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As maiores bilheterias de 2009 nos cinemas

29 dezembro, 2009 às 23:19  |  por wikerson

O ano de 2009 está indo embora, mas vai deixar saudade pelo menos para os produtores de Hollywood. Com mais de US$ 10 bilhões arrecadados nas bilheterias o cinema norte-americano bateu todos os seus recordes de faturamento. De quebra, no último final de semana do ano, a arrecadação de US$ 250 milhões foi a maior da história do país em um único final de semana.

Mas quais foram os melhores? Quem mais se destacou? Confira o Top 10 das bilheterias mundiais em 2009.

1 – Harry Potter e o Enigma do Príncipe – US$ 924,4 milhões
2 – A Era do Gelo 3 – US$ 883,7 milhões
3 – Transformers – A Vingança dos Derrotados – US$ 835,0 milhões
4 – 2012 – US$ 734,3 milhões
5 – Up – Altas Aventuras – US$ 683,0 milhões
6 – Lua Nova – US$ 663,4 milhões
7 – Avatar – US$ 643,0 milhões
8 – Anjos & Demônios – US$ 485,9 milhões
9 – Se Beber, Não Case – US$ 459,4 milhões
10 – Uma Noite no Museu 2 – US$ 412,7 milhões

As maiores bilheterias no cinema brasileiro em 2009

28 dezembro, 2009 às 22:02  |  por wikerson

O ano de 2009 ficará marcado para o cinema brasileiro por números expressivos. Para se ter uma ideia, dois recordes foram quebrados – o de maior arrecadação de um único filme e maior público do cinema da retomada em um único filme. Nada menos do que 296 filmes passaram pelas telas do cinema brasileiro em 2009. A lista completa você confere aqui no Portal de Cinema.

Mas quais foram os que mais se destacaram? E quanto faturaram os campões de bilheteria? Separamos aqui os cinco mais bem sucedidos em 2009. Se você não vou algum deles, fique atento pois muitos deles já estão disponíveis em DVD e Blu-ray.

5º lugarHarry Potter e o Enigma do Príncipe

A sexta aventura do bruxinho Harry Potter chegou aos cinemas brasileiros na metade do mês de julho e ficou em cartaz em muitas salas até o início do mês de novembro. No total o filme faturou pouco mais de R$ 36 milhões. O suficiente para colocá-lo entre os cinco filmes de maior arrecadação no país em 2009.

4º lugar2012

A mega produção de Roland Emmerich sobre uma possível destruição do planeta estreou no mês de novembro nos cinemas e, em pouco menos de dois meses, subiu rapidamente chegando à quarta posição. O filme ultrapassou a respeitável marca de R$ 40 milhões, número que deve crescer um pouco mas já que o filme ainda está sendo exibido.

3º lugar - Lua Nova

Se com Crepúsculo os vampiros mostraram o seu potencial nas bilheterias, em Lua Nova eles extrapolaram, fazendo com que a saga de Stephenie Meyer se tornasse uma das mais populares do cinema recente. No Brasil o fenômeno não foi diferente e o filme – ainda em cartaz – alcançou a marca de R$ 43 milhões. Além disso o filme conquistou a marca de maior abertura do ano – R$ 13 milhões no final de semana de estreia – e a segunda maior abertura da década.

2º lugarSe Eu Fosse Você 2

Já fazia algum tempo que o cinema nacional não brilhava tanto como em 2009. Se Eu Fosse Você 2 estreou em 01 de janeiro e, durante seis semanas, liderou as bilheterias. A produção dirigida por Daniel Filho foi vista por mais de 6 milhões de pessoas – recorde do cinema da retomada – e faturou a expressiva marca de R$ 50 milhões, garantindo a medalha de prata do ranking.

1º lugarA Era do Gelo 3

Se no início do ano você perguntasse para qualquer pessoa do mercado cinematográfico qual seria a maior bilheteria de 2009 no país pouquíssimas pessoas responderiam A Era do Gelo 3. No entanto, o filme dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha foi além e não só conquistou a primeira posição como bateu um recorde histórico: o filme faturou R$ 80 milhões e se tornou a maior arrecadação da história em terras brasileiras.

