Rodrigo Fonseca/CMC – Renato Freitas (PT): vereador diz que resultado de investigação da Corregedoria é “insuficiente”

Alvo de um processo de cassação de mandato pela participação em uma manifestação antirracista no dia 5 de fevereiro, na Igreja do Rosário, o vereador Renato Freitas (PT) defendeu hoje em plenário que a sindicância da Corregedoria da Câmara Municipal de Curitiba sobre a origem do e-mail racista enviado a ele foi insuficiente. A sindicância concluiu que o e-mail foi forjado a partir de um domínio na República Tcheca e não partiu da Câmara. Também apontou que a mensagem não foi enviada pelo relator do processo contra Freitas, vereador Sidnei Toaldo (Patriota).

“A partir da investigação, soube-se que o IP, que o número foi mascarado. Em um exercício de exclusão de autoria hipotética, chegou-se a conclusão que não teria sido o vereador (Toaldo), que o e-mail partiu da Europa Central. Conclusão apressada, pois deveria haver uma pesquisa reversa, ou pelo menos ser acionado o Serpro, mas não foi acionado. A Corregedoria não acessou o computador do vereador Sidnei Toaldo para conferir informações básicas. Não foi feita perícia. No nosso, foi; mas no dele não foi feita”, criticou o vereador.

“A mídia está dando a entender que temos envolvimento em um e-mail que profundamente nos ofende. Somos vítimas de um crime de racismo. Nós fomos os principais prejudicados por esse e-mail”, protestou Freitas, opondo-se às alusões que seu mandato teria forjado a mensagem racista.

O vereador diz que esse raciocínio é usado para “fundamentar a perseguição política” que ele afirma sofrer na Câmara. Ele disse que registrou Boletim de Ocorrência no Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber) da Polícia Civil e espera um desfecho para a autoria, pois lá “tem o equipamento tecnológico suficiente para descobrir”.

Ao final da sessão, a corregedora da Câmara Amália Tortato (Novo), rebateu as críticas de Freitas à sindicância. Primeiro, negou que tenha havido perícia do computador do parlamentar, informando que apenas acessaram o e-mail e copiaram os metadados, com a supervisão do mandato. Depois, que a Câmara contatou o Serpro e que foi o órgão federal que informou não ter havido nem mensagens de Toaldo para Freitas no horário do disparo, nem acesso ao e-mail no mesmo período. “A sindicância foi feita de forma técnica e imparcial”, garantiu Amália Tortato.

No dia 9 de maio, na véspera da votação pelo plenário do pedido de cassação, Freitas recebeu um e- com ameaças e ofensas racistas. “Eu não tenho medo de você ou dos esquerdistas vagabundos que te defendem, seu negro”, diz o e-mail. “Já metemos pressão na Indiara Barbosa e na Noêmia Rocha (…) A câmara de vereadores de Curitiba não é o seu lugar, Renato. Volta para a senzala. E depois de você vamos dar um jeito de cassar a Carol Dartora e o Herivelto. Vamos branquear Curitiba e a região Sul queira você ou não. Seu negrinho”, escreveu o remetente.

O Conselho de Ética da Câmara recomendou a cassação de Freitas, mas a Justiça suspendeu a votação, marcada inicialmente para 19 de maio, até a conclusão da sindicância.