Fins justificam os meios?

05/09/16 às 00:00 Marcelo José Araújo

Um assunto que certamente será tema de intenso debate na disputa eleitoral para a prefeitura de Curitiba será a drástica redução dos acidentes e sua gravidade, resultado que será usado pelo atual prefeito para defender sua atitude atípica pela ousadia e coragem como foi a implantação da ‘Área Calma’ e da ‘Via Calma’, e que descontentou muita gente que teve que se calar diante de tais resultados. Caso haja sucessão dificilmente um novo prefeito iria extinguir esses dois conceitos, mas se for sério dificilmente conseguirá manter esses índices.
Vamos raciocinar de forma lógica. Óbvio que sendo a velocidade um fator de risco que está presente em grande parte dos acidentes, sua redução certamente daria um resultado desses. Se a velocidade for reduzida para 20Km/h a redução será ainda mais drástica, e se for reduzida para 10Km/h quero crer que não haverá mais mortes. Da mesma forma, considerando que há um número considerável de acidentes com motos, que resultam em fatalidades ou lesões gravíssimas e permanentes, tenho a solução para extinguir definitivamente os acidentes com motos: basta proibir a homologação de novas motos e o licenciamento das já existentes. Ora, tudo tem um preço!


Em âmbito federal o exame toxicológico para profissionais do volante é um exemplo interessante. Não há dúvida que reduzirá acidentes, mas como explicar que apenas 6 laboratórios conseguiram o credenciamento para atender todo o país, em dois dias de credenciamento, e que são exclusivos tanto para renovações de CNH quanto na área trabalhista para admissão e demissão de motoristas. A sociedade ganha, mas os laboratórios ganham mais, e alguém paga a conta! E assim vão os Simuladores, etc., etc.
A ‘Área Calma’ e a ‘Via Calma’ só apresentaram esses resultados devido à intensa fiscalização com radares, pois na prática em horários de pico os veículos já não desenvolviam velocidades maiores, mas o medo da multa faz as pessoas reduzirem ainda mais a velocidade. Ou seja, os resultados foram obtidos porque houve silêncio por parte da mídia e da sociedade sobre a manutenção dos pagamentos pela ocupação dos radares, sem que houvesse nova licitação, situação que a atual gestão agiu como ‘jibóia’, enrolou, enrolou, enrolou, e por esse motivo que entendo que um novo gestor que agir com seriedade precisará mexer nesse vespeiro, e não terá como não fazer nova licitação.

MARCELO JOSÉ ARAÚJO – Advogado e ex-Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da OAB/PR.

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