Confira o Top 10 das Bilheterias Brasileiras em 2009
Confira a lista completa com todos os filmes que estrearam no Brasil em 2009
Confira a crítica de Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Confira a crítica de 2012
Confira a crítica de Lua Nova
Confira a crítica de A Era do Gelo 3

Bilheterias EUA: Avatar

27 dezembro, 2009 às 18:14  |  por wikerson

Se alguém tinha alguma dúvida do sucesso de Avatar, pode ficar tranquilo. Em sua segunda semana de exibição nos EUA a produção dirigida por James Cameron manteve a liderança. O filme faturou US$ 75 milhões – apenas 2% a menos de sua bilheteria de estreia – e já acumula no mundo uma arrecadação de impressionantes US$ 615 milhões.

Com isso a principal estreia da semana, Sherlock Holmes, ficou em segundo. A produção estrelada por Robert Downey Jr. faturou ótimos US$ 65 milhões. A continuação Alvin e os Esquilos 2 também surpreendeu atingindo a marca de US$ 50 milhões, num dos finais de semana de maior arrecadação no ano do país.

Simplesmente Complicado, comédia indicada ao Globo de Ouro, estreou em quarto com US$ 22 milhões. A produção Amor Sem Escalas, um dos favoritos ao Oscar 2010 ficou com a quinta posição. O filme estrelado por George Clooney faturou pouco mais de US$ 11 milhões.

Confira o Top 10 das bilheterias dos EUA
Confira o trailer, a crítica e um especial sobre o filme Avatar
Confira o trailer de Sherlock Holmes
Confira o trailer de Alvin e os Esquilos 2
Confira o trailer de Simplesmente Complicado
Confira o trailer de Amor Sem Escalas

Crítica de Hanami – Cerejeiras em Flor

26 dezembro, 2009 às 00:03  |  por wikerson

À primeira vista pode soar estranha a premissa de um filme alemão que aborda em sua essência a cultura japonesa. Porém, bastam alguns minutos de Hanami – Cerejeiras em Flor para entender o porque da escolha da terra do sol nascente como pano de fundo para uma trama sensível e rica em simbolismos.

Rudi Angermeier (Elmar Wepper) e Trudi Angermeier (Hanellore Elsner) formam um casal de terceira idade com uma vida rotineira e tranquila. Porém, ao receber a notícia de que seu marido está com uma doença que lhe dá poucos meses de vida, os médicos aconselham a Trudi que tenha cuidado ao contar sobre a enfermidade e sugere que o casal aproveite os últimos momentos para viajar ou realizar alguns de seus sonhos.

Sem contar ao marido da doença, Trudi convence-o a saírem do interior da Alemanha e irem à Berlin para visitarem os filhos. Sem tempo para os pais, o casal vê o quanto eles se transformaram a ponto de considerar a breve visita um verdadeiro incômodo. A situação se agrava quando, ironicamente, Trudi morre, deixando seu marido sozinho em meio ao desprezo dos filhos.

Ao voltar para sua cidade, Rudi decide se aprofundar nos pertences de sua mulher e descobre que a vida toda ela alimentou o sonho de conhecer o Monte Fuji, no Japão. Na capital Tóquio vive um dos filhos do casal – Karl Angermeier (Maximilian Bruckner). Da mesma forma que os seus irmãos, Karl também não tem tempo e muito menos disposição para tomar conta do seu pai.

Como forma de compensar os sonhos da esposa que não pôde realizar, Rudi parte em uma jornada em busca da essência de uma das formas de expressão que sua mulher mais admirava: o butô, uma dança típica oriental. A época de sua visita coincide com o período do Hanami, o festival das cerejeiras. Suas flores simbolizam a beleza, as mudanças e um novo começo.

Elementos como esses seriam suficientes para construir uma boa trama, transmitir uma mensagem de maneira elegante em sua simbologia e, de quebra, permitir ao espectador refletir sobre o tema em meio às belíssimas imagens urbanas ou campestres do Japão. No entanto alguns incômodos problemas fazem com que quem assiste sinta-se “saindo” do filme em pequenos deslizes.

Um desses detalhes fica por conta da edição. Em muitas sequências a transição não funciona, ora devido a um corte abrupto, ora devido a um corte suave demais. O fato é que o filme, nesse quesito, não encontra um meio termo, demonstrando um trabalho indeciso ou de pouco cuidado de pós-produção.

