Lula, o ingrato, quer atirar Gleisi às feras da Lava Jato

7 novembro, 2017 às 19:21  |  por José Pedriali

Ela faz de tudo por ele: sacrifica o convívio com a família, a reputação, a biografia, tudo, tudo. Serve-lhe café e enxuga o suor de seu rosto em público. E o que recebe em troca? A mais perversa das sentenças: a perda do mandato e, consequentemente, do foro privilegiado, indispensável a uma ré por corrupção na Lava Jato.

Ela é Gleisi Hoffmann, ele o ex-presidente e “viva alma mais honesta deste país” – sendo assim, dispensa ser nominado.
Rejeitada nacionalmente e ainda mais em seu estado, o Paraná, Gleisi não tem chance alguma de reeleger-se senadora. Apesar de viver no universo paralelo petista, ela está ciente disso, a ponto de ter tornado público o desejo de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, muito mais fácil de ser obtida.
Mas Lula, o ingrato – aquele que não poupa sequer a reputação da finada esposa, a quem atribui os crimes do qual é acusado –, quer que a Gleisi se ferre, disputando o Senado novamente, como informa a coluna “Expresso”, da revista “Época”.
Lula argumenta que, se deixar de concorrer, Gleisi estará admitindo previamente a derrota dela e do partido.
 
Muy amigo este Lula: é melhor que, para salvar a pele, Gleisi, a fiel, admita com antecedência a derrota inevitável, e se agarre à boia salvadora da Câmara, do que atestá-la depois, quando não terá mais ao que apelar.

Quanto a Lula, que personifica a derrocada do PT, bem, não há como se precaver como Gleisi. Pois, uma vez condenado – e isto é tão certo quanto o dia que precede a noite (ou será a noite que sucede o dia?) –, não terá em que se agarrar para escapar do xilindró.

Procura-se um estadista. Quem se habilita?

3 novembro, 2017 às 14:24  |  por José Pedriali
O ex-presidente Lula personifica a mentira, a fraude, o descalabro administrativo e financeiro (iniciado em seu governo e aprofundado por sua sucessora), a corrupção institucionalizada. Foi condenado à prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, é réu em seis ações penais e investigado em pelo menos meia dúzia de casos cabeludos.
O deputado federal Jair Bolsonaro encarna o que de mais abjeto o regime militar produziu – intolerância, truculência, despotismo. É um milico com trajes civis, um parlamentar que se destaca pela arrogância, agressividade e ausência de conteúdo programático.
Lula e Bolsonaro lideram a corrida eleitoral de 2018 para a presidência da República. Se um dos dois vencer, teremos um enorme retrocesso: moral e administrativo-financeiro no primeiro caso (pois o único que pode oferecer é refazer os erros), civilizatório no segundo.
Ocorre que Deus é brasileiro, e não há de permitir tamanho descalabro. Pois Lula, cujo apoio se limita às camadas mais pobres da população e a uma classe média lobotomizada pele ideário petista, caminha a passos firmes para a inabilitação eleitoral – será condenado em segunda instância. E Bolsonaro se alimenta dele. Com o ex-presidente fora do páreo, o milico de terno perderá a razão de ser.
Pois Bolsonaro é o que é por representar, até o momento, a antítese moral de Lula e do PT. Peço atenção ao termo “representar”, sinônimo de aparentar. Ser é outra coisa. Ressalva feita, Bolsonaro canaliza a rejeição do brasileiro ao lulopetismo, a mais nefasta, agressiva, perdulária e corrupta corrente política desde (pelo menos) a instauração da República.  (Corrente política é um termo brando para definir o lulopetismo: o correto é organização criminosa!)
O Brasil enfrenta uma das mais profundas crises de sua história – econômica, política e moral. As instituições, embora funcionando livremente, foram contaminadas pela corrupção e tornaram-se desacreditadas pela opinião pública. Acabamos de tirar o poder o PT, mas seu braço direito na organização criminosa que formou, o PMDB, está na presidência. Michel Temer é um presidente-zumbi, o mais rejeitado da história, e cujo único mérito é ter formado uma equipe econômica que está retirando o Brasil do fundo do poço.
O caminho da recuperação – econômica, política e moral – será longo, doloroso, sinuoso… e requer um estadista no comando da nação e um Congresso purificado. A purificação passa necessariamente pela renovação e depende de quem colocaremos no lugar dos atuais (alguns merecem a recondução).
Um estadista… mas quem?
A conduta ilibada é conditio sine qua non para merecer o título, que exige tirocínio político, experiência administrativa, capacidade de negociação – pois governar é administrar conflitos – e sensibilidade para as questões sociais. Exige também desprendimento, o que subentende a disposição de sacrificar a popularidade se as circunstâncias impuserem; visão de longo prazo, coerência nas ações. Liderança!
Três presidentes se encaixaram nesse perfil. Cada um no seu tempo e circunstâncias, cada um com seu estilo, cada um com suas vitórias e derrotas: Getúlio Vargas, JK e FHC. O primeiro enfrentou o desafio de um país que se urbanizava, o segundo levou a modernidade e o Estado ao interior e iniciou o processo de industrialização; o terceiro reergueu a economia e o Estado devastados pelo regime militar e por dois presidentes eleitos desastrosos – Collor e Sarney.
Um estadista, com urgência, por favor!

