Você sabe o que é esclerose múltipla?

Bem Paraná

A esclerose múltipla é uma doença com muitas peculiaridades e, cada vez mais, tem se abordado este tema. Apesar da maior difusão, ainda existem confusões com outras duas doenças, em relação ao nome. Os antigos chamavam as pessoas com pouca memória de esclerosadas. Apenas posteriormente, com os estudos, surgiu o termo Alzheimer. O outro equívoco é com a esclerose lateral amiotrófica (ELA), que também é uma doença grave e com sintomas um pouco semelhantes, porém que atingem populações diferentes. No entanto, a principal diferença é que a ELA não tem tratamento, enquanto a esclerose múltipla tem inúmeros tratamentos e eficientes.

A esclerose múltipla afeta, mais frequentemente, populações de latitudes altas. Isto é, em regiões mais frias a prevalência é maior. Na Europa e Estados Unidos, a doença é bem mais frequente do que no Brasil, por exemplo. Atinge especialmente as mulheres jovens, na faixa etária de 20 a 40 anos, uma fase muito produtiva da mulher, inclusive no assunto fertilidade. É uma doença autoimune, fazendo com que o sistema de imunidade da pessoa reaja ao próprio organismo, causando lesões graves no sistema nervoso central.

Na prática, o organismo confunde a capa dos axônios, chamada bainha de mielina, com um agente nocivo, lesionando-a e causando sintomas multivariados, tais como cegueira unilateral, paralisia dos membros inferiores e até lesão que se assemelha a um acidente vascular cerebral (AVC). Estes eventos são normalmente repentinos e melhoram gradativamente. Com o passar dos anos e dependendo do perfil da doença do portador — às vezes mais suave ou mais grave — aparecem as sequelas, principalmente motora e de equilíbrio. Mas, atualmente com todas as estratégias modernas de tratamento, as sequelas aparecem cada vez menos.

O diagnóstico desta doença se baseia em sintomas clínicos característicos, além da ressonância magnética nuclear, exame que se assemelha a tomografia computadorizada, exceto pelo uso da energia eletromagnética para produzir as imagens, no lugar do raio X. As imagens são bem especificas para o diagnóstico. Neurologistas em geral não tem dificuldade para identificar a doença.

O tratamento da doença é voltado para equilibrar o sistema imune e existem várias opções terapêuticas: os mais antigos são os imunomoduladores (interferons, glatiramer), que são medicações injetáveis. Já os mais modernos podem ser injetáveis, como natalizumab, alentuzumab e aqueles que são de via oral, como o fingolimod, teriflunomida, estes últimos lançados no mercado brasileiro.

Dr. Cleverson de Macedo Gracia, neurologista do Hospital VITA Curitiba.