Outro ponto que faz o filme acabar se perdendo é o seu roteiro. Com pouco mais de duas horas de duração a produção sensivelmente repete momentos desnecessários de maneira insegura e pouco frutífera para a trama. Algumas sequências – como a visita de Rudi a uma casa de massagem no subúrbio da cidade, ou mesmo a uma casa noturna, soam pouco verossímeis com a trama e com o perfil do personagem e, na tentativa de mostrar o seu desespero e angústia, as ideias acabam parecendo desconexas da linha central da história.

Apesar de tudo, Hanami – Cerejeiras em Flor consegue transmitir sua mensagem. No entanto, castiga o espectador com idas e voltas que, praticamente, não levam a história adiante e que bem poderiam ter sido cortadas na edição final. Um trabalho sensível em sua concepção e pesquisa, mas pouco esmerado em termos de execução.

Nota 6.

Confira o trailer de Hanami – Cerejeiras em Flor

Crítica de Abraços Partidos

22 dezembro, 2009 às 15:08  |  por wikerson

“É preciso terminar os filmes, mesmo que às cegas”. A frase é do personagem Mateo Blanco (Lluís Homar) em Abraços Partidos, mas bem que poderia ter saído a qualquer tempo da boca do próprio Pedro Almodóvar tamanho é o seu didatismo para exemplificar a que se propõe a mais nova produção do premiado diretor espanhol.

É difícil analisar uma obra sua sem se voltar para a sua cinematografia tão peculiar e repleta de produções memoráveis, como Fale Com Ela, Volver e Tudo Sobre Minha Mãe, apenas para citar alguns exemplos. Suas referências em tons de cores, na criação de personagens e no equilíbrio entre humor e sutilezas parecem preceder a fama de qualquer produção sua e, ver isso na tela de uma maneira ligeiramente diferente, é quase uma subversão diante da expectativa de quem assiste ao filme.

Nesse sentido, Abraços Partidos funciona como um grito de liberdade ou um clamor de independência – sensações já conquistadas pelo diretor. Assim como em suas outras obras há nuances nitidamente biográficas em alguns dos personagens. Aqui, Mateo Blanco é, de certa forma, uma espécie de alter ego do próprio diretor, seja na forma apaixonada com que desenvolve o seu trabalho – apesar das dificuldades causadas pelo fato de ser deficiente visual.

É justamente essa paixão a força motriz que não o impede de continuar produzindo seus filmes “ainda que às cegas”. Há algo mais em questão do que apenas os aspectos de som e imagem. Há uma sensação quase que um dever autoritário de expressar um sentimento através da sétima arte. Nesse quesito, talvez Almodóvar nunca tenha feito uma declaração tão apaixonada sobre a sua profissão.

As “cores de Almodóvar” estão presentes mais uma vez nos cenários, no figurino na maquiagem das atrizes e na composição de suas cenas. Há um domínio completo do seu senso estético que basta um quadro apenas para termos certeza de estar diante de uma obra do diretor. No entanto, embora o filme tenha um roteiro bem estruturado, falta uma certa dose de consistência e de equilíbrio.

Alguns personagens, como é o caso de Ray X (Rubén Ochandiano), acabam se tornando caricatos ao extremo em momentos que o desenvolvimento da trama não pede isso. Assumidamente homossexual, sua afetação, proposital em diversas cenas, acaba soando como uma espécie de pastelão. A sua obsessão por se aproximar do diretor e filmar nos mais diversos e íntimos ângulos a relação crescente entre Mateo e Lena (Penélope Cruz), da maneira como é mostrada coloca o personagem de maneira deslocada no roteiro.

Em seus filmes esta é uma característica comum e, quando bem pontuada, rende ótimos frutos mostrando a sua ironia fina e sensibilidade para ir do drama à comédia num piscar de olhos. Porém, quando exacerbada, e por tão longo período, acaba confundindo e revelando-se uma muleta clichê em seu próprio trabalho.

Mesmo cometendo deslizes há que se ressaltar o domínio sobre o trabalho que Almodóvar apresenta. No filme dentro do filme – a comédia Chicas y Maletas – Almodóvar visita seus melhores momentos no gênero, como em Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos.