Data venia: temos o pior STF da história

27 outubro, 2017 às 18:16  |  por José Pedriali

Se Rodrigo Janot foi o “pior procurador-geral da história”, como o definiu o ministro Gilmar Mendes, a atual composição do STF o faz merecedor de igual título.

Janot, de fato, foi um péssimo procurador. O fim de sua passagem pelo comando do Ministério Público foi melancólico: duas denúncias ineptas contra o presidente da República baseadas numa delação malandra e retribuída com a indulgência plenária ao delator, um criminoso confesso.
Essa aberração foi precedida da delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que continha informações do mesmo teor e obtidas com a mesma finalidade.
Um ministro sem qualificação, nomeado para o cargo para proteger o PT, que lhe dera emprego.
Outro com laços de amizade familiar com o então presidente da República.
Ambos – Dias Toffoli e Lewandowski – retribuíram a nomeação agindo, no julgamento do mensalão, como eficientes advogados de defesa dos réus. E, no julgamento de Dilma pelo Congresso, Lewandowski avalizou a aberração jurídica de manter os direitos políticos de uma cassada!
Uma ministra advinda do Ministério do Trabalho com a qual a “presidenta” tinha simpatia e afinidade ideológica. Rosa Weber soube – e sabe – retribuir.
Não apenas a voz remete a um ator de filme de terror: suas decisões parecem seguir o mesmo padrão. É Marco Aurélio, reiteradamente voto vencido. Um sadomasoquista assumido!
Gilmar Mendes: o mais falastrão e espalhafatoso, dado nos últimos meses a decidir uma coisa hoje e revogá-la amanhã. Assumidamente antipetista, descaradamente aecista: um militante de toga!
José Roberto Barroso: tido como um dos maiores constitucionalistas do país e que não se vexa de submeter a Constituição à sua militância judicial.
Mendes e Barroso protagonizaram ontem um bate-boca em plenário, exigindo a intervenção da presidente Carmen Lúcia, que por pouco não estendeu a mão entre ambos e ordenou cuspisse primeiro o mais valentão!
Por sorte temos o provecto Celso de Mello, que não joga para a plateia, Fachin – que põe as leis acima de suas simpatias políticas -, a equilibrada Carmen e o roqueiro Luiz Fux: esfuziante no falar e vestir, mas ponderado e didático nas decisões. Alexandre Moraes, o neófito, reluz não apenas por sua lustrosa calvície, mas pela limpidez de seus argumentos.
São maioria os que se afinam com a missão do STF, que é zelar pela observância da Constituição. Mas o grupo dissonante refulge pelo espalhafato, contaminando todo o grupo.

