Vexame parte dois! A missão

02/07/15 às 00:00 Edilson de Souza | edilsondsouza@hotmail.com

O que dizer do desempenho da Seleção Brasileira na Copa América do Chile? Se tínhamos uma preocupação com a Argentina, Chile, Colômbia, agora nossos medos estão concentrados em ficar fora da próxima Copa do Mundo, pois somos inferiores tecnicamente até do time da Venezuela. Alem da humilhação de ser mais uma vez eliminado pelo “excelente” time do Paraguai – que depois levou seis da argentina – a nossa 5ª posição do ranking mundial deve ser mais uma vez alterada.
Mais uma vez, com essa total falta de interesse dos mandatários da Confederação Brasileira de Futebol em promover uma ampla reformulação no nosso futebol, quem surge são os “acadêmicos do futebol” com suas soluções prontas para salvar o nosso futebol. Fazem de tudo o que já fizeram depois dos 7 a 1.
Reitero que concordo com mudanças na estrutura da CBF. Que haja a necessidade de um melhor planejamento esportivo para as próximas competições. Que o modelo de gestão adotado pelos clubes, com amadores no departamento do futebol, não seja o ideal.
Também concordo que os modelos de formação de jogadores adotados dentro dos clubes — obviamente se estão falando em um projeto de futebol — estão totalmente equivocados. Agora, se a ideia é formar por formar e logo colocar o atleta a disposição futebol mundial, tudo bem.
Hoje se reclama da entrada dos empresários no mundo do futebol captando jogadores nos longínquos rincões do Brasil. No entanto, a Lei Pele matou a formação de jogadores dentro dos clubes. A Lei proposta pelo Rei Pelé acabou modificando o pensamento e as ações de clubes e jogadores em relação aos objetivos de carreira. Jamais veremos jogadores comprometidos com um projeto de clube e principalmente de seleção, de fazer historia, de ser ídolo.
O objetivo principal — e ai não tem como discutir por vivermos no mundo capitalista – é ficar milionário e deixar seus empresários muito bem, também em pouquíssimo tempo. Como disse Emile Boundens, trabalhar com jovens é muito mais interessante e rentável que buscar jogadores consagrados. Não há preocupação com o futebol brasileiro e sim com retorno financeiro imediato.
Entretanto, é inconcebível que o clube deva entregar todas as decisões do departamento de futebol nas mãos de um gerente com amplos poderes. Assim como não consigo entender que a Seleção Brasileira esteja nas mãos de um empresário de futebol. Será que ele esta comprometido com mudanças na rota do nosso futebol ou apenas em abrir portas para futuros negócios? Particularmente, me ancoro nas palavras do Zico: “A Seleção Brasileira é um balcão de negócios”.
Não estamos falando de uma instituição séria e de conduta ilibada no caso da CBF. Logo, precisamos achar motivos para convocações de alguns jogadores: quem são Fred, Gefferson, Douglas Costa e Roberto Firmino? Eu respondo rapidamente: são jogadores que cumpriram “os seus objetivos” dentro da seleção na Copa America.
Além de não termos jogadores qualificados dentro de campo, querer que sejamos uma cópia do futebol europeu não passa de uma falácia e oportunismo. É irritante ver um time quadrado, sem talento, desorganizado e jogando feio e sem vontade. Eu odeio esses números de ônibus que os entendidos querem chamar de esquemas: “Nos jogamos no 3-5-2, 4-1-4-1, 4-2-3-1, duas linhas de 4 bem compactas com atacantes abertos pelos lados, jogamos com nossas linhas de 4 bem próximas e meus atacantes pelo lado fecham na segunda linha pra ajudar na marcação” e etc... Nossa. Quanto papo furado para encher linguiça e achar espaço numa entrevista.
É uma pena que as mudanças não são propostas com idéias de evolução e sim verdadeiros retrocessos. Só ganhamos alguma coisa quando fomos e jogamos o nosso puro futebol.

Edilson de Souza é jornalista e sociólogo

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