Penélope Cruz, em seu quarto filme com o diretor, se mostra convincente ao transpor para o espectador uma nova atuação dentro da sua própria atuação. A jornada da personagem Lena passa por secretária, esposa dedicada, amante infiel e atriz de segunda categoria. Em todos os momentos, sutis nuances de sua interpretação podem ser percebidas o que, além de ser um trabalho difícil e digno de atenção, é responsável por boa parte da sustentação da trama.

Infelizmente, o resultado final de Abraços Partidos, fica aquém dos principais trabalhos de Almodóvar. No entanto, no caso do diretor, ter uma produção alguns degraus abaixo em sua escala não chega a ser nenhum demérito. Pelo contrário, ele ainda consegue se posicionar à frente do trabalho de muitos e apresentar uma história interessante, ainda que por um viés destoante de sua filmografia. A capacidade de se reinventar é um dom que poucas pessoas tem e, quando o possuem, falta coragem para colocá-lo em prática. E nessas horas, é melhor ter um Almodóvar que tente acertar pelo excesso do que um diretor que erre pela omissão.

Nota 7

Confira o trailer de Abraços Partidos

Crítica de A Princesa e o Sapo

21 dezembro, 2009 às 17:34  |  por wikerson

É interessante notar como alguns fenômenos no cinema são cíclicos e, graças ao excesso de uma coisa ou outra, sempre acabamos retornando às origens com um olhar nostálgico sobre determinado aspecto, ainda que esse não seja necessariamente melhor ou mais divertido.

Há pouco mais de dez anos, quando do lançamento de Toy Story, a novidade era a animação em CGI. De uma média de dois ou mais longas por ano passamos hoje para mais de vinte. Com isso a animação tradicional que desde o princípio do cinema mantinha as mesmas características, se tornou uma raridade a ponto de cada nova produção já ser lançada com um status de arte associada ao nome.

A Princesa e o Sapo, nova animação da Disney, deixa no ar um clima de nostalgia e saudade dos grandes desenhos que a companhia produziu ao longo dos anos. De antiquado o formato passou a ser uma atração, um diferencial junto ao público. E, felizmente, a melhor constatação que podemos ter é que o velho estilo de estruturação de roteiros consagrado pela empresa criadora de Mickey Mouse ainda é capaz de funcionar muito bem.

Por outro lado, vivemos outros tempos e provavelmente, se você leu algo sobre este filme em algum outro lugar, viu que as principais referências à produção se referiam ao fato do desenho ser estrelado por uma princesa negra: a primeira princesa negra da Disney. A grande verdade é que, em termos de história, isso tem pouca ou quase nenhuma importância. Qual fosse a cor da pele de Tiana (Anika Noni Rose) o resultado final da história seria o mesmo, o que acaba quebrando um pouco da magia e tornando a premissa mais mercantilista do que fantasiosa.

A história da moça pobre e humilde que devido a um golpe de sorte e de maneira espontânea conquista o coração de um príncipe transformado em sapo é contada com uma pequena variação. Ao invés de, ao beijar o sapo ele ser transformado em um príncipe, nesse caso Tiana é quem se transforma. E é vendo ela como uma sapa – ou como uma igual – que ele conhece seus encantos e reconhece em si os seus defeitos.

A música, elemento importante nas produções da empresa, se faz presente em grande estilo. A trama se passa na cidade de New Orleans, num bairro francês onde o jazz parece ser a alma do lugar. As canções inspiradas no ritmo e os momentos musicais não são meras peças estilísticas e é peça importante para levar a história adiante.

Vale ressaltar um ponto curioso e, até certo ponto, ousado do roteiro. Próximo ao final um importante personagem da história morre. Qual deles e como isso acontece, obviamente, não vou revelar aqui para não estragar a surpresa. Porém é admirável que isso aconteça em um filme da Disney uma vez que, em suas histórias, raras vezes cenas como essas são mostradas ou ganham destaque.

Embora não tenha o brilho dos desenhos de outrora, como A Bela e a Fera, Branca de Neve e os Sete Anões ou Cinderela, só para citar alguns, A Princesa e o Sapo consegue ser cativante dentro de sua proposta. E felizmente, contrariando seu próprio marketing, para o bem da história, raça ou credo não alteram de forma alguma o resultado da trama. Afinal o que menos precisamos é uma filosofia do politicamente correto preocupada em agradar a todos. Sermos nós mesmos ainda e acreditar naquilo que mais lhe parecer correto são ainda os maiores diferencias que qualquer ser humano pode ter.