O STF, infelizmente, não é uma banda de rock. Se o fosse, teria o desempenho mais cacofônico e ruidoso das bandas de rock, cuja especialidade é justamente essa: cacofonia e ruído!

Da “dança da pizza” à “dança da esbórnia”: a afronta continua

27 outubro, 2017 às 14:15  |  por José Pedriali
2006:
A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) celebrizou-se (e selou o fim de sua carreira política) ao comemorar, dançando desengonçadamente no plenário da Câmara, a absolvição por seus pares do companheiro João Magno (PT-MG), acusado de ter se beneficiado do mensalão.
Os passos de Ângela ficaram conhecidos como a “dança da pizza”.
2017
Fiel escudeiro do presidente Michel Temer, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) – informa o Estadão - comemorou com dança o resultado da votação do parecer pela rejeição da denúncia contra o presidente da República realizada na noite de quarta-feira, 25, no plenário da Câmara dos Deputados.
Os passos de Marun – tão desengonçados (ou mais) quanto os de sua antecessora – ficarão para a história como a “dança da esbórnia”.

 

O tempo passa, os governantes são outros, mas a desfaçatez de alguns políticos continua afrontando a opinião pública.

Mensagem da Operação Publicano: a delação compensa todos os crimes

25 outubro, 2017 às 08:12  |  por José Pedriali

O auditor da Receita Estadual Luís Antônio de Souza foi flagrado em janeiro de 2015 num motel de Londrina com uma menina de 15 anos.

Só isso (só?!) já era o suficiente para deixá-lo alguns anos atrás das grades.
Mas era apenas a ponta do iceberg: ele estava com 20 mil reais em dinheiro e foi identificado como membro de uma organização que explorava sexualmente menores.
O caldo entornou, pois o flagrante se deu porque o Gaeco (MP e polícias civil e militar) o investigava por corrupção na Receita.
Crimes sexuais em série – incluindo estupro de vulnerável – e corrupção das grossas: condenação na certa, e pesada!
O que ele fez? Arranjou um advogado astuto, Eduardo Duarte Ferreira, e começou a dedurar mundos e fundos em troca da impunidade.
A delação atingiu dezenas de fiscais, contadores, empresários e o governador Beto Richa.
Tinha início a estrondosa Operação Publicano.
Como Richa entra nessa história? Na condição de coadjuvante, apontado como beneficiário do esquema de corrupção montado pela “organização criminosa da Receita”, que abasteceu suposto caixa dois da campanha pela reeleição do tucano.
O que havia de indício ou prova? O recibo da compra de divisórias de compensado para o comitê eleitoral londrinense de Richa. Valor: 3 mil reais, não declarados na contabilidade da campanha.
Quem autorizou a compra, o governador? Não, a compra foi ordenada pelo chefe de Souza, Márcio Albuquerque, que  prometeu, segundo ele, repor o dinheiro.
O caso ganhou repercussão nacional, e Richa foi associado a tal “organização criminosa”.
A delação foi homologada. A Justiça comprometeu a soltar Souza alguns meses depois, passando para prisão domiciliar e relaxando-a gradativamente. O perdão abrangeu os crimes sexuais – e ele respondia a mais de 20 processos!. Souza teve de entregar parte do patrimônio obtido com a corrupção. Um patrimônio milionário.
Pouco tempo depois, Souza foi flagrado extorquindo empresários em troca de seu silêncio, crime que, segundo o MP, envolveu seu advogado. Os benefícios da delação foram suspensos, cogitava-se em revogá-la, o que seria desastroso para a Publicano, pois sem as informações de Souza o castelo de areia ruiria. E então delator e advogado acusaram que depoimentos do réu não haviam sido gravados e, pior, adulterados. Pânico no Ministério Público! E agora?
O achaque deu mais certo do que o que Souza fizera ao empresário para manter silêncio, pois, em vez de punição, voltou a ter a indulgência plenária na linha do horizonte, bastando para isso entregar mais um imóvel à Justiça. E ele “esqueceu” de denunciar os investigadores pela adulteração…
Dois anos e meio depois da eclosão do caso, sabemos pela Folha de Londrina que Souza, em regime de prisão domiciliar, foi autorizado a se mudar para o litoral paranaense por motivo de “foro íntimo”. Logo, logo vai estar se esbaldando nas areias das praias paranaenses…
A Publicano está na enésima fase, as duas primeiras remetidas ao STJ por envolverem o governador. E contadores, empresários e fiscais foram condenados – um deles a quase um século de prisão. Alguns fiscais alegam que foram punidos com base unicamente nas delações de Souza. Exasperado, um deles filmou a movimentação dos promotores diante do Gaeco e acabou detido.
A isso se soma a misteriosa não inclusão no processo de um contador apontado como sócio de um dos promotores… A Corregedoria do MP abriu inquérito. O caso tramita sob sigilo.
A corrupção precisa ser combatida, duela a quien duela. Mas o combate tem de ser sem espalhafato e de forma eficiente.
A Operação Publicano montou um cenário dantesco com as informações de um criminoso confesso, capaz de reincidir no crime mesmo preso,  Que, de todos os envolvidos, é o único contra o qual não há dúvida de sua culpabilidade. Está a um passo da liberdade plena – e continua rico.

