19º

Um clássico e dois estilos

Duelo de domingo confronta o conservador Marcelo Oliveira e o ousado Juan Carrasco

19/04/12 às 23:01 - Atualizado às 15:17   |  Lycio Vellozo Ribas e Silvio Rauth Filho
Marcelo Oliveira, técnico do Coritiba, e Juan Ramon Carrasco, treinador do Atlético: dois estilos em jogo num clássico decisivo (foto: Arte JE)

Marcelo Oliveira e Juan Ramon Carrasco têm muito em comum nas carreiras como jogador. Ambos eram meias. Ambos tinham criatividade. Ambos atuaram num papa-títulos dos anos 70 — o Atlético-MG e o Nacional de Montevidéu, respectivamente. Ambos atuaram por seleções nacionais. Ambos possuem a mesma faixa etária. Oliveira tem 57 anos. Carrasco, 55.

As semelhanças não se repetem nas carreiras como treinador. Oliveira possui uma história relativamente modesta. Depois de anos nas categorias de base do Atlético-MG, ele abraçou a carreira de treinador quando já estava além dos 50 anos. Antes de assumir o Coritiba, em 2011, ele somava apenas 23 partidas como comandante de um time de primeira divisão — o próprio Atlético-MG, em 2008. As outras experiências foram no Ipatinga (Série B de 2009) e no Paraná (Série B de 2010).

No Coritiba, porém, Oliveira foi consagrado por números superlativos. Levou o time ao título estadual invicto. Somou 24 vitórias seguidas em partidas de competições, recorde reconhecido pelo Guinness Book. Foi vice-campeão da Copa do Brasil, feito inédito para o clube. E quase o levou à Libertadores — perdeu a vaga ao ser derrotado exatamente pelo Atlético, na última rodada do Brasileirão 2011.

Já Carrasco ostenta um currículo bem mais recheado. É treinador desde 2000, e já chegou a comandar uma seleção nacional — a do Uruguai, entre 2003 e 2005. Dirigiu quatro times de primeira divisão no país, incluindo o poderoso Nacional. E veio para o Atlético com experiência adquirida também em outros países, uma vez que comandou o Emelec em 2011. A sua campanha levou o time equatoriano à Libertadores de 2012.

No Atlético, porém, Carrasco ainda é um semi-iniciante. Chegou ao clube neste ano para navegar sobre turbulências, uma vez que o Atlético estava recém-rebaixado à segunda divisão nacional e teve que recorrer às categorias de base para completar o time. Até agora, o uruguaio tem a seu lado números interessantes, decisões pouco ortodoxas para o futebol brasileiro e o título do primeiro turno do Estadual. Ainda busca feitos que o consagrem no clube.

Os estilos de ambos também se contrapõem. Marcelo Oliveira mostrou-se um técnico conservador. Depois de curtas experiências com três zagueiros, adotou o 4-2-3-1, consagrado na Copa do Mundo de 2010, e não o largou por nada. O máximo de variação visto era o meio-campo ocupado por três volantes e dois meias. Nas partidas, quase nunca substitui um jogador antes dos 15 minutos do segundo tempo — a menos que haja alguma contusão. E as trocas dificilmente saem do script. Volante por meia, para aumentar a posse de bola. Meia por volante, para segurar o jogo. Meia-atacante por atacante agudo, para tentar jogadas pelas pontas. Meia ou atacante por centroavante de referência na área, para tentar algo na bola alta.

Carrasco, por sua vez, não economiza na ousadia. Usa um esquema que, no papel, remete ao velho 4-3-3 dos anos 70. No Atlético, ele chama de 4-2-1-3. À frente da linha de quatro defensores (dois zagueiros e dois laterais que pouco sobem), pode haver variação no meio-campo: dois volantes e um meia, ou um volante e dois meias. Mas nunca há variação no ataque. Sempre há três no setor, sendo dois pontas bem abertos e um mais preso à área. O uruguaio não tem medo de sacar qualquer jogador a qualquer momento — certa vez, um deles saiu com apenas sete minutos de jogo. E na hora de escalar o time ou fazer substituições? Vale atacante improvisado na lateral, meia-atacante atuando como volante, lateral-esquerdo pelo lado direito da zaga, zagueiro como centroavante.

Nessa contraposição de carreiras e estilos, Oliveira e Carrasco conduzem seus times ao Atletiba de número 350 da história. Quando se enfrentaram pelo primeiro turno do Campeonato Paranaense, nenhum sobrepujou o outro. O duelo na Vila Capanema, em 22 de fevereiro, terminou sem gols. Assim como naquela ocasião, o jogo deste domingo tem um turno do Estadual em jogo. Se o Coritiba vencer a partida, leva o returno. O empate empurra a decisão para a última rodada. A vitória do Atlético o faz passar à frente e o deixa “na boa” para conquistar outro turno do Estadual — e, por tabela, o título da competição. Neste domingo, é hora de ver se prevalecerá o estilo conservador de Oliveira ou a ousadia de Carrasco.

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