Nota 7

Confira o trailer de A Princesa e o Sapo

Avatar lidera bilheterias nos EUA

20 dezembro, 2009 às 17:00  |  por wikerson

Avatar, a superprodução de James Cameron, estreou longe de recordes, mas liderou com folga as bilheterias norte-americanas. Porém, diferente da maioria dos recordistas de 2009, a produção recebeu inúmeras críticas positivas, o que deve fazer com seu desempenho seja melhor que os concorrentes nas semanas seguintes.

Avatar arrecadou US$ 73 milhões nos EUA. Fora do país o filme já soma US$ 159 milhões, totalizando impressionantes US$ 232 milhões em apenas três dias. A Princesa e o Sapo, animação da Disney em 2D líder da semana anterior, caiu para segundo com US$ 12.2 milhões.

O drama O Lado Cego, estrelado por Sandra Bullock, segue com ótimo desempenho na terceira posição. O filme somou mais US$ 10 milhões e já totaliza US$ 164 milhões apenas nos EUA. A estreia Did You Heard About the Morgans ficou em quarto com US$ 7 milhões e Lua Nova caiu para quinto com US$ 4,37 milhões.

Confira o Top 10 EUA do final de semana
Confira a crítica, trailer e um especial com tudo sobre o filme Avatar
Confira o trailer de A Princesa e o Sapo
Confira o trailer de O Lado Cego
Confira a crítica e o trailer de Lua Nova

Crítica de Avatar

19 dezembro, 2009 às 19:40  |  por wikerson

“A verdadeira viagem da descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos”. A frase é do escritor francês Marcel Proust, mas bem que poderia ser da Dr. Grace Augustine, personagem interpretada por Sigourney Weaver em Avatar. A aventura idealizada por James Cameron que levou nada menos de doze anos para sair do papel e se transformar em realidade surge não apenas como um marco tecnológico na história do cinema, mas conquista o seu espaço entre as grandes produções deste novo século.

Cameron era um simples motorista de caminhão quando na década de 70 um sonho ousado de outro visionário mudou a sua trajetória para sempre. Ao entrar num cinema e assistir Star Wars: Episódio 4 – Uma Nova Esperança decidiu que a ficção científica e aqueles mundos imaginários fariam parte de sua vida. Dali em diante, a admiração virou obsessão e o cinema transformou-se na ferramenta para dar vida a sucessos como Aliens – O Resgate, O Exterminador do Futuro, O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final, O Segredo do Abismo, True Lies e a maior bilheteria da história do cinema – Titanic.

Com um currículo como esse o diretor bem que poderia se aposentar tendo a certeza de que seu nome estaria inscrito para sempre na história do cinema. No entanto, Cameron optou pelo caminho menos óbvio e mais ousado: decidiu reescrever essa história e apontar o caminho para o que virá na próxima década. Assim nasceu o mundo de Avatar, uma produção tão grandiosa quanto o seu astronômico orçamento que, segundo especulações, pode ter chegado à marca de US$ 400 milhões.

Nada disso faria sentido se Avatar fosse apenas um show pirotécnico de efeitos especiais com uma história vazia e sem conteúdo. Por mais que o currículo de Cameron apontasse para mais uma produção de qualidade – afinal regularidade é uma das marcas de sua carreira – muitos torceram o nariz e imaginaram que a nova produção seria apenas um palco para uma exibição de imagens computadorizadas de alta qualidade projetadas a esmo em três dimensões numa tela gigantesca.

Como aquele sonho mais desejado, Avatar representa a realização máxima do diretor. Aos 55 anos, Cameron pode comemorar o resultado de sua obsessão pela invenção de novas tecnologias que tornassem possível as filmagens à maneira como idealizou. E pode se consagrar não só como o rei do cinema desta década, mas como Deus do seu próprio mundo, o planeta Pandora onde toda a ação do filme se desenvolve.

Em Avatar acompanhamos a trajetória de Jake Sully (Sam Worthington), um cabo do exército portador de deficiência motora, que com a morte do irmão é convidado a assumir o seu lugar em uma missão de exploração no planeta Pandora. Com uma atmosfera hostil à respiração do ser humano, para que seja possível locomover-se nesse ambiente os humanos criam os avatares, um híbrido de terráqueos com na’vis – os habitantes do planeta – controlados por projeção de consciência. Com uma vida dupla, Jake ganha a missão de se infiltrar aos na’vis e aprender a sua cultura de forma a dar informações ao exército para que possa explorar um rico minério localizado em uma área sagrada para esta população.