O esforço da Gaeco não foi em vão: sim, havia corrupção na Receita, a ponto de o governo do Estado multar os sonegadores em mais de um bilhão de reais. Mas a afoiteza em aceitar a versão de um bandido pode comprometer boa parte do trabalho, desacreditar a instituição e deixar como lição que o crime compensa se, uma vez flagrado, for acompanhado de uma delação bombástica – mesmo que fantasiosa. E como compensa!

Belinati e a irônica e quase impossível missão de salvar o Sercomtel

17 outubro, 2017 às 12:00  |  por José Pedriali

Irônica e quase impossível missão a do prefeito Marcelo Belinati: resgatar as finanças do Sercomtel, empresa de telefonia controlada pelo município e Copel e cuja concessão está ameaçada pela Anatel.
Quase impossível porque, cercada de gigantes por todos os lados, a nanica Sercomtel, apesar de prestar serviços além dos telefônicos, tem pouca margem de manobra. Está tecnicamente sucateada e suas finanças, severamente comprometidas – embora o estado não seja tão apocalíptico quanto o pintado por seu ex-presidente Carlos Adati, que exagerou na dose de cicuta e fez disparar o sinal de alarme na Anatel.
Belinati pediu socorro ao sócio rico, mas esse sócio – e por isso enriqueceu – não desperdiça dinheiro. Injeção de capital? Nem pensar! O máximo que a Copel se dispõe é oferecer recursos tecnológicos avançados que barateie e – perdão pelo palavrão – “otimize” os serviços do Sercomtel.
O prefeito está em papas da aranha: endossou o balanço apocalítico de Adati, foi ignorado diplomaticamente pelo sócio e, como recurso desesperado, convoca a sociedade civil para “salvar” o Sercomtel.
O que ele espera dessa convocação? Que ACIL, Sociedade Rural, Sinduscon, igrejas católicas e evangélicas, terreiros de macumba, associação de moradores, restaurantes, bares e similares, ONGs e clubes esportivos abram as burras para socorrer o Sercomtel?
O máximo que pode obter de imediato é sensibilizar os ouvintes para o drama do Sercomtel e incutir-lhes o desejo de se livrar desse problema o quanto antes.
E então esbarramos na ironia da missão de Belinati: o inferno astral do Sercomtel teve início com o desaparecimento dos R$ 150 milhões obtidos com a venda de 45% de suas ações para a Copel em maio de 1998. O valor do negócio foi R$ 36 milhões a mais, mas esse saldo foi utilizado para pagar dívidas da empresa. O dinheiro – equivalente hoje a R$ 500 milhões – desapareceu na administração de seu tio Antônio Belinati, cassado em 2000.
Duas semanas depois de ter vendido parte da empresa, Belinati tio simulou a venda de um lote generoso de ações para o Banestado (tratava-se, na verdade, de um empréstimo, cuja aplicação é uma incógnita e não foi pago). A Justiça o condenouem julho deste ano por improbidade administrativa e ao pagamento de uma multa de R$ 1,8 milhão e determinou a anulação do negócio, que gerou prejuízo (atualizado) de R$ 30 milhões. Ou seja, o Sercomtel terá de devolver esse dinheiro ao Itaú, que comprou o Banestado. Mais uma conta a pagar…
