SEXTOU EM CURITIBA: TOPZERA X BAIXA GASTRONOMIA.

1 novembro, 2017 às 13:37  |  por Elaine de Lemos
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Tempos difíceis requerem medidas extremas. A sabedoria milenar cai como uma luva nesses dias sombrios que vivemos, e permeia nosso dia a dia, um ótimo exemplo disso são os hábitos alimentares e como eles se transformaram nos últimos anos.

No trabalho, entram as marmitas, fit e não fit, saem os Pfs moderninhos. Comer purê de batata no kilão é para os abastados.

No happy hour, bares oferecem double caipira, double chopp, double food, double tudo.

Nos restaurantes os clientes de groupons e peixes urbanos da vida, que antes era recebidos com nariz torcido, agora são tratados “a pão de ló”. E dá-lhe week disso festival daquilo!

A notícia boa é que o setor gastronômico e de lazer responde com investimentos na área. A ruim é que os investimentos, são, na sua maioria, “topzera”, ou seja, a gentrificação novamente leva a melhor. São mais containers, mais praças de alimentação, mais burguers gourmet(sic), mais coxinhas maromba de jaca veganas, mais temakis, ceviches falsificados, pokes, pizzas sem gluten nem lactose… Enfim, toda uma gama de comidas flavour free (totalmente livres de sabor) e programas top para fazer com os amigos da facul. Eles venceram e o sinal está fechado para nós, da baixa gastronomia. Será?

Nunca! Render-se jamais!

Vida longa ao o Restaurante São Francisco, Maneko’s, Triângulo, Mignon, Imperial da China, Pastelaria Juvevê, Lanchonete Aquarius, Bar do Paulo, O Torto, Senhora Chung, Beck’s, Bar do Dante, Cantina Açores e grande elenco!

Enquanto houver um torresminho com pêlo, um pastel gordurento, um mocotó, uma rabada com agrião no centro da cidade, respiramos!

Infelizmente, baixa gastronomia já não é mais sinônimo de preço baixo como um dia foi. Mesmo assim, há que se reverenciar os clássicos, os antigos, os tradicionais. Sob pena de nos transformarmos numa imensa cidade cenográfica onde food trucks, empórios e armazéns franquiados tomam o lugar do que um dia foi original. Recai sobre nós a responsabilidade de deixarmos uma cidade mais humana e menos “topzera” para as novas gerações.

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