Sua incursão em meio aos nativos acaba se transformando em uma jornada de redenção. A simplicidade da história é apenas um tímido alicerce para dar vazão a algumas metáforas e ideais do diretor. Se por um lado a invasão do planeta se assemelha a colonização do Oeste americano, ou mesmo da nossa América, com a apropriação indevida de território e o massacre cultural ocorrido com os indígenas séculos atrás, da mesma forma a forma como os na’vis vêem e interagem com a natureza levanta uma séria mensagem de reflexão acerca do que nós mesmos estamos fazendo com o nosso planeta, sem nos darmos conta de onde estão as nossas próprias riquezas.

Ironicamente a imersão na história que a produção de Cameron nos proporciona faz com que nós, humanos, vejamos o mundo pelos olhos dos nativos. E é olhando “de fora” o problema, ou do ponto de vista deles, que percebemos os nossos próprios erros de conduta e a maneira obsessiva e doentia de dar continuidade a uma exploração desenfreada dos nossos próprios recursos naturais. É como se estivéssemos vivenciando de maneira mais intensa um filme como A Missão, onde o choque cultural e os valores díspares ficam tão evidentes e nos colocam envergonhados diante do que valorizamos.

De maneira inteligente, Avatar cria um mundo de Pandora com beleza exuberante. Pandora é uma floresta biofluorescente, com plantas multicoloridas com brilho de néon e um aspecto que, além de saltar aos olhos, parece exalar vida a cada quadro. Tal qual a riqueza da nossa floresta isso é colocado em segundo plano diante da possibilidade de riquezas fáceis vislumbrada pelos seres humanos.

Com elementos de computação gráfica capazes de colocar qualquer outra grande produção de joelhos perante o seu reinado, Avatar apresenta personagens em CGI extremamente bem concebidos e verossímeis. Não fosse dessa maneira, seria doloroso e forçado fazer com que o espectador se colocasse ao lado do povo Na’vi. Porém, ao contrário, a experiência é saborosa de tal forma que, mesmo após a projeção, torna-se quase que irresistível a vontade de voltar para aquele mundo onde tudo parece perfeito e harmônico.

Com uma projeção de pouco mais de duas horas e meia em momento algum, mesmo no início onde a história se desenvolve em um ritmo menos acelerado, Avatar se torna cansativo, monótono ou recai em elementos redundantes. A história apresenta arcos narrativos muito bem definidos e segue uma linearidade acessível ao grande público e satisfatória para os mais exigentes, culminando com uma cena de batalha nos trinta minutos finais de deixar qualquer um simplesmente sem fôlego.

Aliás, esta última meia hora é memorável não só imageticamente como de maneira simbólica. A destruição do principal e mais imponente patrimônio Na’vi com um bombardeio justificado pela premissa obtusa de que “o terror deve ser combatido com o terror” serve não somente como uma crítica a política belicista adotada de longa data pelo governo norte-americano como também nos remete ao fatídico 11 de setembro, com a queda do World Trade Center num atentado em Nova York.

À sua maneira Cameron reúne em Avatar um apanhado de elementos que já foram abordados isoladamente em diversas outras produções e reúne-os em uma perfeita alegoria de transformação do ser humano graças ao resgate de suas origens e a contemplação de sua essência. Chega a ser poético pensar que a revolução do cinema anunciada por Avatar, assim como o efeito 3D, esteja nos nossos próprios olhos. A resposta está na maneira como vemos o mundo – ou como poderíamos vê-lo se outras riquezas fúteis não insistissem em nos cegar.

Avatar conquista com méritos um lugar cativo na história do cinema como a melhor produção de 2009 e, sem sombra de dúvidas, um dos cinco mais importantes filmes dessa década. Valeu a pena esperar. Se James Cameron tinha em mente transformar Avatar em um sonho coletivo que pudesse ser sonhado com olhos bem abertos em uma sala escura de cinema seu objetivo foi alcançado. Assistir Avatar em três dimensões é uma experiência única e transformadora em que o espectador é presenteado com imagens que, dificilmente, sairão de sua mente por um bom tempo. Esperamos que a sua mensagem também não se perca. Simplesmente uma obra de arte memorável.