O descalabro que foi o sumiço do dinheiro da venda de parte da empresa levou os eleitores de Londrina a rejeitarem, em plebiscito realizado em 2001, que o sucessor de Antônio Belinati, o petista Nedson Micheleti, vendesse o que restara do Sercomtel, aproveitando as boas condições de mercado, aberto havia pouco ao capital privado (o quê: um petista privatizando uma empresa pública?! Golpista traidor!).
O plebiscito é uma exigência imposta pela Câmara de Vereadores e também motivada pelo desvio de recursos do Sercomtel. Revogá-lo é imperioso para que o município passe adiante a empresa, nascida da mobilização da comunidade sob o comando de Hosken de Novaes (1963-1968). A comunidade que está sendo convocada para acompanhar seu velório.
Será este o caminho desejado por Marcelo Belinati: vender o Sercomtel? Se for, e então a ironia se transformará em predestinação, ele estará concluindo o serviço iniciado pelo tio.
Restará aos londrinenses o consolo de que, se assim for, não haverá desvio de dinheiro. Não apenas por causa da índole honesta de Marcelo, mas porque não sobrará dinheiro dessa venda.

Enfim, calaram o Boca Aberta

15 outubro, 2017 às 21:22  |  por José Pedriali

Por 14 votos a cinco, a Câmara de Vereadores de Londrina cassou neste domingo o mandato de Emerson Petriv, vulgo Boca Aberta, por quebra de decoro parlamentar.

Ele foi acusado de usar as redes sociais para levantar dinheiro para pagar uma multa eleitoral dizendo ter sido multado por “defender o povo”.

A Justiça Eleitoral o condenou por usar instalações públicas para fazer campanha.

Estava no primeiro mandato e foi o mais votado em todo o Paraná – cerca de 11 mil votos.

Onze mil votos desperdiçados, pois foram dados a um escalafobético criador de confusões, disposto a tudo para ganhar notoriedade. A tudo. E colecionador de casos com a lei.

Seu mandato se resumiu a isso: a uma sucessão de performances ridículas, agressivas aos colegas, ofensivas ao decoro, desonrosas para a cidade. Uma inutilidade.

A sessão de julgamento arrastou-se por nove horas. Seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira, repetiu as mas acusações e artifícios do processo de julgamento – todos rejeitados pela Justiça -, atacou nominalmente os desaftos do cliente na Câmara e fez acusações graves contra o presidente da comissão processante, Rony Alves. Ou seja, aplicou fielmente o ditado de que “a melhor defesa” (já que não havia como defender o cliente diante da robustez das provas) “é o ataque.

A encenação de Boca Aberta ao se defender foi grotesca. Parecia ter ensaiado – e muito mal – para uma cena de filme crash.

Londrina, assim, livrou-se dessa excrecência pelos próximos oito anos, período em que Boca Aberta, agora Boca Silenciada, estará impedido de concorrer a cargo eletivo.

Mas a cidade continuará convivendo com eleitores que, nesse episódio como em outros – notadamente para o Executivo -, demonstram incontida propensão a destruí-la com suas decisões ruinosas.

