qual cargo pretende disputar. “Nós vamos consultar o partido, o Sergio Moro vai conversar com as bases, e quando ele tomar a decisão do que ele quer ser, nós marcaremos uma reunião com o governador”, explicou.
“É evidente que é desejável uma aliança com ele. Mas nós vamos pedir a ele um tempo para que o Sergio Moro possa ouvir o partido e a voz das ruas para na sequência conversar com ele. Não podemos, em hipótese alguma, descartar a possibilidade do governador ter uma aliança com o Moro”, disse Leprevost. “Uma coisa eu posso garantir: o Ratinho Jr não será um opositor da candidatura do Sergio Moro caso ele opte por disputar o Senado. Mas nós queremos mais que isso: se o Sergio Moro optar por disputar o Senado, nós queremos não só uma aliança mas o apoio do governador”, disse o parlamentar.