Nota 10.

Confira um especial do Portal de Cinema sobre o filme Avatar.
Confira um especial do Baixaki sobre as novas tecnologias do filme Avatar.

Sai a lista de indicados ao Globo de Ouro

16 dezembro, 2009 às 23:26  |  por wikerson

A Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood divulgou na manhã de treça (15) os indicados ao prêmio Globo de Ouro 2010. Entre os dramas, “Amor Sem Escalas” foi o grande destaque, com indicações a melhor filme e direção. Entre as comédias e musicais, destacaram-se “Julie & Julia” e “Nine”. Confira a lista completa de indicados:

Melhor Filme Drama

- Avatar
- Guerra ao Terror
- Bastardos Inglórios
- Precious
- Amor Sem Escalas

Melhor Filme – Comédia ou Musical

- (500) Dias Com Ela
- Se Beber, Não Case
- It’s Complicated
- Julie & Julia
- Nine

Melhor Atriz – Drama

- Emily Blunt, The Young Victoria
- Sandra Bullock, O Lado Cego
- Helen Mirren, The Last Station
- Carey Mulligan, Educação
- Gabire Sadibe, Precious

Melhor Ator – Drama

- Jeff Bridges, Crazy Heart
- George Clooney, Amor Sem Escalas
- Colin Firth, A Single Man
- Morgan Freeman, Invictus
- Tobey Maguire, Entre Irmãos

Melhor Atriz – Comédia ou Musical

- Sandra Bullock, A Proposta
- Marion Cotillard, Nine
- Meryl Streep, It’s Complicated
- Meryl Streep, Julie & Julia
- Julia Roberts, Duplicidade

Melhor Ator – Comédia ou Musical

- Matt Damon, O Desinformante
- Daniel Day Lewis, Nine
- Robert Downey Jr., Sherlock Holmes
- Joseph Gordon Levitt, (500) Dias Com Ela
- Michael Stuhlbarg, A Serious Man

Melhor Ator Coadjuvante

- Matt Damon, Invictus
- Stanley Tucci, Um Olhar do Paraíso
- Christopher Plummer, The Last Station
- Christopher Waltz, Bastardos Inglórios
- Woody Harrelson, The Messenger

Melhor Atriz Coadjuvante

- Mo-Nique, Precious
- Julianne Moore, A Single Man
- Anna Kendrick, Amor Sem Escalas
- Vera Farmiga, Amor Sem Escalas
- Penelope Cruz, Nine

Melhor Diretor

- Kathryn Bigelow, Guerra ao Terror
- James Cameron, Avatar
- Clint Eastwood, Invictus
- Jason Reitman, Amor Sem Escalas
- Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios

Melhor Roteiro

- Amor Sem Escalas
- It’s Complicated
- Distrito 9
- Guerra ao Terror
- Bastardos Inglórios

Melhor Filme em Língua Estrangeira

- Baaria
- Abraços Partidos
- A Prophet
- The White Ribbon
- The Maid

Melhor Filme de Animação

- Coraline e o Mundo Secreto
- O Fantástico Sr. Raposo
- Tá Chovendo Hambúrguer
- A Princesa e o Sapo
- Up – Altas Aventuras

Melhor Canção

- “I Will See You”, Avatar
- “The Weary Kind”, The Crazy Heart
- “Winter”, Entre Irmãos
- “Cinema Italiano”, Nine
- “I Want to Come Home”, Everybody’s Fine

Melhor Trilha Sonora Original

- Michael Giacchino, Up – Altas Aventuras
- Marvin Hamlisch, O Desinformante
- James Horner, Avatar
- Abel Krozeniowski, A Single Man
- Karen O. and Carter Burwell, Onde Vivem os Monstros

Voltamos nesta terça

11 dezembro, 2009 às 01:49  |  por wikerson

Caro leitor, você deve ter percebido que o volume de posts aqui no Controle Remoto caiu sensivelmente nos últimos dias. E a razão disso são alguns projetos pessoais quem têm tomado bem mais tempo do que imaginei.

Porém, a partir da próxima terça, voltamos com força total e muito conteúdo novo para fechar 2009 com chave de ouro. Então fique ligado e nos vemos na terça (sem falta).