50 anos depois, Che sobrevive nas mentes lobotomizadas pelo totalitarismo

10 outubro, 2017 às 18:53  |  por José Pedriali

Há 50 anos, completados ontem, morria nas selvas da Bolívia o guerrilheiro Che Guevara, parceiro de Fidel Castro na tomada de poder em Cuba e um serial killer que justificava as mortes – que lhe davam imenso prazer – como fundamentais para a consolidação da “Revolução” comunista.

 

Guevara, o homem, se foi. Resta o mito, ainda cultuado por mentes lobotomizadas pelo fanatismo político, incapazes de compreender que o comunismo é (pois ainda subsiste em Cuba e na Coreia do Norte) o mais totalitário, atroz e ruinoso de todos os regimes.

 

Viva la libertad!

 Muerte a los totalitários!

Hay que endurecer contra ellos sin perder la firmeza jamás!

A encruzilhada de Doria: administrar ou fazer campanha?

10 outubro, 2017 às 12:52  |  por José Pedriali

A popularidade do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), está despencando: 41% aprovavam sua administração em julho, 32% agora. E crescem os descontentes com sua obstinada agenda presidencial, pois querem que ele cumpra seu mandato até o fim, ao mesmo tempo em que a maioria dos paulistanos prefere que o governador Geraldo Alckmin empunhe a bandeira do partido na corrida para o Planalto em 2018.

Escrevi aqui, no primeiro dia no cargo de Doria e Marcelo Crivella (PRB), do Rio de Janeiro, que eles davam um sinal de mau agouro ao apelar para o marketing: o paulistano juntou-se a um pelotão de garis e o segundo posou doando sangue.
Adverti: “Os paulistanos não elegeram um gari e os cariocas não escolheram um doador esporádico de sangue para administrar suas metrópoles: eles depositaram a confiança em homens que prometeram resolver seus problemas crônicos, reequilibrar as finanças, promover uma faxina ética e doarem-se integralmente aos cidadãos.”
Crivella recolheu-se a suas funções administrativas e maneirou as ações publicitárias, mas Doria usou e abusou do marketing, sobrepondo às tarefas de um prefeito a de um candidato full time à presidência. Passa mais tempo viajando do que no Anhangabaú.
A preensão de Doria dividiu ainda mais o eternamente dividido PSDB. Seu ataque no domingo ao ex-governador tucano Alberto Goldmann irou ainda mais seus opositores no partido e o distanciou de parte do eleitorado paulistano que reverencia o histórico de vida de sua vítima, que ele chamou de “derrotado”.
Inteligente, vivaz, bem-sucedido financeiramente, João Doria apresentou-se como umoutsider e antônimo do lulismo e seu desastroso legado. Foi bem-vindo nesse papel, mas exagerou na dose e distanciou-se de sua base eleitoral. Se não assumir imediatamente a condição de prefeito estará sentenciando de morte sua pretensão eleitoral.
Menos marketing, menos viagens, mais trabalho senhor burgomestre!

Brasul decide: volta a se integrar ao Brasil ou dá origem a três países?

8 outubro, 2017 às 13:40  |  por José Pedriali

1aE no Paraná a população é consultada sobre a formação de seis países derivados do antigo estado. Que poderão ser oito.

 
José Antonio Pedriali 
Enviado especial
Sete de outubro de 2027. Dez anos depois do plebiscitou do qual resultou a criação do Brasul, a população desse novo país, formado por três estados sulistas do Brasil – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul -, volta de novo às urnas para decidir pela reanexação ou pela criação de três novos países: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O pretexto para a criação do Brasul foi a disparidade dos recursos enviados por esses ex-estados, industrializados e economicamente fortes, ao governo central, sediado em Brasília, Distrito Federal, em relação ao retorno de investimentos. “Estávamos cansados de financiar o Nordeste, região de gente inculta, atrasada e preguiçosa”, alegava um dos líderes do movimento separatista.
Pois a disparidade na distribuição de recursos é o principal motivo alegado para a reanexação ou criação de três novos países.
“Os paranaenses reclamam porque ajudam a combalida economia do Rio Grande do Sul e os catarinas (que odeiam ser chamados assim) de fornecer embutidos, frangos, marrecos, chucrute e maquinários para os outros entes da federação sulista”, afirma um representante do movimento.
Os catarinenses também se dizem contrariados com o grande afluxo de gaúchos e paranaenses, cujo litoral é pouco atrativo, a suas praias. “Eles são pouco civilizados”, diz um morador de Santa Catarina, que defende a cobrança de uma “taxa turística”, o que somente seria possível após o desmembramento.
Os gaúchos, por sua vez, apresentam um motivo diferente: não aguentam mais as piadinhas que os associam aos veados – palavra politicamente incorreta, da qual paranaenses e catarinenses abusam, para designar um homossexual masculino. E afirmam que “machos de verdade” são eles porque, “bah, os barrigas verdes (catarinenses) e os coxas brancas (paranaenses) é que são moçoilas”.
Independentemente do resultado do plebiscito, afirmam que vão cobrar royalties pelo rodízio de churrasco (ou espeto corrido) e processar criminalmente os que fizerem piadinhas sobre a tendência sexual de seus moradores do sexo masculino. E determinar> só veste bombacha e toma chimarrão quem for gaúcho, tchê!
O fator linguístico também influencia a decisão dos eleitores. “Não era para falarmos a mesma língua?”, pergunta um deles. “Então como explicar que um menino seja chamado de guri, piá e moleque ao mesmo tempo; que cavalo seja tratado por pingo e moça por prenda? E quem é que entende o que dizem os ‘manezinhos da ilha’ (moradores de Florianópolis), que engolem as palavras ao mesmo tempo em que contorcem os lábios. ‘Mofas com a pomba na balaia’. Tente traduzir, tente (te ajudo: é ficar esperando por muito tempo…) O que é, afinal, uma sinaleira, um semáforo e um sinal senão o mesmo dispositivo de controle de cruzamento de ruas? Bituca e guimba? Rotatória e redondo?”
Espera-se grande participação no plebiscito de hoje, apesar do mau tempo em todo o Brasul. Segundo o DataSul-Independente (dissidência do DataSul), a criação dos três novos países deve sair vitoriosa: 99% disseram-se favoráveis, 0,9% defendem a reanexação e o restante não soube ou não quis responder.
Paraná
O Datasul-Independente consultou também os paranaenses sobre a manutenção integral do território do Estado em caso de independência, e a maioria – 99,9% – disse que deveria ser desmembrado em Paraná do Sul (capital Curitiba), do Oeste (Cascavel), Sudeste (Guarapuava), Norte Velho (Jacarezinho), Norte Novo (Londrina) e Noroeste (Maringá).
“Não suportamos mais trabalhar para dar vida boa aos curitibocas”, diz um eleitor do Norte, ao qual responde um morador de Curitiba: “Curitiboca é sua mãe, que veio da Vila Mattos (zona de meretrício da Londrina pioneira), pé- vermelho ignorante e atrasado”..
Os eleitores de Toledo se dizem revoltados com a indicação de Cascavel para sediar o possível futuro Paraná do Oeste e articulam um plebiscito pela independência do Paraná do Carneiro no Buraco. E a população de Foz do Iguaçu defende a criação de um novo país, que incorpore todo o Parque Nacional do Iguaçu e parte do território paraguaio e argentino; o Muamba.”Já tenemos nuestro próprio idioma, o portunhol”, diz um elelitor da região.

(Singela homenagem aos defensores da independência do Sul do Brasil, país que tem um lindo povo forjado pela diversidade cultural e étnica. E um grande, diversificado e produtivo território.)